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terça-feira, 16 de outubro de 2012

Rio quer capacitar policiais para atuar em cracolândias



Além do fechamento da maior cracolândia da cidade, que funcionava na Favela do Jacarezinho, ocupada pelas forças de segurança desde domingo (14), o combate ao crack no estado ganhou mais um aliado. A Secretaria de Segurança (Seseg) criou o Crack, é possível vencer, um programa para qualificar os profissionais do setor para atuação em cenas de uso da droga, facilitando a integração entre as políticas de saúde, de assistência social e de prevenção.
A ação, que prevê a participação de 200 policiais civis, militares e guardas municipais até dezembro, recebeu elogios e críticas de especialistas no assunto. Psiquiatra echefe do Programa de Álcool e Drogas da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, Analice Gigliotti comemorou a intenção da Seseg. No entanto, Analice, ex-presidente da Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas (Abead) lamentou a demora da pasta comandada por Beltrame em atentar para a preparação dos policiais para lidar com os dependentes.
"Nunca é tarde demais para abordar o crack. Mas, sem sombra de dúvidas, poderia ter ocorrido há uns três anos", analisou a médica. "Também é certo que as chances para o doente responder ao tratamento aumentam com uma abordagem amistosa, feita através da conversa. Um policial que saiba o que está acontecendo com o doente ajuda muito o trabalho dos médicos", avalia.
Psiquiatra e presidente da Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas (Abrad), Jorge Jaber considerou acertada a preocupação com a formação de profissionais de segurança. Segundo ele, a presença dos policiais nas ações de abordagem sempre foi condenada por conferir aspecto persecutório às iniciativas das áreas de saúde e assistência social.
"A utilização de policiais sempre foi justificável por conta da localização das cracolândias, em áreas dominadas pelo tráfico de drogas. Mas transmitia uma certa violência", opinou Jaber, que é também membro do Conselho Estadual Antidrogas. "A importância da preparação da polícia está aí. A polícia preparada reduz a rusticidade e a violência da abordagem policial. E, principalmente, o curso conscientizará o agente de segurança da importância de seu trabalho na vida de um doente".
Supervisora do Programa de Álcool e Drogas da Santa Casa de Misericórdia do Rio de Janeiro, a psicóloga Elizabeth Carneiro explicou em que aspectos um policial preparado pode ajudar um dependente químico em crack.
"Apesar de um tratamento para ser efetivo não precisar ser voluntário, é muito importante que não haja um registro inicial de violência, o que pode criar resistências", relatou. "Ou seja, quanto mais cuidados físicos e emocionais, e menos sequelas e violências, melhor. E o policial fluminense é preparado para lidar com o criminoso, não com o doente, escravo de seu vício. Daí a importância do curso".
O curso
As temáticas trabalhadas em sala de aula vão desde a filosofia de polícia comunitária, redes de atenção e cuidado, até a abordagem policial aos usuários do entorpecente em situação de risco. Ao todo o programa possui uma carga horária de 160 horas/aula, e previsão de término em dezembro.
"Nossa expectativa é que essa ação contribua para reflexão e para o embasamento das ações desenvolvidas pelos profissionais de segurança pública, de modo articulado com as redes de saúde e assistência social", prevê a subsecretária de Educação, Valorização e Prevenção, Juliana Barroso.  
As vagas foram destinadas aos batalhões e delegacias das regiões da cidade consideradas prioritárias definidas por Área Integrada de Segurança Pública (AISP), como a AISP 2 (Catete, Glória e Flamengo), AISP 4 (Mangueira e São Cristóvão e Praça da Bandeira), AISP 5 (Centro, Gamboa e Santo Cristo), AISP 12 (Niterói) e AISP 15 (Duque de Caxias). Além das regiões, os batalhões cujos policiais lidam rotineiramente com usuários do crack, como 3º BPM (Méier), que atua na região do Jacarezinho, também têm vagas reservadas. Continue lendo no Jornal do Brasil
Comentário nosso: A polícia vai absorvendo tudo, prevenção, psicologia, psiquiatria, educação, assistência social, trânsito, pronto socorrismo, e o salário é quase miserável. Quanta demagogia...

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