Do Hoje em Dia - 2/03/2012 - 07:22
A sensação de insegurança nas ruas e até mesmo dentro de casa leva aflição à população. Não há quem não tenha um conhecido ou familiar, quando não a própria pessoa, que tenha sido vítima ou participado de alguma ocorrência. Os dados divulgados pelo Departamento de Trânsito de Minas Gerais (Detran-MG) em relação aos veículos furtados e roubados em Belo Horizonte têm consequências que vão além da violência e passam para o âmbito da economia popular.
As estatísticas registram mais de 6 mil ocorrências com veículos na capital em todo o ano passado, quase 20% a mais do que no período anterior, o que, em primeira análise, sugere o crescimento desse tipo de crime. Como não há uma comparação que envolva também o crescimento natural da frota de veículos, que em Belo Horizonte já beira 1,5 milhão, o que se tem é que os carros se tornaram um alvo fácil.
As seguradoras já detectaram o problema e revisaram suas tabelas. Em Belo Horizonte, estão na mira duas regiões: norte e noroeste, que hoje têm tarifas superiores às que o seguro aplica no bairro do Leblon, na zona sul carioca. Por lá costumam circular muitos carros importados, perfil bem diferente dos bairros mais visados de Belo Horizonte. A semelhança entre as duas áreas é exatamente a insegurança provocada pelos índices de violência. A consequência é um valor mais alto para se segurar um automóvel em Venda Nova do que no Leblon.
Os carros de passeio lideram a preferência dos ladrões. Tanto no Rio de Janeiro quanto na capital mineira, por trás de boa parte dos furtos e roubos de automóveis está o tráfico de droga, que preocupa cada vez mais as autoridades de segurança pública.
É um círculo vicioso, conforme destaca o delegado titular da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos de BH. Os traficantes querem veículos novos, possantes e velozes para transportar os entorpecentes e cometer assaltos, conseguindo, assim, dinheiro para comprar droga.
Ao mesmo tempo, as quadrilhas brigam o tempo todo pelos territórios e pontos de venda, ampliando ainda mais o índice de assassinatos em Minas Gerais, como publicamos há dois dias. Os índices de homicídios têm crescido quase que na mesma proporção do de furtos e roubos de veículos.
As autoridades policiais fazem um alerta para a população tomar mais cuidado, em parte por causa dos equipamentos de segurança dos veículos, como travas e alarmes, cada vez mais sofisticados. Com dificuldade para furtar, os criminosos estão rendendo os motoristas e fugindo em seguida.
No outro lado da moeda, também tem aumentado o índice de recuperação de veículos roubados ou furtados, em quase 40% no ano passado, sinal de que as forças de segurança pública estão atentas e agindo contra os principais tipos de crimes nas mais diversas regiões.