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domingo, 2 de junho de 2013

Copa truculenta...Quem ganha com a Copa 2014?

Em evento paralelo, realizado na última terça feira, durante a 23ª sessão do Conselho de Direitos Humanos da ONU, em Genebra, um grupo de brasileiros, representantes da Articulação Nacional dos Comitês Populares (Ancop) conseguiu chamar a atenção dos presentes para um impactante vídeo sobre as remoções forçadas de famílias de seus lares e a consequente demolição de suas moradias para darem lugar às obras da Copa do Mundo, no Brasil. Com o título “Who wins this match?” (Quem ganha esse jogo?), o vídeo traz cenas revoltantes da remoção de moradores, sem qualquer diálogo prévio para o encontro da solução mais adequada, como pôde ser constatado por depoimentos emocionantes dos próprios moradores. 

PR DA FIFA
Esse tipo de violência é tão velho como a história do País – basta lembrar a chegada da família real, no Rio de Janeiro, em 1808, fugindo de Napoleão Bonaparte. Na ocasião, um carimbo com as letras iniciais da palavra Príncipe Regente (PR), colocado na porta (que o povo lia como “ponha-se na rua”) era uma sentença de expulsão do morador, que tinha de deixar sua residência imediatamente para dar lugar aos membros da Corte. Hoje, o poder imperial é o da Fifa, que manda e desmanda no País à custa do sofrimento e desespero dos brasileiros mais desprotegidos e dos próprios interesses do País.

DESFIBRAMENTO
É triste que esse novo PR imperial se dê num governo teoricamente governado pela esquerda (imagine se não o fosse). Uma esquerda desfibrada, que está perdendo sua condição de referencial para os mais desprotegidos deste País. Evidentemente, é uma ingenuidade imaginar que a esquerda, pelo simples fato de estar no governo tenha poder efetivo de realizar seus compromissos históricos. O sistema de presidencialismo de coalizão foi organizado de forma a impedir isso: sem maioria parlamentar, o governo não vai a lugar nenhum. E o sistema foi bolado justamente para não permitir essa maioria e deixar o governo refém dos donos do País.

MANCEBIA 
Contudo, seria possível permitir ao menos que a militância dos partidos de esquerda mantivesse aceso o compromisso de defender os interesses dos segmentos mais frágeis da sociedade, apresentando alternativas às propostas liberais. Em último caso, ocupando as ruas com eles, se preciso. Se não puderem defender alternativas próprias (inclusive, no caso da Copa do Mundo), não custaria deixar claro que lutaram e foram derrotados. Isso seria uma forma de garantir aos seus representados que não os traíram, nem se deixaram enredar por uma mancebia vergonhosa com as forças do status quo.

CORREÇÃO
É verdade que o radicalismo obtuso do passado e a ilusão de que é possível promover a ruptura com o capitalismo, por simples decisão política, aproveitando um eventual elo fraco do sistema, como pregou Lênin e seus afins, é algo sepultado pela História. O difícil não é a tomada do poder, mas conservá-lo contra um meio circundante hostil, o que levaria a apelar para uma brutalidade repressora e corrosiva, sacrificando desde logo a democracia. Isso seria o caminho mais direto para o fracasso. O papel das forças compromissadas com a transformação social, daqui para frente, é o de corrigir continuamente as distorções geradas pelo capitalismo, já que este deixado livre só produz guerras e desumanidade. 


PROGRAMA
Não faltará trabalho para a esquerda: ampliação dos mecanismos participativos democráticos e de participação popular no processo decisório, defesa e ampliação dos direitos sociais, defesa dos direitos humanos, luta pela preservação ambiental e, sobretudo, o compromisso com a democracia como um fim em si mesmo, e não apenas como um meio para atingir um fim. Nada deve ser tolerado fora da democracia. Mas, ao mesmo tempo, é preciso que isso não signifique abdicar dos valores e das causas que motivaram a luta histórica dessas forças pela transformação social. No horizonte deve estar sempre a perspectiva de se alcançar uma sociedade mais equânime, mais compassiva e humana. Isso o mercado, por si só, nunca proporcionará. 



FARSA
A Comissão Nacional da Verdade (CNV) está pondo por terra as justificativas difundidas pela ditadura e seus apoiadores para justificar o crime cometido contra o Brasil pelo golpe de 1964. A tortura e o assassinato de opositores existiram desde o primeiro dia do golpe. No dia 1º de abril, foram metralhados, em Recife, pelos militares, dois estudantes (outros dois no Rio de Janeiro) que saíram às ruas para defender pacificamente o regime constitucional, sem falar nos camponeses mortos nas usinas e engenhos de cana. Daí a mentira de que foi a esquerda que iniciou o derramamento de sangue. A tortura não foi fruto de “excessos”, mas política deliberada de Estado – constatou a CNV.



AUTOANISTIA
A anistia aprovada foi a autoanistia imposta pelo governo com o apoio de 26 senadores biônicos (não eleitos pelo povo). A proposta de anistia ampla, geral e irrestrita para os opositores, apresentada pelo MDB, foi negada. Os presos políticos condenados pela luta armada não foram anistiados (saíram depois que as penas foram rebaixadas, alguns chegaram a cumprir 10 anos de cadeia), mas os torturadores foram anistiados previamente, sem terem sido ao menos processados. O STF sabe que não houve negociação legítima, nessas condições, como alegou para chancelar o embuste.

Valdemar Menezesopiniao@opovo.com.br




O desrespeito, a violência, a truculência do Estado para atender ao "caderno de encargos" da FIFA, demonstra a subserviência do país, que para realizar um evento internacional, não mede as consequências dos atos imorais que comente contra seu próprio povo.
Confira o vídeo que chamou atenção do Conselho de Direitos Humanos da ONU: Quem ganha com esse jogo?