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segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Com 56 anos no front policial, mulheres chegam ao comando


A major Pricilla foi a primeira mulher a comandar uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) no Rio de Janeiro

A primeira corporação feminina da Polícia Militar no Brasil foi criada há 56 anos em São Paulo. Das 50 candidatas, 12 foram selecionadas para integrar o grupo também pioneiro na América Latina. De lá para cá, a busca das mulheres por autoafirmação na sociedade e no mercado de trabalho seguiu seu curso e culminou na proposta do atual governador Geraldo Alckmin (PSDB) de unificar os quadros masculino e feminino da PM, em projeto encaminhado à Assembleia Legislativa.
De São Paulo, a presença de mulheres nas polícias atravessou o País e integra o cotidiano de outros Estados. Não há um número oficial sobre o número de policiais mulheres no Brasil, porém, nos últimos anos, o fator determinante para o aumento do interesse pela profissão surgiu também com a presença das mulheres em cargos de comando. Seja à frente de um batalhão formado em sua maioria por homens, seja à frente de uma delegacia.
No entanto, de acordo com Jaqueline Siqueira do Sacramento, mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), as mulheres ainda sofrem limitações quando decidem frequentar ambientes reconhecidamente masculinos. A pesquisadora explica que até mesmo as mulheres que ocupam cargos de comando são pouco reconhecidas na carreira policial (Civil ou Militar).
"Além de serem preferencialmente alocadas em delegacias de baixo risco, ou seja, cujo contato com a criminalidade violenta é menos frequente, ainda devem estar constantemente em busca de maior produtividade e eficiência. E isso na Polícia Militar também pode ser analisado quando as policiais atuam mais em ocorrências de família, lugares públicos, etc. O que podemos analisar com as pesquisas é que as mulheres demoram mais tempo para ser promovidas", aponta.
Primeira mulher a comandar uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP), no Rio de Janeiro, a major Pricilla de Oliveira Azevedo garante que em seus 13 anos de carreira militar nunca sofreu preconceito, mas sabe que ele pode existir pela própria tradição conservadora da sociedade brasileira sobre a participação feminina em profissões reconhecidas como masculinas.
"Se existe preconceito, nunca passei por esse constrangimento, seja por subordinado ou por comandante. Acredito que seja natural em qualquer área a resistência do homem. Porém, o militarismo não permite isso (o preconceito). (O policial) tem de cumprir uma ordem seja de quem partir. Mas, (o preconceito) deve acontecer", diz.
Já a primeira mulher a comandar a Polícia Civil do Distrito Federal, a delegada Mailine Alvarenga, afirma que conquistou o respeito até mesmo de criminosos, mas admite que o fato de ser mulher "multiplicou dificuldades" durante a sua trajetória como policial.
"Ingressei na Polícia Civil cheia de projetos e disposta a enfrentar os desafios de uma profissão até então exercida, em sua maioria, por homens. A condição de mulher multiplicou as dificuldades. Era preciso mostrar aos colegas que as mulheres tinham total condição de bem desempenhar as funções inerentes ao cargo", conta a diretora-geral da PCDF.
Reação e hegemonia masculina 

Jaqueline Siqueira do Sacramento, mestre em Sociologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), aponta que a entrada de mulheres na carreira policial, a partir de 1988, favoreceu a redefinição de "formas de agir e pensar" do agente, de modo a abrir espaço para a formação de uma nova polícia, seguindo os ventos da abertura democrática, impulsionados também por um período de crise de segurança pública no País.
"A participação das mulheres permite que se some experiências e perspectivas às dos homens, acrescentando o diálogo e a possibilidade de democratização da polícia", afirma a estudiosa.

Fonte: Terra

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