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terça-feira, 18 de outubro de 2011

Medo de meningite faz 500 operários pedirem demissão de obra em Minas

Pelo menos 500 trabalhadores vão deixar a cidade de Ouro Branco, na região Central do Estado, ainda nesta semana, por causa do provável surto de meningite que matou um operário de 19 anos na última sexta-feira. Os funcionários, provenientes de Estados do Nordeste, trabalham para a Paranasa, construtora que presta serviços para a Gerdau Açominas nas obras de ampliação de uma usina. A informação é da unidade regional do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil. 

A suspeita é que a doença tenha se espalhado em um alojamento da empreiteira onde 1.200 trabalhadores estão abrigados há seis meses. Outros 18 empregados da Paranasa, conforme a Secretaria Municipal de Saúde, estão internados em hospitais da cidade com sintomas da doença. Desses, apenas um teve o diagnóstico confirmado.

A empresa informou que vai providenciar transporte e alimentação para os funcionários que queiram retornar às cidades de origem no Rio Grande do Norte, Sergipe, Pernambuco, Bahia e Maranhão. Os primeiros nordestinos chegaram ao alojamento da Paranasa em abril deste ano.

Questionado sobre os cuidados que estão sendo tomados com os empregados que estão de partida para o Nordeste, o secretário de Saúde de Ouro Branco, Hideraldo Belini, disse não ter conhecimento sobre as demissões.

Preocupado, o operário João Batista da Costa Júnior, 25, foi um dos que pediram demissão. Ele renunciou ao salário de R$ 918 como armador de ferragens e disse que quer retornar o mais rapidamente possível à cidade de Açu, no Rio Grande do Norte. "Não falta emprego para quem quer trabalhar". Júnior contou que sentiu tonturas e vontade de vomitar anteontem. Ele foi submetido a exames no hospital FOB e a hipótese de meningite foi descartada.

Um outro funcionário, que pediu para não ter o nome divulgado, decidiu continuar no emprego. Também ontem, ele sentia dores pelo corpo e aguardava na fila do hospital para ser examinado. "Minha mãe pede todo dia para eu voltar. Mas o meu plano é ficar. Aqui tenho emprego garantido", disse o ajudante, de 19 anos, que deixou o Rio Grande do Norte há três meses para ganhar R$ 572 por mês.

Por meio de nota, a Secretaria Municipal de Saúde declarou que o quadro clínico dos internados "apresentou uma evolução positiva". Segundo Hideraldo Belini, o surto de meningite não está descartado. "Temos que aguardar os resultados dos exames realizados pela Fundação Ezequiel Dias, de Belo Horizonte (Funed) para definirmos se ocorreu um surto ou não", afirmou.

Ainda conforme Belini, os demais moradores da cidade não serão medicados com antibióticos "porque não tiveram contato íntimo, duradouro e permanente com as pessoas que estão tendo seus casos avaliados". Ocupantes do alojamento e pessoas que trabalham no local foram medicados.


OTempo em 18/10/11