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segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Soldados recém-formados reclamam de "trabalho escravo"


Foto: Romero Mendonça/Secom-ES
 Romero Mendonça/Secom-ES
 
Soldados recém-formados no curso da Polícia Militar do Espírito Santo (PMES), contratados para trabalhar nos programas Estado Presente, Patrulha da Comunidade e no policiamento a pé nas praias, estão reclamando de abusos nas escalas de trabalho, além do não recebimento de horas extras.

De acordo com as mais de 50 denúncias recebidas pela Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Espírito Santo (ACS-ES), algumas escalas chegam a somar até 70 horas semanais trabalhadas. Em alguns casos, o policial chega a trabalhar 14 horas seguidas no Policiamento Ostensivo (PO) a pé, tudo isso sem o recebimento de horas extras.

“Os comandantes das unidades estão confundido recruta com escravo. Estão escalando os soldados recém-formados em escalas de PO diário de até 14 horas, quando inclui a escala especial (de 6 horas), isso é desumano. Outros tem sido escalados em turnos de 12 x 12 e ainda tem que fazer as especiais”, disse o presidente da ACS-ES Flávio Gava.

Ele explicou que os soldados recém-formados deveriam trabalhar oito horas por dia, seis dias na semana, com uma folga por semana e uma escala especial de seis horas, o que totalizaria um máximo de 54 horas semanais. Porém, não há legislação que regule a carga horária dos PMs.

“Qualquer pessoa que reclama da escala eles (comandantes) pioram a escala. Tem policial que trabalha um tipo de escala, outro trabalha outro tipo e no final impera a teoria escravagista. Nossa luta é por uma legislação que regule esta carga horária. Nós não queremos trabalhar de graça. O policial quer defender os direitos da sociedade, mas vê os próprios interesse prejudicados”, relatou Gava.

O presidente declarou que marcou uma reunião com o Secretário de Estado de Segurança Pública (Sesp) André Garcia na terça-feira passada (14) para debater o assunto, mas que o Secretário cancelou sem justificativa e não marcou uma nova reunião. Agora ele admite levar o caso ao Ministério Público (MP-ES).

“A Sesp não quis tomar conhecimento do problema. Estamos monitorando as escalas para ver se a situação muda. Se não mudar e se nem o Governo do Estado nem o Comandante Geral da PM não tomarem atitudes, vamos acionar o MP. Já temos vários documentos comprobatórios em mãos”.

Ainda Segundo Gava, o curso que formou os 1.032 soldados durou apenas cinco meses e meio e foi o mais rápido dos últimos 20 anos. “No dia após a formação eles já começaram a ser sugados. O sentimento que fica é que foram formados na correria pra fazer a política do Governo, mas ainda serão tratados como alunos até o carnaval, pelo menos”, desabafou o presidente.

A reportagem de ESHOJE entrou em contato com a Sesp-ES, mas até o fechamento desta matéria a secretaria não se manifestou.


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