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segunda-feira, 12 de setembro de 2011

O estado é uma ficção...

           Não são poucas as vezes em que nos perguntamos: isso é função da PM? Seja quando encaminhamos andarilhos para albergues, seja quando prestamos socorro, (pois, geralmente os Bombeiros estão sobrecarregados, ou a cidade não dispõe nem de ambulância, muito menos Bombeiros), ou quando tentamos conciliar pequenos atritos familiares, entre outros serviços, que em nada tem a ver diretamente com nossa missão primeira, a preservação da ordem pública. Geralmente somos o órgão com maior contingente dos estados, por pior que seja a estrutura da cidade, onde quer se ande, sempre tem um policial para atendê-lo. Engraçado é que alguns municípios não tem médicos, mas, têm PMs. Do policial mais experiente ao mais novato, todos sempre terão estórias profissionais que nada tem relação com o que foi aprendido nos cursos de formação. Ou seja, sempre fazemos serviços que não são policiais, mas, sociais.
             O estado é uma ficção, literalmente falando. Mesmo querendo cumprir a Constituição Federal, nunca se desvencilha da relação promíscua que tem com muitas prefeituras, seja na troca de gasolina, seja na compra de equipamentos para a Polícia Militar, manutenção de viaturas ou nas cidades maiores o chamado CONSEP- Conselho Municipal de Segurança Pública. Apesar do Brasil ter talvez, a maior carga tributária do mundo, ainda sim, coloca em xeque a credibilidade de muitos policiais quando lhe impõe que estes criem e administrem tais entidades, uma espécie de mini ong, a qual será a captadora de recursos para manter as companhias, que vai desde a compra de papel higiênicos, passando pelo pagamento de contas telefônicas, manutenção de bicicletas, viaturas, ou pintura dos prédios policiais. 
            Por essas e outras que a Polícia Militar é o órgão mais político (no péssimo sentido), do estado. Nunca se diz não, que pode significar ofender o governo. Por isso agregamos todos os tipos de serviços, até para esconder mais uma vez, a fragilidade do estado naquele setor. Junte-se a isso os "aliados" a todo o tipo de interesse inerente, mais as demagogias, as propagandas, etc e etc. E logicamente as consequências advindas dessa relação. No meio desse fogo cruzado aparece o "santo" fardado, humano, com qualidades, defeitos e problemas. Porém, tem que ter a frieza nas relações e a mentira como escudo, valores inversos ao que foi ensinado e pelo que é esperado pela sociedade que decididamente desconhece o que está atrás dos muros de um quartel. O que se propaga não é o que se vê, ou o que se vivencia...mas, "vai tudo bem...se compararmos a outras regiões"...

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