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terça-feira, 4 de outubro de 2011

A violência na mídia

Ivan SantosJornalista


“A informação sobre violência ‘jogada’, descontextualizada e hiperdimensionalizada, pode influenciar e motivar um comportamento agressivo.” Essa é a opinião da psicóloga Maria da Graça Gonçalves, do Departamento de Psicologia Sócio-Histórica da PUC-SP, e foi revelada pelo site Comunique-se.
Este assunto é polêmico e temo que, ao abordá-lo neste espaço, eu seja considerado como crítico de programas policiais veiculados por emissoras de rádio e de televisão nos grandes centros urbanos e em Uberlândia, em particular.
A quem interessar possa, deixo bem claro que não faço crítica a programa nenhum nem a nenhum comunicador, mas este assunto está em estudo e debate há algum tempo com a participação de observadores da violência urbana no Brasil, principalmente sociólogos, psicólogos e historiadores.
É um tema para debate no contexto da sociedade em que vivemos. A conclusão da maioria dos estudiosos é simples: todo noticiário sobre violência, quando espetacularizado e veiculado fora de um contexto explicativo, pode influenciar comportamentos agressivos na sociedade. Esta é conclusão preliminar decorrente de observações sistemáticas feitas por estudiosos de comportamento humano.
Na sociedade brasileira, a tradição popular ensina que toda violência gera mais violência no tempo e no espaço. A verdade cristalina é que a criminalidade hoje rende audiência aos programas espetaculares no rádio e na televisão.
Sem discussão
Para a psicóloga Marta da Graça, “o noticiário que não discute a violência e não apresenta as causas banaliza as atitudes agressivas e, com certeza, tem influência, não podemos dizer que seja direta, mas a mídia fortalece o imaginário da brutalidade”. E ela conclui assim: “parece que as formas rudes de enfrentar situações são legítimas”.
Dever na mídia
O estudo da psicóloga da Graça recomenda: “a mídia deve mostrar a realidade, mas saber como apresentar os fatos, de forma a gerar debate”. E ela indaga e critica: “qual é o espaço de contraponto? A audiência não diz tudo o que as pessoas pensam”. Esse é um assunto em debate nacional e não pode passar em branco na mídia uberlandense.
Contágio
Ainda segundo o site Comunique-se, “o sociólogo Leonardo Sá, pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), da Universidade Federal do Ceará (UFC), diz que não se deve acreditar que o noticiário sobre violência possa gerar comportamento agressivo”. Ele acredita que a abordagem da notícia influencia a visão de mundo.
Correio de Uberlândia