
Rio - O capitão Alexandre Marchesine e o cabo Benevenuto Dacciolo, líderes do movimento grevista do Corpo de Bombeiros, foram presos na madrugada desta quarta-feira na porta do Palácio Guanabara, em Laranjeiras, Zona Sul do Rio. Os detidos foram levados para o batalhão do Grupamento Especial de Policiamento (Gepe), em São Cristóvão, Zona Norte do Rio. Uma nova manifestação está marcada para às 11h desta quarta-feira em frente à Alerj, no Centro do Rio.
Cabo Daciolo ao centro
Lideranças do movimento informaram que a ordem de prisão partiu do corregedor-geral, coronel Marcos Tadeu e do sub-comandante do Estado-Maior do Corpo de Bombeiros, coronel Jorge Alcântara, que acompanhou a manifestação da categoria desde o começo da noite de terça-feira na porta do Palácio Guanabara.
Greve de fome
A prisão interrompeu a greve de fome que os líderes pretendiam fazer até às 11h desta quarta-feira, quando haveria outra manifestação no mesmo lugar. Daciolo e Marchesine tinham decidido acampar em frente ao Palácio Guanabara, do outro lado da Rua Pinheiro Machado, onde montaram uma pequena barraca para passar a noite. A prisão dos líderes surpreendeu os grevistas, que saíram da porta do Palácio após um acordo com o comando da corporação.
"Nosso líder é Jesus Cristo. Nós temos vários porta-vozes e exigimos ser tratados com dignidade. A arbitrariedade da prisão de Daciolo e Marchesine não significa que daremos um passo para trás. Como o governador disse, o funcionalismo público não é um peso para a folha de pagamento. Portanto, eu pergunto que país é esse?", disse o sargento Pedro Ivo, um dos porta-vozes do grupo.
Área de segurança
Antes de a prisão dos líderes do movimento grevista dos bombeiros, o corregedor do Corpo de Bombeiros, coronel Marcos Tadeu, classificou o movimento como estranho porque as reivindicações já foram atendidas pelo comandante-geral. Ele afirmou que os grevistas transgrediram o código militar e disse que eles foram orientados a abandonar a área, considerada de segurança do governo do estado.
"Eles foram orientados a abandonar a área e fazer a manifestação na Alerj ou em outro lugar qualquer. Pedimos que não montassem barracas. Aqui é uma área de segurança do governo. É preciso garantir a segurança do palácio do governo. O fato de permanecer aqui não é uma infração, mas é uma área de segurança do estado, que não pode ficar fragilizada", explicou.
Segundo Marcos Tadeu, os grevistas transgrediram o regulamento disciplinar e o código militar. "O movimento é feito por militares, regidos por um estatuto que é bem claro nos direitos e deveres que nós possuímos. Eles sabem perfeitamente o que transgridem, embora se prendam à constituição, o que é válido, é justo porque reivindicar não é um crime. Mas em vários momentos transgridem o regulamento disciplinar e ferem o código militar, quando ofendem o governo, quando ofendem o comandante geral, quando incitam outros militares, quando convocam militares para a greve. Claramente é um crime militar, indiscutível", disse.
'Ninguém foi enganado'
Para o coronel, as reinvidicações já foram atendidas. "O comandante tem feito todo o esforço para atende-los. Gostaria de chamar atenção que quando o movimento começou eles pediam exatamente o que eles recusam hoje. O movimento era de guarda vidas, que é um trabalho penoso o que é verdade a gente não nega, mas hoje eles têm a gratificação igual à do Bope. Realmente não tenho ideia de qual e o parâmetro deles, por isso esse movimento é estranho porque várias reivindicações foram atendidas. O movimento para nós está muito estranho", disse.
Marcos Tadeu criticou a postura dos bombeiros que participam do movimento. "Nós somos militares e nos propusemos a trabalhar com o sálario que sabíamos que receberíamos. Ninguém veio para a corporação enganado. Veio porque quis. Ninguém entrou enganado. Se eu estivesse insatisfeito teria saído há 30 anos. A minha corporação não pode ser maculada porque ninguém entrou aqui enganado. São pessoas que não tem comportamento coerente com aquilo a que se propuseram a fazer. Ninguém entrou aqui para receber R$ 2 mil reais e passou a receber R$ 1mil. Ninguém foi enganado", concluiu.
POR RICARDO ALBUQUERQUE
ODIA