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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Comemora-se a Independência de quê?

           Marcelo Anastácio
          O que significa o dia da independência para um país subdesenvolvido, buscando ser grande? Organizar  e promover eventos internacionais? Buscar um acento no G7? Garantir um lugar na Comissão de Segurança da ONU? Nada disso terá valor se não acabarmos com o câncer cultural que existe no Brasil: a corrupção. Na história recente do país, tínhamos a inflação, já que a corrupção não podia ser tão divulgada, afinal vinhamos de um regime de opressão, que perdurou de 64 a 85. E agora? E não podemos dizer que culpa é apenas dos políticos corruptos, pois, assim como só há ladrão se houver o receptador, só existe compra de votos, porque passividade e o aceite na venda. Essa cultura da "lei de Gérson", conhecido jogador da seleção de futebol de 1970, que fez um comercial de cigarro, cujo slogan era: "o negócio é levar vantagem", infelizmente foi incorporado no inconsciente da massa. 
       Por isso estamos longe dessa independência, mesmo achando que podemos levar vantagem aqui e ali individualmente. E vários são os motivos que poderíamos citar, que vão desde a fila, passando pelo sinal ou farol de trânsito, até nos ajoelharmos sobre o jargão social: "esse rouba, mas faz"...
         Afinal, somos independentes no quê? Nos juros que pagamos aos bancos? Nas vagas nos hospitais que não temos? Na cpmf (contribuição provisória monetária fiscal), que nunca foi usada pela saúde? Pela autonomia de fazermos estádios superfaturados em estados que sequer tem times de futebol como Amazonas? Ou somos independentes pela sensação de impunidade que o Código Penal arcaico nos tráz? Ou ainda pelas mortes no trânsito? Esse civismo propalado pelos desfiles de 7 de setembro, em nada tem de heroico ou condizente com a soberania que algum país sério sonhe em ter. Nunca é demais lembrar que fomos o último país a abolir a escravidão, somos o estado que tem os juros mais altos do mundo e um congresso muito "patriota" com os desonestos e corruptos, só para lembrar tivemos José Sarney denunciado e não deu em nada, e a última foi a deputada Jaqueline Roriz, que mesmo sendo flagrada com a mão na grana, também foi absolvida.
          O Brasil está fadado ao sucesso, não pelos políticos que tem, mas, por uma questão geográfica e pelas riquezas naturais que possui, mesmo diante dos piratas, ou dos dos deputados mensaleiros. Segundo matéria recente, só nos últimos anos de Lula houve desvio de 40 bilhões de reais. Demitem-se ministros, mas o dinheiro ninguém fala, ninguém resgata. 
           Enquanto professores estiverem fazendo greve, sem o apoio efetivo dos pais, ou enquanto os cargos que decidem os rumos da educação, estiverem vinculados aos donos de grandes redes de ensino privada, estaremos de joelhos, alienados e sem perspectiva de emancipação, acorrentados na corrupção, sonhando com a independência não em 7 de setembro, mas, no dia-a-dia, o ano inteiro.

          Marcelo Anastácio
          Editorial No Q.A.P