quarta-feira, 9 de dezembro de 2009
Aspol se reúne com Calheiros e cobra celeridade da PEC 041
Os representantes das Entidades sindicais inicialmente foram agradecer ao Senador Renan Calheiros (autor do projeto), e solicitar a intermediação do parlamentar para uma reunião com o presidente da Câmara dos Deputados Federais, Dep. Michel Temer. Após comentário do Senador sobre os benefícios que trarão a aprovação e sanção da referida PEC, o mesmo marcou reunião com a liderança do Governo na Câmara, em 09/12, às 15:00 horas, onde estará presente os dirigentes sindicais da Polícia Civil, juntamente com o Senador Renan Calheiros e o Deputado Federal Henrique Fontana, líder do Governo na Câmara dos Deputados Federais.
“Diferentemente das PECS 300 e 340, a PEC 41 não possui impedimentos e apresenta um consenso entre os parlamentares nunca antes visto e por isso acreditamos que possa realmente vingar rapidamente. Precisamos resolver a questão salarial se quisermos melhorar a segurança pública em nosso país, pois não se pode esquecer nunca do profissional. A luta será árdua e as nossas conquistas serão proporcionais ao nosso empenho e que com certeza será máximo.”, afirmou o Presidente Flávio Moreira.
Participaram da reunião o presidente da FEIPOL Centro Oeste/Norte Divinato da Consolação, o presidente do SINPOL/MS Alexandre Barbosa, o presidente do SINPOL/ASPOL/PB Flávio Moreira, o Vice Presidente do SINDPOC/BA Marcos Mauricio e o Diretor Financeiro do SINPOL/ASPOL/PB Joel Martins. Entidades de policiais civis de todo o Brasil, tanto de policiais civis quanto de militares, estão reunidas neste momento na sede da Confederação dos Servidores Públicos do Brasil, atendendo a convocação da COBRAPOL – Confederação Brasileira de Trabalhadores Policiais Civis e ANASPRA – Associação Nacional de Praças, para discutir a PEC 41.
Em discussão, a aliança de policiais civis e militares em torno da aprovação da PEC 41. Maiores informações em instantes.
Da Ascom Aspol
Fonte:http://www.pbagora.com.br/conteudo.php?id=20091209090551
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Governador da Bahia ameaça Policiais Militares
MARCHA A FAVOR DA APROVAÇÃO DA PEC 300 SERÁ REALIZADA NESTA QUINTA-FEIRA (10) NA CAPITAL
A Associação de cabos e soldados da Polícia Militar e Bombeiros do Mato Grosso do Sul (ACSPMBM) realizará na próxima quinta-feira (10) uma marcha para mobilizar a sociedade em prol da aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC 300), que tramita na Câmara dos Deputados para a criação de um piso nacional para a Polícia Militar, Bombeiros e Inativos, a concentração será as 14 horas na Praça do Rádio Clube.
A PEC n° 300 visa alterar a redação do Parágrafo §9° do artigo 144 da Constituição Federal, estabelecendo a remuneração dos policiais militares, bombeiros e dos inativos. Trará critérios mais justos acerca da remuneração, consistindo em um importante instrumento de valorização destas carreiras.
Deputado Coronel Ivan (PRTB) que também apóia este movimento, sempre defendeu a idéia da Proposta e esta lutando para a imediata inclusão da PEC 300 na pauta da Ordem do Dia.
“Faz anos que faço parte da luta para um merecido piso salarial para os militares estaduais, e agora com a PEC 300 estamos pertos de conseguir, mas para isso todos têm que abraçar esta causa, pois a própria sociedade terá mais benefícios que os próprios militares, pois os profissionais da segurança trabalham para sua proteção, e motivados irão trazer mais conforto para a população” disse Coronel Ivan.
quinta-feira, 3 de dezembro de 2009
SENADO APROVA PEC41 E CRIA PISO NACIONAL PARA OS MILITARES
POLÍCIA SEM CERIMONIAL
SENADO APROVA A PEC 41/08, DETERMINANDO LEI PARA FIXAR PISO SALARIAL DOS POLICIAIS CIVIS, MILITARES E BOMBEIROS
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PLENÁRIO / Votações 02/12/2009 – 21h28
Aprovada PEC que prevê piso salarial para policiais civis e militares
Com tramitação acelerada e votação em dois turnos, o Senado aprovou nesta quarta-feira (2) a proposta de emenda à Constituição (PEC) 41/08, que determina a edição de lei para fixar piso salarial dos policiais civis e militares, incluindo bombeiros militares. O texto, que segue à Câmara dos Deputados, teve em primeiro turno 62 votos a favor, com 55 votos favoráveis às emendas, e em segundo turno 55 votos a favor da proposta com as emendas e 56 a favor de emenda apresentada em Plenário. A emenda de Plenário deixou claro que o piso se aplica a policiais e bombeiros da ativa ou aposentados. A proposta também estabelece que a União participe no custeio de parte da implantação desse valor, por meio de fundo próprio, formado com receitas tributárias e federais. Em razão de acordo de líderes partidários, a PEC foi votada em um só dia, como tem sido costume no Senado, com a quebra dos interstícios constitucionais que estipulam cinco sessões de discussão em primeiro turno e outras três em segundo turno. A proposta, de autoria do senador Renan Calheiros (PMDB-AL), fora anteriormente aprovada com duas emendas, pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). A emenda apresentada pelo relator da matéria e presidente da CCJ, senador Demóstenes Torres (DEM-GO), reduziu de dois para um ano o prazo para o início da implementação gradual do piso. Resultou também de emenda do relator o ajuste que permite a inclusão os servidores do Corpo de Bombeiros Militares. Para antecipar o início da aplicação do piso, Demóstenes propôs que o presidente da República deverá baixar ato dando início à sua implementação gradual dentro de um ano após a promulgação da PEC. Assim, a remuneração mínima começará a ser paga mesmo se ainda não tiver sido aprovada a lei que deve regulamentar em definitivo tanto o piso quanto o funcionamento do fundo, que deve complementar o pagamento nos estados sem meios para arcar com a totalidade da nova despesa. Segundo Demóstenes, os recursos podem começar a ser transferidos aos estados por meio do Programa Nacional de Segurança Pública (Pronasci), dentro das prioridades estabelecidas pelo Executivo. Ele disse que fez consultas ao Ministério da Justiça para elaborar seu relatório, para que o texto final da PEC tenha condições de ser efetivamente implementado pelo Executivo. Ao defender a PEC, Renan Calheiros afirmou que nenhum outro problema preocupa tanto a população como a segurança pública. Segundo ele, a estrutura do aparelho policial e os salários dos servidores da área precisam condizentes com o desafio representado pelos altos índices de violência, cabendo também ao Congresso tomar providências para o enfrentamento dessa questão. O senador afirmou que a melhoria salarial terá efeito instantâneo na carreira dos trabalhadores em segurança pública e na diminuição das taxas de criminalidade. Renan argumentou que “os policiais trabalham um dia e folgam dois, mas como não ganham o suficiente acabam vendendo esses dias para complementar renda e sustentar suas famílias”. Para ele, “isso não pode continuar, e é por isso que esse piso salarial precisa ser especificado por lei”. Demóstenes também ressaltou a necessidade de apoio às atividades dos policiais civis e militares, o que inclui a garantia de bons salários. Segundo ele, um dos graves problemas da segurança pública, além da estrutura policial arcaica, é a remuneração dos policiais. Em seu parecer, salientou que a falta de remuneração adequada leva os policiais a buscar complementação de renda, trabalhando com segurança privada nos horários de folga. “Essa duplicação da jornada compromete a qualidade do trabalho, quando não a necessária isenção no exercício da autoridade”, afirmou. Para ele, “a remuneração adequada é condição para atrair e manter na carreira profissionais de qualidade, motivados e comprometidos com a segurança pública e o bem-estar do cidadão”. Discussão Vários senadores apoiaram a matéria durante sua discussão em Plenário. O senador Mário Couto (PSDB-PA) afirmou ser difícil encontrar alguém que ainda não tenha sido assaltado no estado do Pará. O senador Arthur Virgílio (PSDB-AM) disse que sem se resolver a questão salarial não se dará nenhum passo significativo na direção de uma política exitosa de segurança pública no país. O senador Aloizio Mercadante (PT-SP) disse que a proposta trará dignidade aos policiais e suas famílias. O senador João Tenório (PSDB-AL) lembrou que a PEC não determina qual será o piso salarial, que deverá ser estipulado em lei. O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) afirmou que a resolução do problema da segurança pública garantirá a saúde e a educação para a população brasileira. A senadora Serys Slhessarenko (PT-MT) disse que é impossível se cobrar segurança com os salários pagos aos policiais. O senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) afirmou que a PEC corrige uma injustiça perpetrada com os policiais e os bombeiros. O senador Osmar Dias (PDT-PR) afirmou que a PEC agora precisa ser rapidamente aprovada na Câmara dos Deputados, pois “com segurança não se brinca”. A senadora Rosalba Ciarlini (DEM-RN) disse que a aprovação da PEC é um passo decisivo para se começar a estruturar melhor as polícias e os corpos de bombeiros nos estados. O senador Romeu Tuma (PTB-SP) afirmou que a PEC valoriza a carreira policial, assim como o Programa Nacional de Segurança com Cidadania (Pronasci). O senador Renato Casagrande (PSB-ES) disse que a PEC estabelece um piso mínimo para as polícias num país que tem tanta desigualdade entre seus estados. O senador Efraim Morais (DEM-PB) defendeu urgência na aprovação da proposta. O senador Cristovam Buarque (PDT-DF) enfatizou que a PEC cria uma carreira nacional nas polícias e nos bombeiros militares. O senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) elogiou o alcance da proposta e sua importância para melhorar o trabalho dos policiais. A senadora Marina Silva (PV-AC) afirmou que a aprovação da PEC é fundamental para melhorar a qualidade da segurança pública. O senador Romero Jucá (PMDB-RR) disse que o Senado marcou uma posição política ao votar a proposta em dois turnos em um só dia. O senador José Nery (PSOL-PA) afirmou que a valorização dos profissionais da segurança pública é parte do compromisso de seu país para a construção de um país melhor. O senador César Borges (PR-BA) disse que o crime organizado tem de ser derrotado com o estado organizado. O senador José Agripino (DEM-RN) lembrou que o piso para policiais e bombeiros é um salto qualitativo, assim como o piso salarial para o magistério, também aprovado em Emenda Constitucional pelo Congresso Nacional. O senador Magno Malta (PR-ES) enfatizou a importância da aprovação da PEC para seu estado, assim como o senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS). O senador Garibaldi Alves Filho (PMDB-RN) enalteceu os representantes dos policiais presentes à sessão. O senador Marconi Perillo (PSDB-GO), na presidência da sessão, afirmou que a PEC faz “a valorização devida” aos policiais e bombeiros. José Paulo Tupynambá, com informações de Gorette Brandão e Helena Daltro Pontual.
Escrito por roberto conde guerra
Política de Aécio para com a Classe da Segurança Pública
PLC 53: CORTINA DE FUMAÇA OU POLÍTICA CONTÍNUA DE VALORIZAÇÃO DA CLASSE DOS MILITARES?
No momento em que a Assembléia Legislativa acaba de aprovar importantes reivindicações da classe, como por exemplo: 25 dias úteis de férias anuais, aposentadoria espacial para as policiais femininas, aposentadoria com promoção, sem a exigência dos 30 anos de efetivo sérvio, dentre outras, entendo ser necessário uma reflexão sobre alguns aspectos que envolvem a relação Governo Aécio Neves e a classe dos militares:
1. O COMPROMISSO DO GOVERNO AÉCIO NEVES DE DEIXAR AS POLÍCIAS MINEIRAS, AO FINAL DE SEU MANDATO, PELO MENOS COMO A TERCEIRA MELHOR REMUNERAÇÃO DO PAÍS.
Durante os sete anos do Governo Aécio Neves, os militares empreitaram duas campanhas salariais, inclusive com greve, isto em 2004.
No curso das negociações, o Governo, através do Dr. Danilo de Castro, disse aos representantes da classe, que o Governo Aécio Neves, assumiu o compromisso de, ao final de seu mandato, deixar a Polícia Mineira, pelo menos com o terceiro melhor salário do Brasil.
Segundo o Secretário de Governo, no último ano de mandato, não haveria mais construção de linha verde, Centro Administrativo, e os recursos estariam disponíveis, para a valorização dos policiais e bombeiros militares.
Nesta esteira, avalia-se que o Governo desistiu de honrar este compromisso, por isto, adotou a estratégia de conceder outros benefícios, para desviar o foco da questão salarial. Este é o comentário recorrente nos bastidores do Governo.
Cogita-se também, que a pretensão do Governo é de conceder, até abril de 2010, um reajuste para a classe no máximo 20%, situação que se, por um lado, deixa os policiais mineiros bem distantes da posição que o Governo havia prometido aos representantes da classe, quando agregada aos benefícios concedidos, resultaria em elevado grau de satisfação dos militares, com o Governo Aécio.
Pesquisa de clima realizado constantemente junto a tropa, pelo sistema de inteligência da PMMG, tem demonstrado que a maioria dos militares aprova Aécio e a política adotada em relação a classe.
Nessas condições, o descumprimento do compromisso assumido pelo Governo Aécio Neves, estaria blindado pelos benefícios concedidos ao longo de seu Governo, tais como abono fardamento, promoções, e pela concessão ao longo dos 08 anos de Governo, de reajustes parcelados.
2. O Atendimento às reivindicações seria apenas mais uma medida de reconhecimento e valorização da classe
Noutra vertente, existe também outro anglo de visão, no sentido de o Governo Aécio Neves, honrará o compromisso assumido em relação à questão salarial, e que o atendimento as algumas reivindicações da classe, que convém ressaltar, são importantes, não teriam o condão de servir de blindagem para o descumprimento do compromisso assumido em relação a questão salarial.
Feitas estas considerações, cabe a cada um dos militares fazer a sua avaliação pessoal. Quando abril chegar, teremos outros dados e poderemos chegar a uma real conclusão sobre a real intenção do Governo.
3. Divergências no Alto Comando da PMMG e insatisfação de inativos, desertores e funcionárias civis do HPM:
É cediço, que dificilmente uma mudança agrade a todos. Isto é natural e compreensível, mas é preciso considerar que, ainda que de forma velada, no Alto Comando, o PLC 53, está sendo muito criticado.
Existem avaliações de que haverá significativa evasão de efetivo, em razão de incentivo a aposentadoria com a concessão de promoção, após vinte anos de efetivo serviço e que o efetivo disponível para o serviço, nos primeiros cinco dias do mês sofrerá uma redução de mais de 10%, jogando por terra o esforço de recompletação dos claros, adotado pela Corporação nos últimos anos.
Outra avaliação é que, a médio e longo prazo o sistema previdenciário (aposentadoria e pensões), sofrerá reflexos significativos, que não foram avaliados adequadamente.
Por fim, existem até posicionamentos radicais, de que a hierarquia na PMMG ficou desmoralizada, em face das alterações no sistema de promoções que acabou com a hierarquia funcional, entre os postos da carreira dos Oficiais e institucionalizou “as furadas”, entre Oficiais de turmas diferentes de CFO, isto para atender, apenas aos interesses dos Oficiais que estão próximo ao poder.
Lado outro, os inativos, que no ano passado receberam do Governo um abono d 30%, isto no mês de janeiro, estão frustrados, pois esperavam a repetição deste pagamento em janeiro/2010.
Na internet, desertores já manifestam as suas insatisfações e as senhoras que serviram por mais de 30 anos os doentes do HPM, continuam a peregrinação pelos bastidores do poder, sem conseguir, até o presente momento, sensibilizar o Governo e os dirigentes da PMMG, de sua sofrida situação.
Como se vê, a Política de Recursos Humanos de uma Corporação que congrega gerações e classes diferentes é realmente muito complexa.
Domingos Sávio de Mendonça
quarta-feira, 18 de novembro de 2009
PEC 300 recebe moção de apoio da Assembléia Legislativa do PI
Proposta visa equiparar salários de PMs e bombeiros do Piauí com os do Distrito Federal.
A equiparação salarial entre os policiais militares e bombeiros do Piauí com os do Distrito Federal recebe mais um apoio do poder Legislativo piauiense. Uma moção de apoio à Proposta de Emenda Constitucional que requer essa medida foi protocolada nessa quarta-feira pelo deputado estadual Paulo Martins, na Assembléia Legislativa do Piauí, e deve ser encaminhada à Câmara dos Deputados, em Brasília. “O profissional bem pago tem mais motivação para desenvolver um bom trabalho”, justifica o autor da moção.
A referida PEC-Proposta de Emenda Constitucional, de número 300, é de autoria do deputado federal Arnaldo Faria de Sá e prever a equiparação salarial dos policiais militares e bombeiros de todo o país, tendo como base o salário dos mesmos profissionais do Distrito Federal. Hoje, o menor salário das duas categorias é de R$ 4.500, na capital federal.
Paulo Martins argumenta que o crime está espalhado em todo o Brasil e o combate é uma obrigação dos Governos. Segundo ele, o salário é a grande motivação da maioria dos trabalhadores e essa equiparação pode até ser onerosa atualmente, mas pode se tornar uma economia a longo prazo porque um policial bem preparado e bem remunerado pode fazer o trabalho render muito mais.
Segundo o deputado, essa melhoria salarial vai aprimorar o trabalho de todos os órgãos da segurança pública do país inteiro, resultando em um melhor desempenho no combate ao crime.
fonte: http://www.cidadeverde.com/pec-300-recebe-mocao-de-apoio-da-assembleia-legislativa-do-pi-48152
terça-feira, 17 de novembro de 2009
NOSSOS POLICIAIS ESTÃO SOFRENDO
08/11/2009 08:59
Nossos policiais estão sofrendo
Tortura, assédio moral, corrupção: é o que mostra a maior pesquisa já feita nas polícias do país
NELITO FERNANDES
A vida de policial no Brasil não é fácil. E raramente dá motivos para se orgulhar. Os salários são baixos, o treinamento é falho, as armas e os equipamentos são insuficientes para enfrentar o crime. Isso, todos sabem. Mas, até agora, pouca gente havia se preocupado em saber o seguinte: O que pensam os profissionais de segurança pública no Brasil. Esse é o nome de uma pesquisa inédita feita com 64 mil policiais em todo o país pelo Ministério da Justiça em parceria com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud). Com 115 páginas, o estudo, cuja íntegra foi obtida em primeira mão por ÉPOCA, mostra, em números, não só quanto o policial brasileiro é despreparado, mas também como ele é humilhado por seus superiores, torturado nas corporações e discriminado na sociedade. O levantamento revela quem são e o que pensam os policiais – e quais suas sugestões para melhorar a segurança no país. Se o diagnóstico feito pelos próprios agentes é confiável, a situação que eles vivem é desalentadora: um em cada três policiais afirma que não entraria para a polícia caso pudesse voltar no tempo. Para muitos deles, a vida de policial traz mais lembranças ruins do que histórias de glória e heroísmo. O PM aposentado Wanderley Ribeiro, de 60 anos, hoje presidente da Associação de Cabos e Soldados da Polícia Militar do Rio de Janeiro, faz parte de um dado sombrio das estatísticas que a pesquisa revela. Como ele, 20% dos agentes de segurança afirmam ter sido torturados durante o treinamento. Trata-se de um índice altíssimo – um em cada cinco. Segundo Ribeiro, em seu curso de formação ele foi levado a uma sala escura com outros recrutas. Os oficiais jogaram bombas de gás lacrimogêneo e trancaram a porta. Do lado de dentro, os recrutas gritavam desesperados implorando para sair. Muitos desmaiaram. “Quando eles abriram a porta, nós já saímos levando socos e chutes e sendo xingados”, afirma Ribeiro. “Tive de fazer tratamento médico porque fiquei com problemas respiratórios.” E qual é a razão desse tipo de “treinamento”? “Eles tratam o policial como um animal, dizem que o PM tem de ser um animal adestrado. Depois, soltam esse animal em cima da sociedade”, diz.
Além da tortura, os policiais são vítimas de assédio moral e humilhações. Em Manaus, um oficial que prefere não se identificar conta que foi impedido de sair do serviço no Dia das Mães. “Eu estava saindo e me perguntaram se eu tinha servido água no jarro do instrutor. Eu tinha esquecido”, diz. “Eles me fizeram passar o dia enchendo um bebedouro de 300 litros com uma tigela onde só cabiam 300 mililitros”, afirma o PM, que publicou num blog imagens de alunos fazendo flexões com a cara virada para um meio-fio imundo.
“A pesquisa demonstra que há um sofrimento psicológico muito intenso. Essa experiência de vida acaba deformando esses policiais, que tendem a despejar sobre o público essa violência”, diz o sociólogo Marcos Rolim, professor de direitos humanos do Centro Universitário Metodista e um dos autores do estudo. “Passamos os anos da ditadura encarando os policiais como repressores e defendemos os direitos humanos, mas nos esquecemos dos direitos humanos dos próprios policiais.”
O levantamento mostra também que casos como o da morte do coordenador do AfroReggae Evandro João da Silva não são fatos isolados, como frequentemente os comandantes procuram fazer crer. Evandro levou um tiro de um assaltante e morreu sem socorro. Um capitão e um sargento abordaram os bandidos e, em vez de prendê-los, ficaram com o tênis e a jaqueta de Evandro, roubados por eles. A corrupção é prática comum na corporação, e os oficiais como o capitão são até mais condescendentes com ela do que os praças. Entre os policiais de alta patente, 41,3% disseram que fingiriam não ter visto um colega recebendo propina. Já entre os praças, o porcentual cai para 21,6%. Chama a atenção o número dos superiores que ainda tentariam se beneficiar da propina: 5,1% dos delegados e 2,8% dos oficiais da PM disseram que pediriam sua parte também, em comparação a 3,7% dos policiais civis e 2,1% dos praças. Paradoxalmente, 78,4% dos policiais consideram “muito importante” combater a corrupção para melhorar a segurança no país.
São números que explicam por que a polícia é tão estigmatizada pela sociedade: 61,1% dos agentes dizem que já foram discriminados por causa de sua profissão. Tanta carga negativa faz com que policiais até escondam sua vida profissional. Tenente da PM do Rio, Melquisedec Nascimento diz que um namoro recente acabou porque os pais da moça não aceitavam que ela ficasse com um policial. “Você só pode dizer que é da polícia depois que a mulher está apaixonada. Se disser antes, ela corre. Todo mundo acha que o policial é um brucutu corrupto. Outro dia eu ia a uma festa e o amigo soletrou para mim o nome da rua: ‘Claude Monet’. Ele achou que só porque eu sou policial não saberia quem foi Monet”, diz ele.
A pesquisa que mostra velhos vícios também revela o desejo de mudança e derruba velhos mitos, como o de que há uma resistência grande dos agentes à unificação das polícias. Apenas 20,2% dos policiais se declararam a favor da manutenção do modelo atual, que mantém PM e Polícia Civil separadas, uma atuando no patrulhamento, outra na investigação. Para 34,4% dos policiais ouvidos, o ideal seria a unificação das duas forças, formando apenas uma só polícia civil, dita “de ciclo completo” – ou seja, encarregada de patrulhar, atuar em conflitos e também de investigar os crimes.
Especialistas acreditam que a polícia unificada ajudaria a melhorar o índice de resolução dos crimes no país. Enquanto no Brasil apenas 5% dos homicídios são esclarecidos, em países desenvolvidos esse número chega a 60%. Polícias integradas evitariam, ainda, a tensão permanente entre as forças e conflitos como os que aconteceram em 2008 em São Paulo, quando civis e militares se enfrentaram, armados, durante a greve.
“O resultado mostra que há uma disparidade enorme entre o que dizem os comandos, algumas associações de policiais, os governos e o que quer a massa dos policiais. Os policiais querem a unificação. Se ficarmos ouvindo apenas as lideranças, estaremos manipulados por alguns grupos e lobbies que querem manter o estado atual porque se beneficiam dele”, diz o ex-secretário nacional de Segurança Luiz Eduardo Soares, coautor do estudo e também de livros como Elite da tropa e Espírito Santo.
A maior resistência à unificação vem dos oficiais da PM. Apenas 15,8% deles defendem o novo modelo de polícia. “Não só temos duas polícias, como também temos duas polícias dentro de cada polícia. A situação dos praças e dos agentes de polícia civil é muito diferente da dos delegados e dos oficiais”, diz Luiz Eduardo. Hoje, um praça da PM que quiser ser oficial precisa fazer concurso. Ao passar, recomeça a carreira do zero. Quem chega a sargento não vira oficial, a menos que concorra também com os civis, fazendo provas. Na Polícia Civil acontece o mesmo. Um detetive que queira ser delegado, hoje, tem de fazer um concurso e concorrer com qualquer advogado que não seja policial. “Esse advogado recém-formado chega às delegacias mandando em agentes que têm 30 anos de polícia e é boicotado. Temos milhares de detetives que são formados em Direito, mas não viram delegados”, diz Soares.
A baixa produtividade da polícia vem, ainda, da falta de treinamento. Pouco mais de 3% dos agentes de segurança tiveram mais de um ano de aprendizagem em cursos. A formação dos policiais tem muito mais ênfase no confronto do que na investigação: 92% deles têm aulas de condicionamento físico, 85,6% aprendem a atirar e apenas 33% fazem técnicas de investigação, enquanto só 39% estudam mediação de conflito. Não se sabe o que é mais espantoso: que 15% de nossos policiais estejam nas ruas armados sem ter feito curso de tiro ou se apenas um em cada três deles saiba investigar.
“A formação é completamente deformada. Sabemos que 95% dos casos que precisam de PM não são de confrontos, mas a polícia continua a ser tratada como se fosse um Exército que precisa estar preparado para a pronta resposta”, diz Soares. Rolim chama a atenção para outro detalhe que mostra a preocupação dos administradores com os músculos, em vez da inteligência. “Na Suécia, um dos critérios para ser policial é ter feito algum trabalho de liderança comunitária. Aqui, ainda usamos pré-requisitos como altura mínima. Na base disso está a ideia de que o policial tem de ser alto e forte.”
O levantamento realizado por Soares, Rolim e pela socióloga Silvia Ramos foi feito com cerca de 10% de todos os agentes policiais do país, incluindo guardas municipais e agentes penitenciários. A pesquisa teve o apoio do Ministério da Justiça e da ONU. Segundo Soares, foram respeitadas as proporções de agentes em cada função e nos Estados, para ter um retrato mais fiel da situação da polícia. Uma situação que Ribeiro define muito bem: “A polícia hoje está doente e coloca a sociedade em risco. Esse modelo já demonstrou que não dá ao cidadão a resposta adequada, e a prova disso está nas ruas todos os dias. É preciso fazer alguma coisa já


