Um soldado da polícia militar foi impedido de assistir a aula em uma faculdade da região Centro-Sul da capital, no último dia 3 de setembro, por estar armado e usando farda dentro de sala. A professora do curso de educação física da Fundação Mineira de Educação e Cultura (Fumec) Patrícia Setubal interrompeu o início da aula e pediu ao aluno que retirasse o armamento do local e trocasse o uniforme. A medida teria sido tomada, de acordo com Patrícia, para garantir a segurança dos outros estudantes.
"Ela disse que se sentia insegura com a arma e acho que a farda a incomodava", disse o soldado que não quis se identificar. A professora confirma que pediu ao aluno para guardar a arma, mas nega que tenha exigido a troca da farda por outra roupa.
De acordo com o policial militar, a arma foi guardada dentro do carro, mas ele teria permanecido com o uniforme. "Se tivessem roubado o veículo, o ladrão ainda sairia armado", reclamou o militar, que disse ter ficado constrangido com a situação. O estudante contou ainda que não havia levado outra roupa para a faculdade e por isso não trocou a farda. Ele assistiu ao fim da aula fardado.
Patrícia afirmou que a arma comprometia a segurança dos outros alunos. "É uma orientação da faculdade que os alunos não entrem armados dentro de sala, isso pode causar acidentes", disse.
Segundo informações da Fumec, a universidade tem muitos alunos militares e há um cofre no campus para que eles guardem as armas.
Direito foi desrespeitado
O policial poderia assistir a aula armado e fardado, segundo o advogado Anderson Marques, membro da Comissão de Assuntos Penitenciários da Ordem dos Advogados do Brasil em Minas Gerais. "Os policiais só não podem andar armados e fardados se estiverem fazendo uso de bebidas alcoólicas. Eles precisam ter responsabilidade e cuidado no manejo do armamento também", disse o advogado.
Natália Oliveira/OTempo em 01/10/11