Coronel Anselmo diz ter ficado perplexo com denúncias. A suposta participação de policiais militares e civis de Juiz de Fora num esquema de exploração de jogo do bicho e de máquinas caça-níqueis deverá ser investigada por uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG).
O deputado estadual Sargento Rodrigues (PDT) protocolou ontem, junto à mesa diretora da casa, o pedido com 40 assinaturas. Se instalada - o que pode ocorrer até semana que vem -, a CPI vai apurar as suspeitas de que policiais da cidade estariam recebendo propina para permitir o funcionamento de pontos de jogos de azar.
A denúncia foi publicada ontem pelo jornal "Hoje em Dia", de Belo Horizonte, com base no depoimento de três PMs de Juiz de Fora, que garantem não ter aderido ao esquema criminoso. As declarações foram prestadas, no dia 28 de março, ao procurador do Centro de Apoio ao Crime Organizado do Ministério Público Estadual, André Ubaldino, e aos deputados Sargento Rodrigues, Luiz Carlos Miranda (PDT) e Rômulo Viegas (PSDB). As chefias das polícias Civil e Militar informaram que já estavam investigando as denúncias, mas não deram detalhes do andamento das apurações.
De acordo com o depoimento de um dos militares, veiculado no jornal da capital mineira, o empresário juiz-forano Frederico Márcio Arbex, que seria responsável por pontos de exploração de jogos de azar, atuaria realizando pagamentos a policiais, incluindo nomes da cúpula das polícias Civil e Militar. Conforme o "Hoje em Dia", estariam incluídos no esquema o ex-chefe da 4ª Região da PM, coronel reformado Anselmo Fernandes; o atual comandante da 4ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito, major Renato Sampaio Preste; o delegado de Polícia Civil Fernando Camarota; além de outros dois policiais militares.
A propina, segundo a denúncia, era paga semanalmente. O esquema só foi abalado quando uma equipe de policiais, que não teria aceito suborno, começou a realizar operações para combater o jogo ilegal. "Ele (Frederico Arbex) me procurou e disse que apenas eu e minha equipe não estávamos ajudando. Também perguntou o que estava precisando para lhe ajudar e qual o motivo da apreensão e da destruição de suas máquinas", teria dito o policial, segundo o "Hoje em Dia".
Ainda conforme as denúncias, o coronel Anselmo seria sócio e amigo de Frederico, que teria chegado a bancar festas regadas a bebidas e mulheres para oficiais. Já o major Preste aparece no esquema como suposto comandante da arrecadação da propina. Ainda segundo o "Hoje em Dia", o delegado Camarota mandava oferecer, ao policial que denunciou o esquema, certa quantia semanal para interromper as ações contra caça-níquel e jogo do bicho.
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Fonte: Cabo Fernando


Agente da Receita Federal fotografa carros importados apreendidos em operação da Polícia Federal na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio (Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo)