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quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Estado x cobaias x abono permanência x previdência


          Há tempos o homem é refém das artimanhas políticas, que por vezes, cegam aqueles que acreditavam ser espertos só porque lidavam com malandros, ao prendê-los diuturnamente no serviço ordinário. O que poucos têm noção, (o cidadão em geral), desconhecem é que a malandragem do pivete não dá uma dízima se comparada a esperteza do astuto político brasileiro. 

          No caso específico do abono permanência, oferecido por muitos governos estaduais para incentivar o funcionalismo público a permanecer na ativa, mesmo depois de já ter preenchido todos os requisitos para a aposentadoria ou reforma no caso dos policiais militares. Com isso, os governos mataram vários coelhos com única cajadada. A primeira é a de que mesmo havendo a necessidade urgente de recompor o quadro deficitário de servidores que se aposentam, o investimento em novos concursos poderia ser diminuído, tais como recrutamento, seleção, prova, curso de formação, salário aos ingressantes, estágio probatório. Além disso, pagando trinta por cento a mais para o servidor que se sujeitasse a fazer o serviço daquele que não pode ser contratado via concurso, porque o governo não fez concurso. O estado percebeu pela quantidade de voluntários ao abono permanência, que a vida útil daqueles que estavam na idade de se aposentar, poderia ser ampliada para aqueles que ainda não chegaram a idade de se aposentar. Ou seja, os primeiros voluntários ao abono permanência, foram uma espécie de cobaia, (involuntárias é claro), sendo usadas numa espécie de tubo de ensaio, testes para o governo, do que viria ou virá a ser feito com todo o restante do efetivo.

        Portanto detalhes ou argumentos usados por algumas categorias de que não dispõe do direito de greve, adicional de periculosidade, FGTS, adicional noturno, ou de que trabalham numa jornada estressante, ou de que ficam de plantão mesmo quando gozam das folgas, ou de que se aposentam com 48 anos de idade porque começaram a trabalhar com 18. Enfim, tudo isso se torna balela quando os governos estaduais concluíram que o militar ainda pode trabalhar dez ou doze anos. Afirmar que a culpa da reforma da previdência é exclusiva dos que aceitaram o abono permanência não seria justo, apesar da parcela de culpa inerente.

            Na verdade a culpa é de todos nós, brasileiros ou hienas sorridentes, que fazemos piada de tudo sem questionar os privilégios de senadores que se aposentam com seis meses de trabalho "árduo", benefício que é alcançado pelo suplente de senador. Assim como governadores, os mesmos que estão decretando a falência ou pré falência, ou estado de calamidade nos seus respectivos estados, são os mesmos que se aposentam com salário integral com quatro anos de mandato; e as hienas não gritam, não protestam, não se indignam. No fundo o brasileiro parece um urso hibernando, enquanto o povo são as formigas que nunca cessam o trabalho para alimentar esse monstro feroz chamado Estado.

    
              

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