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sábado, 11 de fevereiro de 2017

Policial é trabalho ou sacerdócio?


            Em meio as várias manifestações pipocando por todo o país, algumas reivindicam salários atrasados, como no Rio de Janeiro. Outros lutam contra o projeto de reforma da previdência, que promete incluir e mudar de 30 para 35 anos, o tempo de contribuição, inclusive dos militares. Afinal de contas, o policial é um trabalho ou um sacerdócio? O trabalho pressupõe direitos, deveres, e jamais, jamais o trabalhador irá arrendar a própria vida em nome de quem quer que seja. Qual seria o adjetivo para o sujeito que aceita doar a própria vida em nome do próximo? Sacerdócio! Cujo poder e ou autoridade lhe foram conferidos para agir em nome de deus. E se deus não precisa de salário, não precisa fazer greve, tem poderes e dons especiais, não precisa de periculosidade, nem receber adicional noturno. Enfim, quem exerce o sacerdócio também tem, ou deveria ter dons e poderes divinos. 
       Mas porquê envolver deus numa discussão tão humana? É a desmilitarização a razão dessa referência. Sobretudo quando esbarramos na dicotomia entre o ser militar, algo completamente sacerdotal, e que portanto eleva a condição de seu agente (divino), a ausência completa de direitos; com a de trabalhadores humanos, cumpridores de deveres e postulantes aos direitos comuns a qualquer trabalhador meramente moral.
            O que não pode é "ser divino" e querer se comportar como humano. Palavras como greve, fome, tempo, sacrifício são incompatíveis para quem tem poderes metafísicos. Não há ironia, por mais que pareça que tenha. Assim como não há ironia quando o militar faz seu juramento à bandeira, e declara o "sacrifício da própria vida para defender seu semelhante". Quem se mata pelo próximo é deus, pai, filho, irmão ou qualquer outro grau de parentesco. Portanto, antes de criticar esse texto, ou atacar quem o escreveu, reflita sobre essa condição paradoxal entre dar a própria pelos outros, sem ser deus, ao mesmo tempo em que vê seus direitos preteridos em nome da coletividade, (aumento salarial, direito de greve, periculosidade, adicional noturno, FGTS, aposentadoria por tempo de serviço). 
                 Policial é trabalho ou sacerdócio?
                

sábado, 24 de maio de 2014

STF QUER 40 MIL DE SALÁRIO E CRIMINALIZA QUEM FAZ GREVE, CADÊ A COERÊNCIA?



       Mais uma vez as instituições são usadas para a manutenção de um estado conservador disfarçado como sendo de esquerda, progressista, de vanguarda. Para a massa desinformada é normal que engulam o discurso equivocado do ex - Ministro do STF Carlos Ayres Britto e das sucessivas matérias tendenciosas da grande mídia brasileira, que primeiro criminaliza um direito fundamental do trabalhador que é o direito a greve. Em segundo ponto, é óbvio que a tentativa de intimidar os profissionais, especialmente os policiais que compõe o rol de trabalhadores dos serviços essenciais, num evento, o maior evento do planeta que é a copa do mundo. Sem segurança não há espetáculo. Portanto os policiais, apesar de não parecer, estão no mesmo nível de importância dos jogadores para a realização do espetáculo. 

         As forças conservadores estão invertendo as posições e os valores. O STF existe para fiscalizar os poderes, assim como o Ministério Público, e não vejo nenhum deles responsabilizar o Congresso por não votar, (passados 25 anos da promulgação da Constituição de 1988). Ou seja, regulamentação da lei de greve nos serviços essenciais não foi regulamentada, votada pela classe política, que também nunca foi responsabilizada pelo STF, que agora resolve culpar os trabalhadores. Faça-me o favor, não subestime a nossa inteligência. Se querem agir de maneira repressora, tudo bem, mas, sejam mais claros. 

          A mentira é tão deslavada, que o repórter afirmou que está na Constituição está expressa a "proibição" de greve dos militares e policiais militares. Qual Constituição ele viu isso? Em qual artigo? Está mais do que claro que o governo está sentindo a pressão da massa mobilizada nas ruas. Misturam e distorcem interpretações a cerca da greve de policiais civis e militares, quando é vedada a greve aos militares das Forças Armadas, e se o Brasil estiver em guerra, então as políciais militares passarão automaticamente como Força Auxiliar. Em tempos de paz, essa confusão interpretativa entre militar e policial militar não faz sentido. Portanto a greve para os policiais militares, em tempos de paz é legítima, Direito Social. 

          Essa conversa fiada de questionar a legalidade das greves, se quem tem mais direitos, se é a população ou os grevistas é outra balela. Todos tem o mesmo direito, e o que não é discutido é o DEVER dos políticos de votar e regulamentar as leis, como a da greve dos serviços essenciais, bem como é DEVER dos ministros do STF e fiscalizar, cobrar do poder legislativo e executivo o cumprimento das suas missões constitucionais. Inclusive não é imoral alguém requerer aumento do salário para R$40 MIL, querer criminalizar as demais categorias que almejam talvez menos de 5% desse valor? Não há algo de estranho na relação entre o Judiciário, Legislativo e Executivo? (PEC que eleva salário de ministros do STF a quase R$ 40 mil). Cadê a coerência? Aonde está o compromisso com a responsabilidade com a coisa pública? (Clique e leia mais sobre o projeto que visa criminalizar movimentos sociais e cercear direito de greve)