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quarta-feira, 3 de outubro de 2012

CABO BRUNO está em cada um de nós

     
    Com o nosso modelo jurídico, penal, e de gestão ultrapassado; qual de nós nunca se viu revoltado com esse estado de coisas, com a falta de um modelo ou de uma política nacional de enfrentamento à violência? Desde sempre enxugamos gelo, corremos atrás, e na maioria esmagadora quase nunca conseguimos nos antecipar aos fatos. A concepção de policiamento conhecida por muitos como "Cosme & Damião", o chamado policiamento pra "inglês ver", prioriza apenas a modalidade ostensiva, a chamada ostensividade que trará a sensação de paz social. Enquanto a investigação fica geralmente em segundo plano, tanto pela falta de efetivo, falta de equipamentos, etc. Nunca se matou tanto no Brasil, e é inaceitável que os governos digam que isso é um fenômeno social, que é sinal dos tempos, pois, se todos sabem quem trafica, por onde chegam as drogas, e se todos sabem que as leis são defasadas, então porquê o problema dos homicídios não atacado, enfrentado de frente?

    É dentro desse sistema confuso, anacrônico e perverso, já que não ressocializa praticamente a maioria dos egressos do sistema prisional, é que surge um "justiceiro", assumidamente fã do ator Charles Bronson, conhecido pela frieza com que sempre matou suas vítimas nas telas, sempre "devolvendo a paz social naquela localidade. O sistema "fabrica" monstros, que posteriormente serão seus próprios algozes. Isso numa época em que pouco se falava em grupos de extermínios, em facções criminosas, quando o crime era quase uma aventura; hoje é uma profissão.

    Quem é desequilibrado, CABO BRUNO que matava acreditando fazer a limpeza da área, ou nós que assistimos a essa guerra velada e temos tanto ou mais frieza que o matador tem, quando vai executar suas vítimas? Nossa indiferença diante dos fatos é tão criminosa quando apertar o dedo no gatilho...principalmente quando falamos de corrupção.

      CABO Bruno está em cada um de nós, não que tenhamos que matar, ou que façamos qualquer apologia ao crime, mas, a capacidade de indignação de Bruno, deveria nos contagiar, para protestar, cobrar nossos direitos, exercer nossa cidadania. Pois enquanto não reagirmos contra as matanças, o tráfico e a corrupção, outros continuarão sendo cooptados pelo sistema, seja para corromper, matar, traficar, ou caçar aqueles que estão fora da lei, e o pior, acreditando que isto é justiça.