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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Observatório da Imprensa: Greve ou quartelada?


Por Marco Aurélio Dutra Aydos

Um dos dilemas da democracia moderna é constantemente enfrentar-se com o radicalismo político sem perder de vista os meios democráticos para sua própria defesa. Um dos meios de defesa da democracia é a discussão pública, um pouco ausente da mídia. Quando exércitos terroristas como o Hamas são abençoados como grupos “militantes” pela mídia global, e a performance de atores da política é mais valiosa e eficiente do que a consistência ou verdade de suas bandeiras, este Observatório supre uma falta essencial, discutindo e criticando a mídia e, por extensão, os problemas sociais que ela não mostra com a profundidade desejada.

O problema da greve dos agentes de Polícia Federal é um caso de reticência e miopia da mídia que não mostra o que não procura ver, não responde ao que não pergunta. É verdade que a defesa da sociedade tem aparecido na mídia, mas essa defesa reduz o problema ao mero retrato dos inúmeros transtornos que o movimento causa, como filas intermináveis em aeroportos e obstrução à emissão de passaportes. No caso específico, porém, devemos ser justos com a mídia e convir que ela não mostra com clareza os motivos da greve porque esses motivos não são lá muito transparentes [...]

Clique aqui para ler a íntegra do artigo publicado pelo Observatório da Imprensa.

Fonte: Blog do Delegado

terça-feira, 4 de outubro de 2011

A violência na mídia

Ivan SantosJornalista


“A informação sobre violência ‘jogada’, descontextualizada e hiperdimensionalizada, pode influenciar e motivar um comportamento agressivo.” Essa é a opinião da psicóloga Maria da Graça Gonçalves, do Departamento de Psicologia Sócio-Histórica da PUC-SP, e foi revelada pelo site Comunique-se.
Este assunto é polêmico e temo que, ao abordá-lo neste espaço, eu seja considerado como crítico de programas policiais veiculados por emissoras de rádio e de televisão nos grandes centros urbanos e em Uberlândia, em particular.
A quem interessar possa, deixo bem claro que não faço crítica a programa nenhum nem a nenhum comunicador, mas este assunto está em estudo e debate há algum tempo com a participação de observadores da violência urbana no Brasil, principalmente sociólogos, psicólogos e historiadores.
É um tema para debate no contexto da sociedade em que vivemos. A conclusão da maioria dos estudiosos é simples: todo noticiário sobre violência, quando espetacularizado e veiculado fora de um contexto explicativo, pode influenciar comportamentos agressivos na sociedade. Esta é conclusão preliminar decorrente de observações sistemáticas feitas por estudiosos de comportamento humano.
Na sociedade brasileira, a tradição popular ensina que toda violência gera mais violência no tempo e no espaço. A verdade cristalina é que a criminalidade hoje rende audiência aos programas espetaculares no rádio e na televisão.
Sem discussão
Para a psicóloga Marta da Graça, “o noticiário que não discute a violência e não apresenta as causas banaliza as atitudes agressivas e, com certeza, tem influência, não podemos dizer que seja direta, mas a mídia fortalece o imaginário da brutalidade”. E ela conclui assim: “parece que as formas rudes de enfrentar situações são legítimas”.
Dever na mídia
O estudo da psicóloga da Graça recomenda: “a mídia deve mostrar a realidade, mas saber como apresentar os fatos, de forma a gerar debate”. E ela indaga e critica: “qual é o espaço de contraponto? A audiência não diz tudo o que as pessoas pensam”. Esse é um assunto em debate nacional e não pode passar em branco na mídia uberlandense.
Contágio
Ainda segundo o site Comunique-se, “o sociólogo Leonardo Sá, pesquisador do Laboratório de Estudos da Violência (LEV), da Universidade Federal do Ceará (UFC), diz que não se deve acreditar que o noticiário sobre violência possa gerar comportamento agressivo”. Ele acredita que a abordagem da notícia influencia a visão de mundo.
Correio de Uberlândia