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quarta-feira, 17 de outubro de 2012

O sepulcro das idéias


Sou oficial há alguns anos, mas ingressei na Polícia Militar como praça simples, foi nesse tempo que passei a observar o comportamento dos homens que comandam os destinos dessa intrigante organização. Ao entender o comportamento deles pude me adaptar. Nunca fui muito de falar ou escrever, muito menos de reivindicar direitos. Não nego que isso é uma falha como cidadão, mas busquei compensá-la sendo um observador contumaz. Tornei-me uma coruja do sistema...

Acompanhei vários oficiais desde os tempos de moleque na academia, e vi como muitos deles, depois de ingressarem no primeiro posto, deixam escapar um sentimento, muitas vezes até sincero – e sempre ingênuo – de "mudar a corporação" quando a oportunidade chega.


"Quando eu chegar a coronel, vou mudar isso, vou mudar aquilo..." Inúmeras foram as vezes que ouvi companheiros repetindo esta mesma frase nos primeiros anos de oficialato.
Depois disso, quando chegam a capitão, muitos já esqueceram a ideia "revolucionária" de mudar a PM. Esses podem ser chamados tranquilamente de "precoces", pois logo entendem que o sistema foi feito para eles.

Outros mais raros alimentam a ideia de "dias melhores" até o posto de major. Só que esses, quase sempre, são os que ainda não melaram os dedos no adocicado mel que corre entre as estrelas e gemadas. Os preteridos ou perseguidos pelo sistema são os que ainda reclamam e falam em mudanças.

De tenente-coronel acima, "mudança" é apenas uma palavra no Aurélio. Até mudança de local de trabalho se chama "movimentação" e mudança de comando se chama "passagem".

Quando, finalmente, atingem o último posto da corporação, intitulam-se a si mesmos de "cardeais" – expressão que era usada com um prazer esquisito por um coronel ex-diretor do DETRAN, no governo Suruagy –; nesse momento, o sistema já os absorveu por inteiro. Até os mais sinceros e de bom coração não falam mais em mudanças ou em ideias contrárias ao seu agora amado sistema. Pelo contrário, o posto de coronel constrói na cabeça deles um forte militar contra ventos de mudança. Embora nada possa ser comparado a um coronel da PM, pode-se dizer que é mais ou menos como o cara pobre que consegue enriquecer e passa a ter raiva de pobre, principalmente dos parentes pobres.

Os coronéis são os que chegam à "terra prometida" pelo sistema; aqui não corre apenas leite e mel. Há muitos espólios mais a serem rateados.

Talvez eu também me torne um cego guiando cegos (embora seja quase impossível chegar a coronel por antiguidade, muito menos, pobre de mim, por "escolha"), porque o sistema foi feito para não ser vencido. Não é por acaso que a PM se mantém de pé, por quase dois séculos, quase sem mudanças. Todas as mudanças políticas e jurídicas deste país nunca mudaram as briosas. Continue lendo no site PEC300.COM