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quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Trabalhadores dos Correios decidem entrar em greve a partir desta quarta-feira


Trabalhadores estão adoecendo nos setores, com o excesso de serviço e com um salário miserável há dois anos sem aumento, a cúpula da ECT está enchendo os bolsos com o dinheiro da empresa

Enquanto a direção da ECT (Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos) propõe um miserável reajuste de 6,87% para os trabalhadores, a cúpula da direção da empresa, as chefias e gerentes com nível superior chegam a ganhar, apenas no salário base, mais de 15 vezes o que um carteiro, atendente ou OTT, que juntos representam mais de 70% do quadro de funcionários.

Apenas no quesito “remuneração singular”, um diretor regional, suponhamos, da DR/SPM (Diretoria Regional de São Paulo Metropolitana) ganha R$16.462,84. A “remuneração singular” nada mais é do que uma gratificação ganha pelos cargos de confiança nos Correios, ou seja, cargos ocupados por indicações políticas. Esta remuneração foi criada diretamente com a função de engordar os salários das chefias.

O diretor regional da DR/SPM ganha, por mês, além dessa “remuneração singular”, R$ 2.524,82 de função, mais o seu salário. A folha de pagamento facilmente ultrapassa os R$ 20 mil por mês.



Quanto maior o cargo, maiores são os ganhos com funções e remunerações diversas, ou seja, é uma verdadeira farra das chefias.

Essa é a realidade nos Correios. A esmagadora maioria dos trabalhadores, que leva a empresa nas costas, é obrigada a trabalhar por um salário que mal dá para sobreviver. Enquanto as chefias estão nadando em dinheiro, o salário base de um carteiro, OTT e atendente comercial é de R$ 807,29 contra um salário base de R$12.812,34 para um funcionário de nível superior.

A situação é, na realidade, ainda mais dispare. Sem contar que a maioria dos cargos de chefia na empresa são escolhas políticas, ou seja, um grande esquema para distribuir o dinheiro da empresa para apadrinhados políticos. Não é à toa que a briga entre PT e PMDB pelos cargos no governo esteja a todo vapor dentro dos Correios. A mudança no Estatuto da ECT, que prevê que pessoas de fora dos Correios possam ser indicadas para ocupar cargos de chefia na empresa, é parte de uma investida do PT para diminuir o domínio do PMDB na empresa.



A direção da ECT e o governo alegam que é impossível pagar mais do que os 6,87%, depois de dois anos sem reajuste e com o aumento visível da quantidade de carga que os trabalhadores têm que dar conta.

Dos últimos anos para cá, a empresa apenas cresceu seus lucros. Nesse primeiro semestre, os Correios apresentaram R$ 500 milhões de lucro líquido, o que significa que até o final do ano o lucro deve ultrapassar R$ 1 bilhão.

E para onde vai esse dinheiro todo? Para as mãos dos corruptos que dominam a cúpula da empresa, para os capitalistas que enchem os bolsos com as franquias e todos os esquemas de privatização dentro da ECT. E são justamente esses os maiores interessados em privatizar os Correios para colocar de vez as mãos no dinheiro gerado pelo trabalhador, que está se matando nos setores para dar conta do excesso de serviço e da falta de funcionários.



Está mais do que provado que a direção da ECT não quer abrir mão da boquinha bilionária que representa os Correios. Por isso, não adianta conversa, os patrões não vão ceder se os trabalhadores não os colocarem na parede. Por isso, para o próximo dia 14, é o momento da greve geral unitária da categoria, por 74% de aumento. A luta e a mobilização enérgica dos trabalhadores são a única linguagem que os patrões entendem.

- Greve geral contra a privatização da ECT, por 74% de reajuste e pela imediata contratação dos concursados;

- Ato em Brasília, dia 20 de setembro, contra a privatização;

- Não à privatização dos Correios;

- Fim do excesso de serviço, fim do trabalho nos finais de semana;

- Não à retirada do convênio médico da categoria.

fonte: Anando/PCO-Partido da Causa Operária
foto: ODIA

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