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segunda-feira, 4 de novembro de 2013

Policiais recém-formados são flagrados trabalhando sem arma



Parte dos 1.097 policiais militares recém-formados, apresentados em solenidade na última sexta-feira, 1º, foi colocada para realizar o policiamento ostensivo nas ruas da Capital e Região Metropolitana sem equipamentos de proteção, como coletes balísticos e armamento. A situação foi constatada pelo O POVO, na tarde do último sábado, e contraria determinação do próprio Comando-Geral da Polícia Militar, que classifica os itens como obrigatórios. 


O flagrante ocorreu nos bairros Aldeota e Meireles. No cruzamento entre as avenidas Padre Antônio Tomás e Virgílio Távora, por exemplo, uma dupla de policiais exibia o coldre sem arma. A cena se repetiu também nas esquinas das ruas Paula Ney e Coronel Jucá e José Vilar e Pereira Filgueiras. Os PMs abordados pelo O POVO se recusaram a falar, temendo sofrer algum tipo de punição. Um deles informou apenas que pertencia à 1ª Companhia do 1º Batalhão de Policiamento Comunitário, no Serviluz.
De acordo com o artigo 22 da Lei de Organização Básica da PM-CE, na atividade de policiamento ostensivo, devem ser utilizados “fardamentos, armamentos, equipamentos, aprestos e outros materiais que auxiliem direta e indiretamente o trabalho policial militar e sua identificação, exceto nas ações de inteligência que obedecem à regulamentação apropriada”.
Vereador e presidente da Associação dos Profissionais de Segurança Pública do Ceará (Aprospec), o capitão Wagner de Sousa classificou a situação dos PMs como absurda e informou que acionará o Ministério Público Militar e a Controladoria Geral de Disciplina dos Órgãos de Segurança Pública e Sistema Penitenciário (CGD), por cometimento de crime militar.
O capitão disse ainda que todos os PMs do Estado, “sem exceção”, estão utilizando coletes vencidos no último dia 5 de agosto. Ele lembrou que, somente este ano, 17 policiais foram assassinados no Ceará.
“Numa cidade com tamanho número de policias mortos, trabalhar totalmente desguarnecidos é absurdo. É falta de planejamento. Até porque, no caso das armas, em alguns quartéis elas sobram”, disse.