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segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Agnelo, o Arruda do PT: Testemunha afirma que governador do DF era o chefe do esquema no esporte


Reportagem publicada no último fim de semana pela revista Istoé traz o depoimento do auxiliar administrativo Michael Alexandre Vieira da Silva, testemunha-chave da Operação Shaolin da PF, ocorrida no ano passado. A operação investigou irregularidades no programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte e terminou com a prisão de cinco pessoas – entre eles, o policial João Dias Ferreira, que agora denuncia a participação de Orlando Silva no esquema. As declarações de Michael são contundentes: ele afirma que o chefe do esquema de corrupção montado no ministério do Esporte era o ex-ministro e ex-comunista baiano Agnelo Queiroz, hoje governador do DF e petista.
Até agora, Agnelo vinha tentando se distanciar do noticiário sobre o ministério que ele comandou do primeiro dia do governo Lula até março de 2006 e entregou a Orlando Silva, seu secretário-executivo na pasta. Como deixou o cargo há mais de 5 anos, Queiroz se defende dizendo que todas as contas de sua gestão foram aprovadas pelo TCU. Não é bem assim: com base em relatório do próprio Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal entrou com ação contra Agnelo e o Comitê Organizador dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro acusando o superfaturamento de obras do Pan-2007. Além disso, Agnelo também já consta como investigado em processo que corre no STJ sobre as irregularidades no Programa Segundo Tempo.

A “vocação” do Partido Comunista do Brasil para gerir os esportes em administrações petistas foi descoberta em 2001, quando Marta Suplicy era prefeita de São Paulo e entregou a secretaria da área ao partido. Quando Queiroz assumiu o ministério, o Esporte era considerada uma espécie de “prêmio de consolação” ao PC do B. Em 2003, a pasta tinha o menor orçamento do primeiro ministério do governo Lula. Com o comando dos esportes em nível federal, enquanto o ministério ainda era considerada praticamente insignificante, os comunistas passaram a centralizar suas indicações em governos e prefeituras Brasil afora na área – quase sempre fazendo parte de coligações onde o cabeça-de-chapa era do PT -, criando as condições para o“esporteduto” do PC do B.

Com os anúncios de que o Brasil seria sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo, a Copa-2014 e a Olimpíada-2016, além do Pan-2007, que seria uma espécie de “treinamento” para os dois outros, o ministério dos Esportes ganhou importância e verbas, e Queiroz começou a aparecer. Literalmente. Assim como Orlando Silva, Agnelo também teve lá suas “tapiocas” (escândalos de gravidade menor, mas que dão indícios do caráter do homem público) enquanto comandou o ministério. Dois episódios emblemáticos já entraram para o folclore político e esportivo nacional: a ocasião em que o ministro autografou, junto com ídolos do basquete, uma camisa que homenageava os bicampeões mundiais na modalidade e o episódio da Copa América de 2004, no Peru, quando Agnelo colocou no peito a medalha de ouro que seria entregue ao zagueiro Luisão, que saiu machucado durante a final e foi levado a um hospital antes da cerimônia de premiação. Menos engraçadas foram a festa de aniversário que usou a estrutura do ministério, a hospedagem do ministro em navio de luxo junto com Bill Gates na Olimpíada de Atenas-2004 e as diárias pagas pelo COB em sua viagem à Republica Dominicana (2003), que também havia sido financiada pelo governo brasileiro.

Agnelo saiu do ministério em 2006, para concorrer a uma vaga no Senado pelo DF. Perdeu para Joaquim Roriz. Em 2010, já no PT (ele se desfiliou do PC do B em 2008), conseguiu ser eleito governador depois do escândalo que derrubou seu antecessor José Roberto Arruda, candidato natural à reeleição antes de ser preso, e da cassação dos direitos políticos de Roriz, que foi impedido de concorrer por causa da lei da Ficha Limpa e acabou lançando sua esposa Weslian como candidata na última hora. Sem opções, o eleitor candango viu-se forçado a escolher entre Weslian Roriz e Agnelo Queiroz no segundo turno:
Podia-se argumentar que Weslian era apenas uma Dilma com menos media training e um padrinho político um pouco menos popular, mas o eleitorado do DF, traumatizado com o descalabro da administração anterior, preferiu não arriscar e elegeu o ex-ministro. Durante a campanha, surgiram denúncias de aumento de patrimônio acima da renda e de invasão de terreno público contra Agnelo. Agora, com os indícios de que o “esporteduto” do PC do B começou com Queiroz, que teria continuado chefiando o esquema mesmo quando não era mais ministro, a comparação com Arruda é inevitável. Se Orlando Silva perder o cargo de ministro por ter herdado e dado continuidade ao “esporteduto” do PC do B, como ficará a situação de Agnelo, o mentor, à frente do governo do DF?


implicante.org
http://www.implicante.org/blog/agnelo-o-arruda-do-pt/

João Dias diz ter entregue 13 áudios envolvendo assessores do Ministro do Esporte


O policial militar João Dias Ferreira disse que não possui provas do envolvimento direto do atual ministro do Esporte, Orlando Silva, e de seu antecessor, Agnelo Queiroz, no suposto esquema de desvios de recursos públicos da pasta. O policial militar negou que tenha gravado diálogos de Orlando Silva. "Em nenhuma delas [das gravações] tem a voz do ministro".
Ao prestar novo depoimento nesta segunda-feira (24) à Polícia Federal, João Dias levou 13 arquivos de áudio e 4 ofícios emitidos pelo Ministério que, segundo ele, trazem "informações contraditórias" sobre a fiscalização dos repasses de verbas da pasta a entidades conveniadas. Segundo o policial, o material envolveria assessores da cúpula do ministério.

O policial militar também apontou o nome de sete ONGs que teriam contratos irregulares com o ministério e, de acordo com Dias, utilizavam os serviços de dez empresas fornecedoras indicadas pela pasta.

Em nota divulgada neste sábado (22), o Ministério do Esporte questionou a apresentação da conversa transcrita pela revista "Veja" e diz que pedirá à Polícia Federal para incorporar a gravação à investigação em andamento sobre o suposto esquema de desvio. No texto, a pasta classificou o material como "uma suposta gravação e cita supostos trechos, partes de frases, palavras isoladas, com o intuito claro de induzir os leitores".
G1 DF

Nos jornais: cheques revelam R$ 1,3 mi para empresas fantasmas no Esporte


Cheques revelam R$ 1,3 mi para empresas fantasmas no Esporte
Dezenas de cheques de um convênio do Ministério do Esporte mostram que o descontrole no uso do dinheiro público não atinge só o programa Segundo Tempo. Pelo menos R$ 1,3 milhão do ministério foi parar no ano passado na conta de empresas fantasmas ou sem relação com o produto vendido para o programa Pintando a Cidadania.
Há cheques, por exemplo, de R$ 364 mil, R$ 311 mil, R$ 213 mil, R$ 178 mil, R$ 166 mil e R$ 58 mil. O dono de uma empresa destinatária dos cheques disse ao Estado que desconhece o que foi vendido, alegando ter “arranjado” a nota fiscal para um amigo receber dinheiro do ministério.
No dia 31 de dezembro de 2009, o secretário de Esporte Educacional, Wadson Ribeiro, assinou convênio de R$ 2 milhões com o Instituto Pró-Ação, com sede em Brasília. Ex-presidente da UNE e filiado ao PC do B, Wadson é homem de confiança do ministro Orlando Silva e assinou, nos últimos anos, boa parte dos convênios sob suspeita. Segundo o Portal da Transparência, o convênio com a Pró-Ação foi encerrado em abril deste ano e está em fase de prestação de contas.
O Pintando a Cidadania atua em parceria com outros projetos do ministério. para “fomentar a prática do esporte por meio de distribuição gratuita de material esportivo e promover a inclusão social de pessoas de comunidades reconhecidamente carentes”.
O Estado de S. Paulo

sábado, 22 de outubro de 2011

Pastor evangélico diz que Esporte cobrou propina para o PCdoB


O pastor evangélico e fundador da Igreja Batista Gera Vida de Brasília, David Castro, 56 anos, afirmou que foi pressionado a repassar 10% do R$ 1,2 milhão que recebeu do Ministério do Esporte para os cofres do PCdoB, partido que controla a pasta. 
Em 2006, o ministério fechou convênio com a Igreja paradesenvolver atividades esportivas para crianças carentes, dentro do programa Segundo Tempo, segundo informações da Folha de S.Paulo.
O projeto fora apresentado por Castro quando o titular da pasta ainda era o atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, hoje no PT, sendo assinado já por Orlando Silva, em novembro do mesmo ano. Castro, que se recusou a citar o nome das pessoas que o procuraram, disse que usavam o nome do ministro e que se recusou a pagar a propina, sofrendo retaliação na hora da prestação de contas. 
O Ministério Público acusa a igreja de ter cometido irregularidade em licitação para comprade merenda - depois que houve a recusa em pagar a propina, segundo o pastor.
Jornal do Brasil

sexta-feira, 21 de outubro de 2011

Orlando ameaça e Dilma não demite

Um certo Dossiê Agnelo manteve no cargo Orlando Silva, ministro do Esporte, por falta de provas contra ele e excesso de provas contra o petista.

fonte blog Coturno Noturno

Documentos mostram que mulher de Orlando recebeu dinheiro do governo por meio de ONG do PC do B


Documentos obtidos pelo Estado mostram que Anna Cristina Lemos Petta, mulher do ministro do Esporte, Orlando Silva, recebeu dinheiro da União por meio de uma ONG comandada por filiados ao PC do B, partido do marido e ministro. A informação sobre negócios da União com a empresa de familiar de Orlando Silva teria preocupado a presidente Dilma Rousseff, que está reunido com o ministro. Ele poderá deixar o Palácio do Planalto na condição de ex-ministro do Esporte.
É a própria Anna Petta quem assina o contrato entre a Hermana e a ONG Via BR, que recebeu R$ 278,9 mil em novembro do ano passado. A Hermana é uma empresa de produção cultural criada pela mulher do ministro e sua irmã, Helena. Prestou serviços de assistente de pesquisa para documentário sobre a Comissão da Anistia.
A empresa foi criada menos de 7 meses antes da assinatura do contrato com a entidade. Pelo trabalho, recebeu R$ 43,5 mil.
A ONG Via Brasil tem em seus quadros Adecir Mendes Fonseca e Delman Barreto da Silva, ambos filiados ao PC do B. A entidade também foi contratada em maio do ano passado pelo Ministério do Esporte, para promover a participação social na 3ª Conferência Nacional do Esporte. No negócio, recebeu mais R$ 272 mil.
Documentos obtidos pelo Estado mostram o curto espaço de tempo transcorrido entre a criação da empresa de Anna Peta e a celebração de convênio da ONG Via BR com o Ministério da Justiça. A Hermana foi criada apenas três meses antes da assinatura do convênio para a produção de documentário sobre a Comissão da Anistia e no mesmo mês em que a Via BR foi contratada pelo Ministério do Esporte.
Estadão.com.br

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Comissão da Câmara aprova convite a PM que acusou ministro de fraude


A Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados aprovou na manhã desta quarta-feira (19) requerimentos que convidam o policial militar João Dias Ferreira e Célio Soares Pereira a dar esclarecimentos sobre denúncias de suposto desvio de verbas no Ministério do Esporte sob o comando do ministro Orlando Silva.
Os dois requerimentos foram protocolados pelo líder do DEM na Câmara, deputado Antonio Carlos Magalhães Neto. Os convites não obrigam a presença na comissão, ficando a cargo do convidado decidir se comparece.
Nesta quarta, Orlando Silva presta esclarecimentos sobre as acusações no Senado.
Os requerimentos têm como base declarações publicadas em reportagem da "Veja" deste fim de semana. João Dias, como é conhecido, afirmou que o ministro teria comandando um esquema que desviou cerca de R$ 40 milhões da pasta nos últimos oito anos.
O requerimento 213/2011 pede convite a João Dias "a fim de prestar depoimento sobre as denúncias de fraudes no âmbito do Programa Segundo Tempo, de responsabilidade do Ministério do Esporte". O requerimento 2014/2011 pede convite Célio Soares Pereira para mesma finalidade.
Dias foi preso pela Polícia Civil de Brasília em 2010 em razão de supostas fraudes cometidas contra o Segundo Tempo, que visa incentivar a prática esportiva entre crianças e adolescentes.
Célio Soares Pereira, que teria sido um "faz-tudo" no ministério na época da suposta fraude, falou à "Veja" que chegou a entregar dinheiro nas mãos de Orlando Silva. A revista diz que atualmente Célio Pereira trabalha em uma academia de ginástica do policial militar João Dias.
De acordo com o deputado ACM Neto, a ideia é que os depoimentos aconteçam na semana que vem, mas as datas ainda não foram definidas.
"Os governistas dormiram, quase não tinha governista na comissão. E os que estavam não prestaram atenção e acabaram aprovando", afirmou ACM Neto.
Na terça, João Dias disse ter provas da participação do ministro no suposto esquema de fraude. Após reunião com parlamentares da oposição no gabinete da liderança do PSDB, Dias disse que entregou à revista "Veja" o áudio de uma reunião realizada em 2008 para tratar da prestação de contas do programa. Ele não apresentou as supostas provas em público, após a reunião.
Em depoimento na Câmara na terça, Orlando Silva reiterou que não há provas contra ele. "Faça e prove o que diz. Até aqui, esse desqualificado não provou. Não provou porque não tem provas. Quem tem provas do malfeito dele sou eu, que estão aqui", disse o ministro, brandindo, sob os aplausos de deputados, papeis do processo judicial ao qual João Dias Ferreira responde por suposto desvio de verba pública e enriquecimento ilícito.

Policial que denunciou Orlando Silva diz que provas “vão surgir em breve”


O policial militar João Dias Ferreira, que acusou o ministro do Esporte, Orlando Silva, de receber propina, disse nesta terça-feira (18) que “vão surgir em breve” as provas que comprovam a participação do político em um suposto esquema de desvio de verbas do programa Segundo Tempo, gerido pela pasta.

O policial se reuniu hoje com senadores e deputados da oposição ao mesmo tempo em que Orlando Silva prestava esclarecimentos na Câmara dos Deputados.

- Vão surgir, em breve, vários documentos que vão comprovar essa situação. Reafirmo que as provas são naturais. E as provas a que me refiro são os documentos fraudulentos. Eu e minhas duas entidades, que eu administrava, somos a primeira peça do dominó.


Ferreira disse ter encaminhado um ofício ao Ministério da Justiça pedindo proteção por temer um atentado contra a sua vida.



- Estou aqui porque um vizinho do meu condomínio disse que tem percebido intensas movimentações ao redor da minha residência. Tenho sofrido ameaças há mais de dois anos. Se eu me acovardar, como muitos fizeram, as coisas não vão mudar. Não temo, mas não desafio.



De acordo com o policial, existem irregularidades em mais de 300 convênios firmados pelo Ministério do Esporte. Apesar de ter adiado o depoimento que prestaria hoje de manhã à Polícia Federal, Ferreira declarou que está à disposição das autoridades para dar esclarecimentos sobre as denúncias contra o ministro. 



- A verdade é única e ela irá aparecer. Estou à disposição da Polícia Federal, do Ministério Público, desta Casa e dos senhores jornalistas. Não temos nada a temer. As coisas não estão se encerrando com essa audiência pública do ministro [na Câmara]. Tem muita água para rolar e muitas coisas virão.


O policial ressaltou que não está denunciado diretamente o governo nem o PCdoB, mas sim um esquema de corrupção que existe dentro do Ministério do Esporte. - Não estou acusando o governo de nada, denunciando situações vinculadas exclusivamente ao Ministério do Esporte. Quero contribuir. Não estou atacando nem mesmo o atual ministro Orlando Silva. Estou tentando revelar o sistema fraudulento que está no interior do Ministério do Esporte. 


Não vou deixar minha honra e a honra do povo brasileiro se degradarem em virtude dessa situação.


Perguntado por que fez as denúncias somente agora, já que segundo ele mesmo as irregularidades vêm ocorrendo há oito anos, Ferreira disse que o atual momento, em que o Brasil se prepara para receber a Copa do Mundo de 2014, permite atrair uma maior atenção para o caso.- Se fosse em outro momento, talvez não tivesse repercussão.


R7

Ministério da Justiça determina proteção para policial que denunciou corrupção no Ministério do Esporte


O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, determinou hoje (18) à Polícia Federal (PF) a proteção especial do policial militar do Distrito Federal João Dias Ferreira. O policial denunciou um esquema de corrupção no Programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte, que repassa recursos para incentivar a prática de esportes entre crianças de baixa renda.

O ofício solicitando, em caráter de urgência, a proteção especial a Ferreira foi entregue ao Ministério da Justiça (MJ) pela liderança do PSDB.

A Polícia Federal informou que a proteção será imediatamente concedida assim que Ferreira comparecer à sede da Superintendência da Polícia Federal do DF e solicitar a segurança. O policial foi convidado a prestar depoimento, porém, até o momento, não compareceu nem apresentou nenhum pedido de proteção.

O Ministério da Justiça informou, em nota, que também entrou em contato com o comando da Polícia Militar do Distrito Federal para que o policial João Dias Ferreira seja apresentado à PF para prestar depoimento e receber a segurança.

OTempo em 18/10/2011

sábado, 15 de outubro de 2011

Policial Militar acusa Ministro dos Esporte de montar esquema de corrupção


Segundo o policial militar João Dias Ferreira, ministro do Esporte recebeu propina nas dependências do ministério


As fraudes no programa Segundo Tempo são investigadas há mais de três anos, mas é a primeira vez que o ministro é apontado diretamente como mentor das irregularidades     No passado, a polícia de Brasília prendeu cinco pessoas acusadas de desviar dinheiro de um programa criado pelo governo federal para incentivar crianças carentes a praticar atividades esportivas. O grupo era acusado de receber recursos do Ministério do Esporte através de organizações não governamentais (ONGs) e embolsar parte do dinheiro. Chamava atenção o fato de um dos principais envolvidos ser militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB), ex-candidato a deputado e amigo de pessoas influentes e muito próximas a Orlando Silva, o ministro do Esporte. Parecia um acontecimento isolado, uma coincidência. Desde então, casos semelhantes pipocaram em vários estados, quase sempre tendo figuras do PCdoB como protagonistas das irregularidades. Agora, surgem evidências mais sólidas daquilo que os investigadores sempre desconfiaram: funcionava dentro do Ministério do Esporte uma estrutura organizada pelo partido para desviar dinheiro público usando ONGs amigas como fachada. E o mais surpreendente: o ministro Orlando Silva é apontado como mentor e beneficiário do esquema.
Em entrevista a VEJA, o policial militar João Dias Ferreira, um dos militantes presos no ano passado, revela detalhes de como funciona a engrenagem que, calcula-se, pode ter desviado mais de 40 milhões de reais nos últimos oito anos. Dinheiro de impostos dos brasileiros que deveria ser usado para comprar material esportivo e alimentar crianças carentes, mas que acabou no bolso de alguns figurões e no caixa eleitoral do PCdoB. O relato do policial impressiona pela maneira rudimentar como o esquema funcionava. As ONGs, segundo ele, só recebiam os recursos mediante o pagamento de uma taxa previamente negociada que podia chegar a 20% do valor dos convênios. O partido indicava desde os fornecedores até pessoas encarregadas de arrumar notas fiscais frias para justificar despesas fictícias. O militar conta que Orlando Silva chegou a receber, pessoalmente, dentro da garagem do Ministério do Esporte, remessas de dinheiro vivo provenientes da quadrilha: “Por um dos operadores do esquema, eu soube na ocasião que o ministro recebia o dinheiro na garagem” (veja a entrevista abaixo). João Dias dá o nome da pessoa que fez a entrega. Parte desse dinheiro foi usada para pagar despesas da campanha presidencial de 2006.
O programa Segundo Tempo é repleto de boas intenções. Porém, há pelo menos três anos o Ministério Público, a Polícia Federal e a Controladoria-Geral da União desconfiam de que exista muita coisa além da ajuda às criancinhas. Uma das investigações mais completas sobre as fraudes se deu em Brasília. A capital, embora detentora de excelentes indicadores sociais, foi muito bem aquinhoada com recursos do Segundo Tempo, especialmente quando o responsável pelo programa era um político da cidade, o então ministro do Esporte Agnelo Queiroz, hoje governador do Distrito Federal. Coincidência? A investigação mostrou que não. A polícia descobriu que o dinheiro repassado para entidades de Brasília seguia para entidades amigas do próprio Agnelo, que por meio de notas fiscais frias apenas fingiam gastar a verba com crianças carentes. Agnelo, pessoalmente, foi acusado de receber dinheiro público desviado por uma ONG parceira. O soldado João Dias, amigo e aliado político de Agnelo, controlava duas delas, que receberam 3 milhões de reais, dos quais dois terços teriam desaparecido, de acordo com o inquérito. Na ocasião, integrantes confessos do esquema concordaram em falar à polícia. Contaram em detalhes como funcionava a engrenagem. O soldado João Dias, porém, manteve-se em silêncio sepulcral — até agora.
Na entrevista, o policial afirma que, na gestão de Agnelo Queiroz no ministério, o Segundo Tempo já funcionava como fonte do caixa dois do PCdoB — e que o gerente do esquema era o atual ministro Orlando Silva, então secretário executivo da pasta. Por nota, a assessoria do governador Agnelo disse que as relações entre ele e João Dias se limitaram à convivência partidária, que nem sequer existe mais. VEJA entrevistou também o homem que o policial aponta como o encarregado de entregar dinheiro ao ministro. Trata-se de Célio Soares Pereira, 30 anos, que era uma espécie de faz-tudo, de motorista a mensageiro, do grupo que controlava a arrecadação paralela entre as ONGs agraciadas com os convênios do Segundo Tempo. “Eu dirigia e, quase todo mês, visitava as entidades para fazer as cobranças”, contou. Casado, pai de seis filhos, curso superior de direito inconcluso, Célio trabalha atualmente como gerente de uma das unidades da rede de academias de ginástica que o soldado João Dias possui. Célio afirma que, além do episódio em que entregou dinheiro ao próprio Orlando Silva, esteve pelo menos outras quatro vezes na garagem do ministério para levar dinheiro. “Nessas vezes, o dinheiro foi entregue a outras pessoas. Uma delas era o motorista do ministro”, disse a VEJA. O relato mais impressionante é de uma cena do fim de 2008. “Eu recolhi o dinheiro com representantes de quatro entidades aqui do Distrito Federal que recebiam verba do Segundo Tempo e entreguei ao ministro, dentro da garagem, numa caixa de papelão. Eram maços de notas de 50 e 100 reais”, conta.
Célio afirma que um dirigente do PCdoB, Fredo Ebling, era encarregado de indicar a quem, quando e onde entregar dinheiro. “Ele costumava ir junto nas entregas. No dia em que levei o dinheiro para o ministro, ele não pôde ir. Me ligou e disse que era para eu estar às 4 e meia da tarde no subsolo do ministério e que uma pessoa estaria lá esperando. O ministro estava sentado no banco de trás do carro oficial. Ele abriu o vidro e me cumprimentou. O motorista dele foi quem pegou a caixa com o dinheiro e colocou no porta-malas do carro”, afirma. Funcionário de carreira do Congresso Nacional, chefe de gabinete da liderança do partido na Câmara dos Deputados, Fredo Ebling é um quadro histórico entre os camaradas comunistas. Integrante da Secretaria de Relações Internacionais do PCdoB nacional, ele foi candidato a senador e a deputado por Brasília. Em 2006, conseguiu um lugar entre os primeiros suplentes e, no final da legislatura passada, chegou a assumir por vinte dias o cargo de deputado federal. João Dias diz que Fredo Ebling era um dos camaradas destacados por Orlando Silva para coordenar a arrecadação entre as entidades. O policial relata um encontro em que Ebling abriu o bagageiro de seu Renault Mégane e lhe mostrou várias pilhas de dinheiro. “Ele disse que ia levar para o ministro”, afirma. Ebling nega. “Eu não tinha esse papel”, diz. O ex-deputado diz que conhece João Dias, mas não se lembra de Célio.
A lua de mel do policial com o ministério e a cúpula comunista começou a acabar em 2008, quando passaram a surgir denúncias de irregularidades no Segundo Tempo. Ele afirma que o ministério, emparedado pelas suspeitas, o deixou ao léu. “Eu tinha servido aos interesses deles e de repente, quando se viram em situação complicada, resolveram me abandonar. Tinham me prometido que não ia ter nenhum problema com as prestações de contas.” O policial diz que chegou a ir fardado ao ministério, mais de uma vez, para cobrar uma solução, sob pena de contar tudo. No auge da confusão, ele se reuniu com o próprio Orlando Silva. “O Orlando me prometeu que ia dar um jeito de solucionar e que tudo ia ficar bem”, diz. O ministro, por meio de nota, confirma ter se encontrado com o policial. Diz que o recebeu em audiência, mas nega que soubesse dos desvios ou de cobrança de propina. “É uma imputação falsa, descabida e despropositada. Acionarei judicialmente os caluniadores”, afirmou o ministro, em nota.
Em paralelo às investigações oficiais, João Dias respondeu por desvio de conduta na corporação militar. A Polícia Militar de Brasília oficiou ao ministério em busca de informações sobre os convênios. A resposta não foi nada boa para o soldado: dizia que ele estava devendo 2 milhões aos cofres públicos por irregularidades nas prestações de contas. João Dias então subiu o tom das ameaças. Em abril de 2008, quando foi chamado à PM para dar satisfações e tomou conhecimento do ofício, ele procurou pessoalmente o então secretário nacional de Esporte Educacional, Júlio Cesar Filgueira, para tirar satisfação. O encontro foi na secretaria. O próprio João Dias conta o que aconteceu: “Eu fui lá armado e dei umas pancadas nele. Dei várias coronhadas e ainda virei a mesa em cima dele. Eles me traíram”. Júlio Filgueira, também filiado ao PCdoB de Orlando Silva, era responsável por tocar o programa. A pressão deu certo: o ministério expediu um novo ofício à Polícia Militar amenizando a situação de Dias. O documento pedia que fosse desconsiderado o relatório anterior. A agressão que João Dias diz ter cometido dentro da repartição pública passou em branco. “Eles não tiveram coragem de registrar queixa porque ia expor o esquema”, diz o soldado. Indagado por VEJA, o gabinete de Orlando Silva respondeu que “não há registro de qualquer agressão nas dependências do Ministério do Esporte envolvendo estas pessoas”. O ex-secretário Júlio Filgueira, que deixou o cargo pouco depois da confusão, confirma ter recebido o policial mas nega que tenha sido agredido. “Ele estava visivelmente irritado, mas essa parte da agressão não existiu”, diz. A polícia e o Ministério Público têm uma excelente oportunidade para esclarecer o  que se passava no terceiro tempo no Ministério do Esporte. As testemunhas, como se viu, estão prontas para entrar em campo.
Tasso Marcelo/AE
Rodrigo Rangel
Fonte: veja.abril.com.br