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sábado, 8 de setembro de 2012

Candidatos militares x financiamento de campanha

     Por Marcelo Anastácio - Blog No Q.A.P

     A chamada democracia brasileira pode ser posta em dúvida já na essência, pois, se o modelo tem como base a participação popular através do sufrágio universal, mais conhecido como voto, a obrigatoriedade deste já começa ruir o argumento de Estado democrático, pois, se sou obrigado, não há democracia no ato. O segundo ponto controverso são os financiamentos de campanha. Como dizer se as igualdades nas chances de candidatos pobres e ricos serem eleitos? Uns declaram mais do que vão receber de salários, se eleitos forem, enquanto a grande maioria vive a benevolência, do voto amigo, da simpatia. E ninguém é tão carismático assim que consiga, por exemplo, 40 mil votos numa campanha para deputado. Num país onde dentadura, caminhão de terra, saco de arroz são moedas de troca pelo voto, temos um quadro bem difícil pela igualdade democrática.  

    Vejam os policiais e militares de todo o Brasil, a maioria amadurecidos, colocando seus nomes visando representação política, como forma, de num segundo momento buscar melhorias que vão desde a regulamentação da carga horária, passando pelo reconhecimento (tão óbvio), de direitos trabalhistas como o pagamento da periculosidade/insalubridade, questão judicial na mudança de leis que podem minorar o desgaste no trabalho. Mas, sinceramente, é possível um candidato sem dinheiro pra fazer campanha ter a mesma chance de ser eleito do que aquele que tem capital?

    Apesar da dificuldade óbvia, a falta de recursos, ainda existe uma luz no fim do túnel, cuja opção parece simples, mas esbarra do ego, daí a torna mais difícil e complexa de ser aceita: colocar os todos os candidatos militares num único partido. Afinal, se os votos não servirem pra um, servirá para o outro e assim sucessivamente. É claro, nesta chapa não poderá haver nenhum candidato muito mais capitalizado do que o outro, nem candidato civil. A chapa deve ser composta só de militares, principalmente aqueles que querem fazer campanha de fato. Os aventureiros, os que pegam apenas os três meses para campanha, estes devem ser banidos.

     Somente com esse nível de organização é que teremos chances reais, de minimizar o impacto pela falta de recursos para o financiamento de campanha, até que surja um avatar  e consiga aprovar o financiamento público de campanha, dando a todos as mesmas possibilidades financeiras de concorrer nas eleições. Caso contrário, um candidato militar vai pra direita, outro pra esquerda, outro nem sabe o que é o centro, e estamos reproduzindo esse sistema injusto, onde até hoje somos cavalos eleitorais, que municiam as urnas para os candidatos civis, que têm recursos, que tem promessas, mas que de longe desconhecem a realidade da caserna nossa de cada dia. Militar que vota em candidato civil, não militar...é qualquer coisa, menos militar...

         Por Marcelo Anastácio - Blog No Q.A.P

     

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