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sábado, 3 de setembro de 2011

O Terceiro Reich na Amazônia


Os rastros do nazismo envolvem o Brasil não somente pela imigração forçada de judeus europeus perseguidos. O interesse dos alemães pelo País passava também por questões estratégicas e, claro, pela natureza exuberante. O livro Das Guayana Projekt (O Projeto Guiana, ainda não lançado no Brasil), do jornalista alemão Jens Glüsing, revela um pouco dessa relação de fascínio, ao reconstituir uma grande expedição de cientistas do Terceiro Reich pela Amazônia, entre 1935 e 1937. "Otto Schulz-Kampfhenkel, o líder da expedição, adorou os índios", contou Glüsing ao Sabático. "Há até rumores de que ele teve uma filha com uma índia, mas isso eu não consegui comprovar."

A pesquisa de Glüsing documenta os preconceitos centrais dos europeus a respeito de lugares remotos como o Brasil - e que ainda resistem. A definição do País como uma "terra de selvagens, nus e cruéis comedores de seres humanos", descrita pelo alemão Hans Staden sobre sua aventura brasileira no século 16, pouco mudou em sua essência. No caso do nazismo, porém, a distorção sobre o Brasil fora reforçada pela "ciência" europeia e norte-americana que via na mistura racial uma ameaça existencial - em texto de 1874, Gobineau, o pai do conceito sobre a "desigualdade das raças", deu apenas 200 anos de vida ao Brasil por causa da miscigenação.

Segundo Glüsing, a expedição de Schulz-Kampfhenkel tinha o objetivo de observar a fauna e a flora amazônica, mas acabou servindo posteriormente como referência para um eventual plano de colonização. "A Luftwaffe (força aérea) e Göring (um dos principais dirigentes nazistas) apoiaram todo esse projeto com dinheiro e com ajuda logística", disse o jornalista. A expedição teve apoio do governo Vargas, mas, segundo Glüsing, previsivelmente os militares "não gostaram muito da ideia", porque temiam espionagem.

A ideia de colonização foi oferecida a Himmler, o chefe da SS, a tropa de elite nazista. Embora ele tenha se animado a princípio, encomendando a Schulz-Kampfhenkel uma análise das possibilidades, acabou engavetando a ideia, porque não havia urgência para a Alemanha.

Da aventura de Schulz-Kampfhenkel restou uma cruz com uma suástica que marca o local de sepultamento de um dos integrantes da expedição, morto por malária, em Laranjal do Jari (AP). Restou também uma série de documentos e imagens, todos devidamente "desnazificados" - isto é, despojados de todas as referências racistas - para consumo dos alemães no pós-guerra.

  Marcos Guterman - O Estado de S. Paulo