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segunda-feira, 19 de março de 2012

Romário diz que Copa de 2014 será o 'maior roubo da história'

O ex-jogador de futebol e deputado federal Romário (PSB-RJ), um dos principais críticos à forma com que a Copa do Mundo de 2014 tem sido organizada, afirmou ontem, em seu perfil no site de relacionamentos Facebook, que a competição se tornará o "maior roubo da história" do país, tudo por conta da má gestão dos políticos brasileiros.

"Brasileiros, continuem cobrando e se manifestando porque essa palhaçada vai piorar quando tiver a um ano e meio da Copa. O pior ainda está por vir, porque o governo deixará que aconteçam as obras emergenciais, as que não precisam de licitações. Ai vai acontecer o maior roubo da história do Brasil", disse Romário.

Para ele, "o governo engana ao povo", e a presidente Dilma Rousseff "está sendo enganada ou se deixa enganar" quando afirma que a Copa será a melhor de todos os tempos.
Romário criticou a ausência de deputados na reunião entre o presidente da Fifa, Joseph Blatter, e Dilma, na última sexta-feira (16), quando se tratou do projeto da Lei Geral da Copa, que está prevista para ser votada na Câmara Federal ainda nesta semana.



Reprodução/Facebook/romariodesouzafaria
"O presidente da comissão da Lei Geral da Copa, Renan Filho, não estava lá. O relator da Lei da Copa, Vicente Cândido, também não. O presidente da Casa onde será votada a lei, Marco Maia, também não estava presente. E muitos outros que tem muito a ver com a Lei Geral da Copa, não estavam presentes. Na minha concepção de político, a política vai de mal a pior."
Após a reunião, Blatter revelou que Dilma lhe deu amplas e plenas garantias de que o Brasil respeitará "todos os compromissos assumidos com a Fifa", incluindo o de permitir a venda de bebidas alcoólicas nos estádios, que é um dos pontos que gera mais rejeição no Congresso, especialmente pela bancada evangélica.


O melhor jogador do mundo de 1994 convidou os brasileiros a se manifestarem e disse que o povo tem toda a razão ao reivindicar e exigir por parte dos políticos mais seriedade e responsabilidade nas questões relativas à Copa.
Com informações da Efe/Folha.com

sábado, 26 de novembro de 2011

Onde vai o dinheiro da PEC 300: Rombo na folha da Aeronáutica, pode chegar a 3 bilhões

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O rombo na folha de pagamento da Aeronáutica pode chegar a três bilhões, depois que se descobriu que oito mil militares demitidos nos últimos dez anos permanecem ativos em cadastro interno. Ministério Público investiga fraude na folha de pagamento da Aeronáutica depois de descobrir que oito mil militares demitidos nos últimos dez anos permanecem ativos em cadastro interno. NA JUSTIÇA Cerca de 3 mil soldados reuniram-se numa associação, a Anese, e passaram a cobrar o direito de reingresso à FAB.

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Agnelo, o Arruda do PT: Testemunha afirma que governador do DF era o chefe do esquema no esporte


Reportagem publicada no último fim de semana pela revista Istoé traz o depoimento do auxiliar administrativo Michael Alexandre Vieira da Silva, testemunha-chave da Operação Shaolin da PF, ocorrida no ano passado. A operação investigou irregularidades no programa Segundo Tempo do Ministério do Esporte e terminou com a prisão de cinco pessoas – entre eles, o policial João Dias Ferreira, que agora denuncia a participação de Orlando Silva no esquema. As declarações de Michael são contundentes: ele afirma que o chefe do esquema de corrupção montado no ministério do Esporte era o ex-ministro e ex-comunista baiano Agnelo Queiroz, hoje governador do DF e petista.
Até agora, Agnelo vinha tentando se distanciar do noticiário sobre o ministério que ele comandou do primeiro dia do governo Lula até março de 2006 e entregou a Orlando Silva, seu secretário-executivo na pasta. Como deixou o cargo há mais de 5 anos, Queiroz se defende dizendo que todas as contas de sua gestão foram aprovadas pelo TCU. Não é bem assim: com base em relatório do próprio Tribunal de Contas da União, o Ministério Público Federal entrou com ação contra Agnelo e o Comitê Organizador dos Jogos Panamericanos do Rio de Janeiro acusando o superfaturamento de obras do Pan-2007. Além disso, Agnelo também já consta como investigado em processo que corre no STJ sobre as irregularidades no Programa Segundo Tempo.

A “vocação” do Partido Comunista do Brasil para gerir os esportes em administrações petistas foi descoberta em 2001, quando Marta Suplicy era prefeita de São Paulo e entregou a secretaria da área ao partido. Quando Queiroz assumiu o ministério, o Esporte era considerada uma espécie de “prêmio de consolação” ao PC do B. Em 2003, a pasta tinha o menor orçamento do primeiro ministério do governo Lula. Com o comando dos esportes em nível federal, enquanto o ministério ainda era considerada praticamente insignificante, os comunistas passaram a centralizar suas indicações em governos e prefeituras Brasil afora na área – quase sempre fazendo parte de coligações onde o cabeça-de-chapa era do PT -, criando as condições para o“esporteduto” do PC do B.

Com os anúncios de que o Brasil seria sede dos dois maiores eventos esportivos do mundo, a Copa-2014 e a Olimpíada-2016, além do Pan-2007, que seria uma espécie de “treinamento” para os dois outros, o ministério dos Esportes ganhou importância e verbas, e Queiroz começou a aparecer. Literalmente. Assim como Orlando Silva, Agnelo também teve lá suas “tapiocas” (escândalos de gravidade menor, mas que dão indícios do caráter do homem público) enquanto comandou o ministério. Dois episódios emblemáticos já entraram para o folclore político e esportivo nacional: a ocasião em que o ministro autografou, junto com ídolos do basquete, uma camisa que homenageava os bicampeões mundiais na modalidade e o episódio da Copa América de 2004, no Peru, quando Agnelo colocou no peito a medalha de ouro que seria entregue ao zagueiro Luisão, que saiu machucado durante a final e foi levado a um hospital antes da cerimônia de premiação. Menos engraçadas foram a festa de aniversário que usou a estrutura do ministério, a hospedagem do ministro em navio de luxo junto com Bill Gates na Olimpíada de Atenas-2004 e as diárias pagas pelo COB em sua viagem à Republica Dominicana (2003), que também havia sido financiada pelo governo brasileiro.

Agnelo saiu do ministério em 2006, para concorrer a uma vaga no Senado pelo DF. Perdeu para Joaquim Roriz. Em 2010, já no PT (ele se desfiliou do PC do B em 2008), conseguiu ser eleito governador depois do escândalo que derrubou seu antecessor José Roberto Arruda, candidato natural à reeleição antes de ser preso, e da cassação dos direitos políticos de Roriz, que foi impedido de concorrer por causa da lei da Ficha Limpa e acabou lançando sua esposa Weslian como candidata na última hora. Sem opções, o eleitor candango viu-se forçado a escolher entre Weslian Roriz e Agnelo Queiroz no segundo turno:
Podia-se argumentar que Weslian era apenas uma Dilma com menos media training e um padrinho político um pouco menos popular, mas o eleitorado do DF, traumatizado com o descalabro da administração anterior, preferiu não arriscar e elegeu o ex-ministro. Durante a campanha, surgiram denúncias de aumento de patrimônio acima da renda e de invasão de terreno público contra Agnelo. Agora, com os indícios de que o “esporteduto” do PC do B começou com Queiroz, que teria continuado chefiando o esquema mesmo quando não era mais ministro, a comparação com Arruda é inevitável. Se Orlando Silva perder o cargo de ministro por ter herdado e dado continuidade ao “esporteduto” do PC do B, como ficará a situação de Agnelo, o mentor, à frente do governo do DF?


implicante.org
http://www.implicante.org/blog/agnelo-o-arruda-do-pt/

Nos jornais: cheques revelam R$ 1,3 mi para empresas fantasmas no Esporte


Cheques revelam R$ 1,3 mi para empresas fantasmas no Esporte
Dezenas de cheques de um convênio do Ministério do Esporte mostram que o descontrole no uso do dinheiro público não atinge só o programa Segundo Tempo. Pelo menos R$ 1,3 milhão do ministério foi parar no ano passado na conta de empresas fantasmas ou sem relação com o produto vendido para o programa Pintando a Cidadania.
Há cheques, por exemplo, de R$ 364 mil, R$ 311 mil, R$ 213 mil, R$ 178 mil, R$ 166 mil e R$ 58 mil. O dono de uma empresa destinatária dos cheques disse ao Estado que desconhece o que foi vendido, alegando ter “arranjado” a nota fiscal para um amigo receber dinheiro do ministério.
No dia 31 de dezembro de 2009, o secretário de Esporte Educacional, Wadson Ribeiro, assinou convênio de R$ 2 milhões com o Instituto Pró-Ação, com sede em Brasília. Ex-presidente da UNE e filiado ao PC do B, Wadson é homem de confiança do ministro Orlando Silva e assinou, nos últimos anos, boa parte dos convênios sob suspeita. Segundo o Portal da Transparência, o convênio com a Pró-Ação foi encerrado em abril deste ano e está em fase de prestação de contas.
O Pintando a Cidadania atua em parceria com outros projetos do ministério. para “fomentar a prática do esporte por meio de distribuição gratuita de material esportivo e promover a inclusão social de pessoas de comunidades reconhecidamente carentes”.
O Estado de S. Paulo

sábado, 22 de outubro de 2011

Pastor evangélico diz que Esporte cobrou propina para o PCdoB


O pastor evangélico e fundador da Igreja Batista Gera Vida de Brasília, David Castro, 56 anos, afirmou que foi pressionado a repassar 10% do R$ 1,2 milhão que recebeu do Ministério do Esporte para os cofres do PCdoB, partido que controla a pasta. 
Em 2006, o ministério fechou convênio com a Igreja paradesenvolver atividades esportivas para crianças carentes, dentro do programa Segundo Tempo, segundo informações da Folha de S.Paulo.
O projeto fora apresentado por Castro quando o titular da pasta ainda era o atual governador do Distrito Federal, Agnelo Queiroz, hoje no PT, sendo assinado já por Orlando Silva, em novembro do mesmo ano. Castro, que se recusou a citar o nome das pessoas que o procuraram, disse que usavam o nome do ministro e que se recusou a pagar a propina, sofrendo retaliação na hora da prestação de contas. 
O Ministério Público acusa a igreja de ter cometido irregularidade em licitação para comprade merenda - depois que houve a recusa em pagar a propina, segundo o pastor.
Jornal do Brasil

Juiz é afastado do cargo sob suspeita de vender sentenças no Piauí



A Prefeitura de Nossa Senhora de Nazaré, no norte do Piauí, começou a construção de uma estrada, mas a obra foi suspensa. Para liberar a licença da estrada, o juiz pediu propina de R$ 1 mil.

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Policial que denunciou Orlando Silva diz que provas “vão surgir em breve”


O policial militar João Dias Ferreira, que acusou o ministro do Esporte, Orlando Silva, de receber propina, disse nesta terça-feira (18) que “vão surgir em breve” as provas que comprovam a participação do político em um suposto esquema de desvio de verbas do programa Segundo Tempo, gerido pela pasta.

O policial se reuniu hoje com senadores e deputados da oposição ao mesmo tempo em que Orlando Silva prestava esclarecimentos na Câmara dos Deputados.

- Vão surgir, em breve, vários documentos que vão comprovar essa situação. Reafirmo que as provas são naturais. E as provas a que me refiro são os documentos fraudulentos. Eu e minhas duas entidades, que eu administrava, somos a primeira peça do dominó.


Ferreira disse ter encaminhado um ofício ao Ministério da Justiça pedindo proteção por temer um atentado contra a sua vida.



- Estou aqui porque um vizinho do meu condomínio disse que tem percebido intensas movimentações ao redor da minha residência. Tenho sofrido ameaças há mais de dois anos. Se eu me acovardar, como muitos fizeram, as coisas não vão mudar. Não temo, mas não desafio.



De acordo com o policial, existem irregularidades em mais de 300 convênios firmados pelo Ministério do Esporte. Apesar de ter adiado o depoimento que prestaria hoje de manhã à Polícia Federal, Ferreira declarou que está à disposição das autoridades para dar esclarecimentos sobre as denúncias contra o ministro. 



- A verdade é única e ela irá aparecer. Estou à disposição da Polícia Federal, do Ministério Público, desta Casa e dos senhores jornalistas. Não temos nada a temer. As coisas não estão se encerrando com essa audiência pública do ministro [na Câmara]. Tem muita água para rolar e muitas coisas virão.


O policial ressaltou que não está denunciado diretamente o governo nem o PCdoB, mas sim um esquema de corrupção que existe dentro do Ministério do Esporte. - Não estou acusando o governo de nada, denunciando situações vinculadas exclusivamente ao Ministério do Esporte. Quero contribuir. Não estou atacando nem mesmo o atual ministro Orlando Silva. Estou tentando revelar o sistema fraudulento que está no interior do Ministério do Esporte. 


Não vou deixar minha honra e a honra do povo brasileiro se degradarem em virtude dessa situação.


Perguntado por que fez as denúncias somente agora, já que segundo ele mesmo as irregularidades vêm ocorrendo há oito anos, Ferreira disse que o atual momento, em que o Brasil se prepara para receber a Copa do Mundo de 2014, permite atrair uma maior atenção para o caso.- Se fosse em outro momento, talvez não tivesse repercussão.


R7

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Novo modelo no combate a corrupção policial


A experiência colombiana de combate à corrupção policial é um exemplo e tanto de que é possível reduzir essa praga, a maior chaga das forças da lei no Rio

por Caio Barretto Briso, de Bogotá 


É inegável que o Rio de Janeiro realizou avanços importantíssimos na área de segurança nos últimos anos. A retomada de regiões inteiras da cidade das mãos dos traficantes de drogas foi um exemplo palpável de progresso. A queda dos principais índices de criminalidade também. Por isso mesmo, as recentes notícias sobre o envolvimento de onze policiais militares — incluindo um chefe de batalhão — no assassinato da juíza Patrícia Acioli chocaram a população. Antes esperançosas com as conquistas, as pessoas agora estão atônitas e se perguntam se a euforia anterior não passou de mera ilusão. Pois quem acreditou que todos os problemas estavam resolvidos porque algumas favelas foram pacificadas de fato se enganou. Nenhuma guerra contra o crime organizado será bem-sucedida se aqueles que deveriam proteger a lei estiverem, repetidas vezes, à margem dela. E a realidade cruel é que temos hoje uma das polícias mais corruptas do Brasil. Embora gravíssima e de difícil solução, tal situação pode melhorar de forma significativa. Outras cidades e países, em diferentes momentos de sua história, enfrentaram o mesmo desafio e saíram vitoriosos. De todos eles, o caso mais parecido com o nosso, pelo grau de depravação das corporações e pela proximidade cultural, é o da Colômbia. VEJA RIO foi até lá conhecer a experiência, um modelo que pode ser seguido aqui. "O segredo é tornar a luta contra o crime a prioridade número 1 do governo", afirma Hugo Acero, consultor das Nações Unidas e ex-secretário de Segurança de Bogotá, a outrora perigosa capital colombiana.


Apresentação de novos oficiais na academia

Como todas as políticas públicas bem executadas, a fórmula de nossos vizinhos baseou-se em princípios muito simples. Diante do descalabro total, com boa parte da instituição policial dando a impressão de que estava na folha salarial do megatraficante Pablo Escobar, morto em 1993, era preciso começar de novo. A primeira atitude foi a criação de um órgão externo à corporação, com amplos poderes de fiscalização. Semelhante ao Ministério Público e composta de jovens advogados, a Fiscalía General de la Nación atua de forma implacável na perseguição aos desvios cometidos pelas forças de segurança. Desde sua criação, em 1991, foram expulsos da Polícia Nacional nada menos que 20 000 homens, mais de 20% do efetivo atual. Seu trabalho foi facilitado com a aprovação de uma lei, no mesmo ano da morte de Escobar, que agilizou sobremaneira os processos de ejeção dos criminosos. No Rio, um procedimento como esse pode demorar até dois anos. Na Colômbia, apenas alguns dias. Em paralelo, realizou-se uma reestruturação completa da carreira. Logo na largada, os integrantes da tropa receberam um aumento de 30%, acrescido de um plano de promoções por metas alcançadas e bônus em caso de sucesso. A ideia era atrair perfis diferentes, incentivando a entrada de mulheres (atualmente elas representam 8% do contingente) e abrindo as portas para pessoas com diplomas em diversas especialidades. Hoje, mais da metade dos policiais de Bogotá possui nível superior. Há dezoito anos, o índice não passava de 10%. Aqui não temos sequer essa estatística. "O objetivo é que em 2014 todos falem inglês", conta o major Domingo Lopez, ele mesmo formado em agronomia e gestão pública. 

Cena do filme Tropa de Elite 2

O soldado médio da Polícia Nacional — lá ela é unificada, com hierarquia militar, não existindo a polícia civil — hoje é um profissional como Nelson Eduardo Jimenez, de 34 anos. Formado em administração de empresas, ele mora em uma casa confortável de quatro quartos, comprada graças a um longo financiamento, com aparelhos domésticos novos e um carro do ano na garagem. Seus familiares têm direito a se tratar no hospital da corporação, entre os melhores de Bogotá, e sua filha Mariana, de 3 anos, poderá estudar no colégio criado para os herdeiros de oficiais e militares. Nos fins de semana, a família frequenta um clube esportivo da classe — sem falar nas férias, quando eles têm a opção de viajar para hotéis exclusivos espalhados pelo país. Professor de defesa pessoal na Escola de Cadetes General Santander, a principal formadora de agentes da Colômbia, Jimenez foi promovido recentemente e já mira uma nova ascensão, daqui a dois anos, pois mantém seu índice — usado para avaliar o desempenho da tropa — sempre elevado. Funciona assim: cada integrante recebe 1 200 pontos em janeiro e precisa chegar a dezembro pelo menos com o mesmo número. Faltas e deslizes são subtraídos desse total, desempenhos positivos são adicionados. Quem chega a uma pontuação de 900 pode ser expulso. E os que ultrapassam os 1 500 se credenciam a promoções e cursos. "Ser policial aqui é mais do que uma profissão", diz ele. "É um projeto de vida."



A prisão do coronel Cláudio Oliveira: acusado de mandar matar a juíza Patrícia Acioli: a realidade imita a ficção

Não existem indicadores precisos para medir o grau de corrupção de uma corporação. O alto número de expulsões, seguido por sua drástica diminuição, pode indicar tolerância zero com os infratores no primeiro momento e uma tropa mais higienizada nos anos seguintes. A melhora nos índices de criminalidade, especialmente depois de um período de descontrole, também costuma ser encarada como avanço não só da eficiência, mas da integridade dos policiais. Na Colômbia, as duas variáveis aconteceram nas últimas duas décadas (veja o quadro nas páginas 28 e 29). Mas o melhor termômetro para mensurar o impacto dessas mudanças foi a recuperação da imagem da Polícia Nacional junto à sociedade colombiana. Em 1993, a taxa de confiança da população nela era de apenas 17%. Hoje, esse número chega a 61%, um progresso notável em menos de duas décadas. "Mas essa é uma guerra sem fim. Qualquer descuido ou leniência com as fraudes pode levar rapidamente ao retrocesso", adverte Alex Wong, diretor sênior do World Economic Forum e especialista no tema. 



Como as pragas na lavoura ou a gordura no organismo, a corrupção policial se espalha rápido — e cede terreno lentamente. No Rio, é difícil precisar como a situação chegou a este ponto, com a criação de bem lubrificados canais de arrecadação de dinheiro por parte da banda podre da segurança pública. Sabe-se, porém, que a idoneidade nunca foi a característica mais marcante de boa parte dela. Na verdade, ela já nasceu sob a égide da fraude e tinha na sua origem a missão de favorecer uma classe social, a corte. Quando foi criada por dom João, em 1808, recrutava os elementos mais baixos da sociedade, e suas mais diversas funções — como fiscalizar obras — eram um convite à bandalheira. A falta de ética foi tão grande que, em 1831, o regente Feijó acabou com a polícia. Dois meses depois nasceu uma nova tropa, com ampla substituição de oficiais. Como se vê, a limpeza não foi tão caprichada. Com o passar dos anos, pagar uma "cervejinha" ao guarda virou uma cena quase folclórica na cidade e as ligações com o jogo do bicho e o crime em geral ficaram cada vez mais intensas. 


O policial Jimenez e sua filha Mariana: grau universitário e promoções

Foi o poderio do tráfico de drogas, impulsionado a partir da década de 80, o grande divisor de águas na história da degradação da polícia. Com o aumento do consumo, o "arrego" (propina) ganhou escalas nunca alcançadas e a proximidade entre os grupos convenceu os desonestos de que o crime compensava, sim — e muito. Curiosamente, a melhor narrativa dessa evolução deu-se no filme Tropa de Elite 2 — O Inimigo Agora é Outro. Na trama, um major da PM observa o lucro dos bandidos do morro obtido com a distribuição de gás e outros serviços. Decide então tomar o lugar dos criminosos e tocar os diversos empreendimentos ele mesmo. É ficção, porém a obra do diretor José Padilha não está longe da realidade. Evidentemente, existem exceções, mas agentes da lei estão envolvidos hoje em todos os negócios ilegais praticados no estado. Da venda de armas e cocaína à máfia dos caça-níqueis. Das conexões irregulares de TV a cabo nas favelas à segurança de bicheiros. "As relações com o crime se aprofundaram à medida que os bandidos se organizaram e ficaram poderosos. Depois, os policiais passaram a copiar esses modelos", diz o historiador Milton Teixeira.


Se existe um consolo, é a certeza de que a cúpula da segurança pública sabe o que precisa ser feito. O secretário José Mariano Beltrame, que esteve em Bogotá com o governador Sérgio Cabral no início de 2007, tem uma visão muito clara sobre o problema e vem reafirmando a disposição de limpar a polícia. Uma de suas principais decisões nesse sentido, a ser implantada a partir de janeiro, é a reforma na grade curricular e na carga horária das academias de formação de militares e civis, de onde estão saindo mais de 500 homens por mês. Serão descartadas algumas disciplinas e acrescentadas novas, com ênfase em temas como direitos humanos e cidadania — exatamente como na polícia colombiana. Os instrutores das escolas, hoje voluntários, passarão a receber 65 reais por hora de aula.

Além disso, estão sendo investidos 536 milhões de reais em tecnologia. As aquisições mais importantes são tablets 3G de bordo e câmeras que filmarão as viaturas por dentro e por fora. A localização exata dos automóveis e as gravações poderão ser acessadas ao vivo pelas corregedorias das corporações. Nem o uniforme será mais o mesmo. "Nossa polícia foi preparada para a guerra, mas agora precisamos mudar isso. É a hora de formarmos policiais cidadãos", afirma o secretário, que também aposta no aperfeiçoamento das investigações, como ele fez na Polícia Federal. "Posso ser aplaudido ou vaiado. é o risco que corro. Mas, por favor, deixem-me fazer do meu jeito." A faxina precisa ser grande. Felizmente, experiências como a colombiana mostram que é possível limpar, pelo menos, a parte mais grossa da sujeira.

Veja Rio