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sábado, 26 de maio de 2012

ONU pede fim das execuções cometidas pela PM no Brasil

 ONU questiona direitos humanos na preparação para Copa de 2014

Grupo de Trabalho do Conselho de Direitos Humanos (CDH) afirmou que o Brasil precisa garantir o respeito aos direitos humanos durante a preparação da Copa do Mundo de 2014. O Brasil passou nesta sexta-feira (25/5) em Genebra, Suiça, pela segunda revisão do Revisão Periódica Universal (RPU ou UPR, em inglês).

A RPU é um mecanismo do CDH para monitorar regularmente o cumprimento, por parte de cada um dos 193 Estados-Membros da ONU, das suas obrigações e compromissos sobre os direitos humanos. Trata-se de um processo de revisão entre Estados para melhorar a situação dos direitos humanos no território, a que todos os Estados-Membros das Nações Unidas são submetidos a cada quatro anos e meio.

Segundo o relatório final, a restruturação urbana em avanço para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016 devem ser devidamente regulados para prevenir deslocamentos e despejos forçados.

Outro ponto levantado pelo documento é a necessidade de diminuir os incidentes de execuções extrajudiciais pela polícia brasileira. Continue lendo no site da ONU

Fonte: Blog do Adeilton9599

sexta-feira, 4 de maio de 2012

A ministra gaúcha dos Direitos Humanos finalmente olhou para o Presídio Central de Porto Alegre

Fechado para novos detentos

Em junho de 2008, a CPI do Sistema Carcerário descreveu o Presídio Central de Porto Alegre como uma “masmorra”, um “inferno” onde um amontoado de gente sobrevivia em meio ao lixo e ao esgoto.

Os integrantes da CPI utilizaram 120 das 512 páginas do relatório final da investigação para mostrar como a situação no lugar conseguia ser pior que a registrada na Colônia Agrícola de Campo Grande (MS), onde presos e porcos dividiam o mesmo espaço. A oposição petista no estado delirou com as constatações óbvias do caos e aproveitou para malhar a então governadora Yeda Crusius.


Pois quase quatro anos se passaram, os petistas chegaram ao governo com Tarso Genro, e o Presídio Central continuou o inferno denunciado pela CPI. Hoje, porém, Maria do Rosário, a ministra dos Direitos Humanos de Dilma Rousseff, resolveu avisar que irá inspecionar o Presídio Central nesta sexta-feira.
Mas o que levou Maria a finalmente suspeitar das condições dos direitos humanos no presídio? Desde ontem uma decisão judicial proíbe que detentos já condenados ingressem no Presídio Central. Não se trata, portanto, de socorrer os direitos humanos, mas sim de socorrer o governo do companheiro Genro, que está na Europa, no momento, e não poderá mais depositar detentos no lugar.

Por Lauro Jardim/blog Radar online

segunda-feira, 19 de março de 2012

Manifesto de militares critica colegas que atacaram ministras

Marcelo Godoy - O Estado de S.Paulo
Um grupo de militares da reserva lançou um manifesto contra o documento feito pelos colegas que criticaram as ministras Maria do Rosário (Direitos Humanos) e Eleonora Menicucci (Mulheres), favoráveis à revogação da Lei da Anistia, e contra o ministro Celso Amorim (Defesa), que tentou enquadrar os Clubes Militares pelas censuras feitas à presidente Dilma Rousseff.
Articulado pelos capitães de mar e guerra Luiz Carlos de Souza e Fernando Santa Rosa, o documento obteve apoio de militares como o brigadeiro Rui Moreira Lima, que, aos 93 anos, tem uma história incomum. Herói da Segunda Guerra, é um dos dois únicos pilotos sobreviventes que participaram do 1.º Grupo de Aviação de Caça da Força Aérea Brasileira (FAB). Na teatro de operações da Itália, cumpriu 94 missões de combate e recebeu a Cruz de Combate (Brasil), a Croix de Guerre avec Palmes (França) e a Distinguished Flying Cross (EUA) por heroísmo.
Lima evita críticas ao presidente de seu clube - o da Aeronáutica -, o brigadeiro Carlos Almeida Batista. "Ele é um companheiro nobre e só deve ter assinado em solidariedade aos demais". Mas diz apoiar a Comissão da Verdade. "Ela é necessária não para punir, mas para dar satisfação ao mundo e aos brasileiros sobre atos de pessoas que, pela prática da tortura, descumpriram normas e os mais altos valores militares", diz Lima.
Intervenção. Lima e outros militares não concordam com a intervenção do governo nos Clubes Militares. Dizem que a reserva tem direito de se manifestar, mas nenhum deles se sente à vontade em assinar um manifesto na companhia de torturadores. "Eles citam o coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra", diz o professor da Unesp Paulo Cunha, pesquisador da caserna.

sábado, 10 de março de 2012

A quem interessa uma crise militar?

Por Silvia Palacios

A tensão criada entre a cúpula do Governo Federal e o comando das Forças Armadas, em torno do rumo a ser tomado pela denominada Comissão da Verdade, não pode ser entendida apenas sob a visão estreita de que se tratariam dos desdobramentos de um passo necessário para que o País acerte as contas com a História.

Em realidade, essa insistente investida dos setores ideológicos radicais, encastelados no Partido dos Trabalhadores (PT) e agremiações políticas congêneres e em uma pletora de organizações não-governamentais (ONGs) com a mesma orientação, que chegaram ao Governo Federal na presidência de Luiz Inácio Lula da Silva, integra uma campanha de décadas dos centros de poder anglo-americanos contra as instituições dos Estados nacionais ibero-americanos, em especial, as suas Forças Armadas. Agora, o objetivo imediato é provocar uma reorientação da política externa brasileira, de forma a realinhá-la com os EUA e abandonar o processo de uma diplomacia independente em relação à integração da América do Sul e ao Oriente Médio. É com esse pano de fundo que vem sendo exacerbado o tema dos direitos humanos, quase às vésperas da visita da presidente Dilma Rousseff aos EUA. 

O mais preocupante é que esse tipo de acomodação às pressões externas têm determinado uma série de decisões estratégicas no País, como se viu em diversas oportunidades, nos governos anteriores, tais como nos casos das delimitações de grandes reservas indígenas e da draconiana e restritiva política ambiental nacional.

Nesse empenho, se insere a militância ostensivamente assumida por representantes da mídia, como é o caso da jornalista Míriam Leitão, das Organizações Globo, notória representante dos interesses anglo-americanos no País.

É possível que nem a ministra da Secretaria de Direitos Humanos, Maria do Rosário Nunes, nem sua colega de Política para as Mulheres, Eleonora Menicucci, se deem conta desse fato, quando proclamam as suas diatribes contra as Forças Armadas e insistem em vocalizar as demandas da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) contra a Lei da Anistia, a forma institucional encontrada pelos brasileiros, ao final da década de 1970, para se reconciliarem os interesses nacionais.

Diplomacia dos direitos humanos

Não obstante, o fato é que os temas dos direitos humanos, proteção ambiental, questões indigenistas e fundiárias e "igualdade racial", têm sido intensamente manipulados pelos centros de poder anglo-americanos, como parte de sua agenda "globalista" de enfraquecimento das instituições dos Estados nacionais soberanos, dentro do igualmente utópico conceito de um mundo "pós-westfaliano", no qual um papel crescente vem sendo atribuído a entidades como as ONGs, que, supostamente, representariam melhor as demandas das sociedades. 

sexta-feira, 2 de março de 2012

Carta de uma oficial PM a pura realidade publicada nas redes sociais

Ofereço um ótimo emprego com remuneração e aposentadoria garantida.


Exigências:

- Você terá que anular sua vida e viver em função da vida de pessoas que você não conhece, mas que jurou defendê-las;

- Terá que ouvir dessas pessoas, que você nunca viu na vida, que elas pagam impostos e que, por isso, terá que vestir sua capa de herói diariamente e dar seu jeito;

- Você terá que abrir mão de sua família, por que o ótimo emprego voluntário coloca a sua vida em risco;

- Você trabalhará em todas as grandes festas populares, todos os feriados, quase todos os finais de semana;

- E, quando um outro colega de trabalho for pego fazendo algo errado, você será colocado na vala comum dos “bandidos fardados”, será apontado nas ruas, julgado sem o menor direito de defesa, por que o ótimo emprego voluntário é um dos alvos preferidos dos “policiólogos” de plantão.

Advertências:

- O ótimo emprego voluntário é viciante, é algo que entra em nossas veias poderosamente e que toma conta de nosso ser, nos trazendo uma alegria dúbia, só entendida por aqueles que têm amor à farda;

- O ótimo emprego também causa surtos de loucuras, pois, mesmo depois de sermos maltratados, julgados, apontados, ainda somos capazes de sorrir após uma simples ocorrência resolvida, um carro recuperado, uma vida preservada… Sorrimos para nós mesmos, orgulhosos de nossos feitos heroicos, pois grande parte da “nobre sociedade” não sabe que sorrimos por que sorrir é humano… (prefiro calar).
Os interessados poderão me procurar em alguma rua, em alguma viatura, nas madrugadas… para que eu possa lhe apresentar os outros 9.999 homens e mulheres que serão seus companheiros.
Mas se você não aceitar esse ótimo emprego voluntário, pare de me julgar e de dizer que paga meu salário como se eu também não pagasse impostos… Pare de  olhar para mim como se eu fosse um analfabeto, pois sou graduado, especializado, doutor… Sou cidadão como você! A diferença é que escolhi defendê-lo mesmo com o risco de minha própria vida.

Capitã Geórgia – PMRN

Fonte: Blog do Adeilton:>>>>>>>>>>>>>

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

Anaspra denuncia violação aos Direitos Humanos do Exército na greve da Bahia, (parabéns ao Ten Gonzaga, até que enfim Minas "ergueu a voz")


O subtenente Luiz Gonzaga, que é diretor de direitos humanos da Associação Nacional de Praças (Anaspra), condenou a ação do Exército junto aos grevistas. "Eles não estão permitindo a entrada de medicamentos aos amotinados. Entre os principais remédios estão aqueles para hipertensão e diabetes", disse. Para Gonzaga, esta atitude viola os direitos humanos e vai além de uma estratégia do governo para cansar os policiais. "Para ter acesso aos medicamentos os grevistas têm que sair. Mas, se saírem não voltam. Isto não resolve o problema", afirmou.
  
Mas, o coronel Márcio Cunha explica que há ambulâncias preparadas com UTI para dar todo suporte aos policiais. "Estamos com três ambulâncias, sendo que cada uma com dois médicos à disposição", explicou o coronel. O comando do Exército e da Força Nacional argumentam que os policiais devem sair para receber o medicamento.

Fotos: Gilberto Junior//Bocão News
Por: Luiz Fernando Lima e Redação Bocão News

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Conheça a verdade sobre a Operação (massacre) no Pinheirinho. Kd os Direitos Humanos?



A Associação Democrática por Moradia e Direitos Sociais de São José dos Campos (SP) entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) pedindo a suspensão da desocupação de Pinheirinho, em São José dos Campos (SP). A posse da área é reclamada pela massa falida da empresa Selecta, e vinha sendo ocupada, desde 2004, por cerca de 1,3 mil famílias sem teto. A desocupação da área teve início no último fim de semana, e segundo a associação, o comandante da Polícia Militar que estava à frente da operação ignorou uma ordem da Justiça Federal para que não desocupar a área. A associação também alega que o comandante da Guarda Municipal não recebeu a ordem para suspender as atividades das mãos do oficial de Justiça que foi entregar o mandado.

A reintegração de posse da área resultou em uma disputa judicial de liminares que passou por varas de primeira instância, pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, e finalmente, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), que anulou todo o processo por entender que ele tinha irregularidades. Segundo a associação, a decisão do STJ foi comunicada à 6ª Vara Cível de São José dos Campos (SP), mas a juíza titular desconsiderou a informação.

A associação também informou que a União passou a manifestar interesse pela solução do problema e chegou a firmar um termo de compromisso com o governo paulista e com o município de São José para regularizar a gleba de terras. Foi assim que o caso foi parar na Justiça Federal, com decisão do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) suspendendo a desocupação. Mesmo assim, no último domingo, a Polícia Militar de São Paulo (PM-SP) e a Guarda Municipal de São José dos Campos iniciaram a desocupação da área descumprindo a justiça Federal e desacatando o Juiz Federal. 

A associação pede que o STF reconheça que a competência de julgar o caso é da Justiça federal, e não da estadual. Alega perigo na demora de uma decisão, observando que não é possível aguardar o fim do recesso do Judiciário para que o STJ julgue recurso definitivo sobre o assunto.
Autor: Agência Brasil
          

O desabafo da presidente Dilma Rousseff, que qualificou de "uma barbárie", no Forum Social de Porto Alegre, a forma de desocupação de Pinheirinho, no fim de semana, foi reforçado ontem pelo secretário de Articulação Social do Palácio do Planalto, Paulo Maldos, para quem a operação violou direitos humanos e mostrou o desprezo das autoridades paulistas pelo diálogo. "Para mim, estava em jogo a opção entre civilização e barbárie", disse o secretário. "Eles preferiram a violência, a exclusão social e o confronto", enfatizou.
A postura do governo federal, pela negociação e não criminalização de movimentos sociais, é vista como um contraponto à opção legalista do governo tucano de Geraldo Alckmin, no contexto da delimitação de terreno ideológico da disputa eleitoral que o Planalto pretende acirrar em São Paulo. A responsabilidade pela ação foi assumida integralmente pelo Tribunal de Justiça de São Paulo, mas o ônus político ficou com o governo tucano, ao qual pertence a maior parte das tropas mobilizadas.
Maldos estava em Pinheirinho no dia da reintegração de posse da área e foi ferido por uma bala de borracha disparada por policiais militares. Na operação, feita de surpresa às 6h domingo, sem qualquer aviso às autoridades federais e estaduais que ainda negociavam uma solução pacífica, cerca de 6 mil pessoas foram retiradas à força de suas casas e levadas para alojamentos públicos. Os moradores resistiram e, no confronto, 18 pessoas saíram feridas, uma delas com munição real.
O secretário disse que foi desrespeitado na condição de representante do governo federal e que a Polícia Militar estava instruída apenas a bater, atirar e não dialogar. "(Os policiais) Trataram o povo como inimigo, como se fosse uma operação de guerra", relatou Maldos, repetindo a definição dada ao episódio pelo ministro Gilberto Carvalho (chefe da Secretaria Geral da Presidência), a quem ele representava nas negociações. "Ninguém perguntava ou respondia nada, apenas atacavam", resumiu.
Apesar disso, o secretário disse que o diálogo do governo federal não está rompido com as autoridades estaduais e as negociações para solução do impasse serão retomadas em breve. Ontem, ele coordenou no Planalto uma reunião técnica com representantes do Ministério das Cidades, da Secretaria Especial de Direitos Humanos e da Advocacia Geral da União (AGU), para levantar um conjunto de alternativas para solução das famílias desabrigadas com a desocupação de Pinheirinho.
Uma das medidas em estudo é assentar parte dos moradores desalojados no próprio terreno de Pinheirinho. Para isso, a AGU ficou de levantar a dívida com a União da massa falida da empresa Selecta, do investidor Naji Nahas, a quem pertence o terreno. Essa dívida seria convertida em desapropriação de parte da área construção de um condomínio vertical, dentro do programa de habitação social. O dinheiro seguiria as normas do programa Minha Casa Minha Vida. Outras pendências de devedores da União também podem entrar na negociação de terras para os desabrigados.
Serão levantados ainda os terrenos da União na redondeza, como os que pertenciam à Rede Ferroviária Federal, situados em volta da antiga estação ferroviária de São José dos Campos e nas margens da ferrovia, no perímetro central da cidade. As medidas, que serão fechadas em nova reunião na próxima quinta-feira, serão discutidas com o governo paulista e a prefeitura de São José dos Campos, numa futura rodada de negociações.
O prefeito de São José dos Campos, Eduardo Cury (PSDB), onde fica o terreno conflagrado, pediu desculpas a Paulo Maldos, extensivas ao governo federal. "O pedido foi aceito, claro, mas persiste a nossa divergência quanto ao método usado para desocupação, sem qualquer respeito aos direitos humanos", afirmou Maldos. "Ele me disse que não queria que o desenlace fosse violento. A ideia dele, como a nossa, era que a negociação se estendesse por ao menos 15 dias", garantiu. "Mas a PM e o TJ paulista ficaram com a opção pior: o ataque à população civil e a exclusão social".

sábado, 26 de novembro de 2011

JUSTIÇA MILITAR arquiva IPM em que o presidente da AMT, acusa esse blog por calúnia. VIVA A LIBERDADE DE EXPRESSÃO!

JUSTIÇA MILITAR DO ESTADO DE MINAS GERAIS 
Autos n. 12.324-12 

Vistos, etc. 

O Ministério Público, às f/s.70, pediu o arquivamento dos autos, cm razão da falta de provas para o oferecimento da denúncia. 

R o RELATÓRIO. 
DECIDO. 

No caso dos autos, acolho o parecer ministerial no tocante ao arquivamento, porque não há provas suficientes do animus criminoso do indiciado. A questão parece restrita às disputas eleitorais de Associação e as críticas acabam por integrar o jogo democrático. 

ANTE O EXPOSTO, determino o arquivamento cios autos, com fundamento na insuficiência probatória para o oferecimento da denúncia. Também determino a sua remessa à Corregedoria de Jusáça Militar, no prazo legal, para fins de arquivamento. 

Arquive-se. Intime-se. Cumpra-se 

Belo Horizonte, 23 de novembro de 2011. 

Daniela de Freitas Marques
Juíza de Direito titular do juízo militar da 3ªAJME

Veja uma das matérias postadas nesse blog que deu origem ao pedido do militar:
A Justiça Militar de Minas Gerais decidiu sobre o IPM envolvendo o CABO ANASTÁCIO, CABO FERREIRA e concluiu que NÃO houve crime militar. A decisão supra citada, bem como, uma das postagens que deu origem ao IPM. DEUS É FIEL, JESUS É O NOSSO GUIA.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

DIREITOS HUMANOS e CIDADANIA dos PMs






       












Jorge da Silva (*)

      Este pequeno texto objetiva trazer à baila o problema da negação de direitos aos policiais-militares. A análise é confinada aos conceitos de direitos humanos e de cidadania, os quais, embora intimamente relacionados, não possuem o mesmo significado, como se sabe. Inobstante este fato, cumpre aclarar a distinção entre ambos, a fim de mostrar a forma diferenciada como afetam o dia-a-dia desses profissionais.

    Os direitos humanos são inerentes a todos os seres enquanto tais, independentemente do lugar do mundo em que tenham nascido e de noções como condição social, fenótipo, origem etc. Assim, por exemplo, são iguais, como humanos, a mulher e o homem, o milionário e o mendigo, o juiz e o ladrão, o general e o soldado. Nenhum deles pode ser submetido a tortura, física ou mental, nem exposto ao escárnio público. São direitos universais indisponíveis, pois pairam acima das idéias de soberania nacional, pátria etc., mesmo em regimes ditatoriais.

       Já a cidadania refere-se à condição em que os grupos humanos são inseridos numa sociedade nacional específica, à luz do ordenamento jurídico, resumido no brocardo “Igualdade perante a lei”. Tem a ver com direitos e deveres e com a cultura local. Exemplificando. Não faz tanto tempo que a Constituição da República vedava às praças de pré, às mulheres e aos analfabetos o direito de votar e ser votado. Ao brasileiro de 16 anos é garantido hoje o direito ao voto, porém só os maiores de 18 são considerados adultos pela lei penal. Ainda: em certos países, acidadania do homem inclui o direito de possuir duas ou mais esposas, o que, em outros, como o Brasil, é crime.
       Vê-se, portanto, que, num caso, estamos falando do ideal da igualdade absoluta, tendo como referência a própria condição humana; no outro, de igualdade “regulada” pelo Estado, referida ao aparato legislativo, do qual, não raro, promanam disposições que afrontam os direitos humanos.

       No caso dos PMs, a distinção praticamente se neutraliza, de vez que é notória a indiferença da sociedade tanto para com a crescente quantidade de mortos, incapacitados e expostos a riscos desnecessários (direitos humanos) quanto para com os seus aviltantes salários, condições de trabalho e parcos direitos sociais (cidadania).

       No que tange aos seus direitos humanos, tendo em vista que o Estado, em qualquer sociedade, é o seu principal violador; e que os policiais (em especial os PMs) são os agentes públicos mais visíveis, resulta difícil chamar a atenção da população para o fato de que, na luta contra o crime, esses profissionais são muito mais vítimas do que vitimizadores. Vítimas não só dos bandidos, mas, sobretudo, dos orquestradores públicos e privados da violência estatal. Estes, depois de atiçarem os PMs de modo a que se lancem na “guerra” como camicases urbanos, voltam-lhes as costas quando, aos olhos da mídia, algo sai errado. Aí, para salvar a própria pele, esgueiram-se ardilosamente pelos desvãos da irresponsabilidade, sem se inibirem de engrossar o coro dos que execram publicamente os policiais azarados. Pior: não se pejam de pegar carona nos enterros de PMs para, fingindo solidariedade à família e ao falecido – feito “herói-morto” –, aproveitar a ocasião para reforçar o seu proselitismo.

       Em se tratando especificamente da sua cidadania, bastará um ligeiro exame da Constituição e da legislação específica para situar a condição em que os PMs são inseridos na estrutura da sociedade brasileira. Ver-se-á que, sem sombra de dúvida, trata-se dos trabalhadores com a maior carga de obrigações e a menor parcela de direitos. Dos brasileiros com a maior carga horária de trabalho, comparados aos de qualquer outra atividade ou instituição. Senão vejamos.

       A todo trabalhador brasileiro em geral são impostos deveres e reconhecidos direitos, tais como, dentre outros: jornada máxima de 44 horas semanais, hora extra, repouso semanal remunerado, férias anuais, direito de greve etc.; ao servidor público em geral são também garantidos os mesmos direitos, mas seus deveres vão além, como, por exemplo, a proibição de intermediar interesses, de participar de firmas que contratem com o governo, de manifestar-se publicamente sobre assuntos do serviço sem autorização etc.; ao servidor público policial civil, são impostas restrições maiores, expressas em estatuto e em regulamento disciplinar próprios, tornando-o passível até mesmo de prisão administrativa. No caso do PM, ademais de se somarem todos esses deveres e vedações, paira sobre a sua cabeça, na condição “especial” de militar, atribuída a ele pela Constituição, a espada de Dâmocles do regulamento disciplinar e do Código Penal Militar, que o obrigam a estar à disposição da Corporação, sem direito de reclamar, durante as 24 horas do dia, os 365 dias do ano, proibido inclusive de executar, mesmo nas horas de folga, alguma atividade para complementar a renda familiar. Hora extra? Repouso semanal? Direito de greve, de sindicato? Nem pensar... Em suma, o PM é submetido a uma espécie de capitis deminutio maxima (perda total da cidadania): não desfruta os direitos do trabalhador comum, nem os do servidor público em geral, nem os do policial civil.

       Curiosamente, nada disso sensibiliza os detratores da PM, que só se interessam pelos erros e desvios de conduta. Em vez de o risco de morte e as limitações de cidadania assegurarem aos PMs compensação pecuniária ou alguma prerrogativa – como era de se esperar –, acarretam-lhe, ao contrário, menosprezo e as conhecidas desqualificações. De nada adianta falar nas centenas de milhares de ações corretas e meritórias. Ora, que tipo de segurança pode oferecer à população alguém que sai para trabalhar inseguro, e revoltado com a forma preconceituosa como é tratado, sem saber se vai voltar para casa ao fim do dia? Alguém cuja retribuição salarial é insuficiente sequer para habitar com a família em condições condignas, e sem ver atendidas as necessidades básicas dos filhos? Alguém sob permanente tensão que, em relação à população como um todo, é muito mais vulnerável a doenças ocupacionais como o estresse, a hipertensão, distúrbios neurológicos, depressão etc., que podem levá-lo ao alcoolismo e, no limite, ao suicídio, como frequentemente ocorre?

       O que causa espanto é como os PMs, inobstante tanta desvalorização, não esmorecem, parecendo não se darem conta de que foram erigidos pelo próprio “sistema” a bodes expiatórios da sociedade! E que assumam como unicamente sua uma “guerra” que não foi inventada por eles! Guerra inútil, insana (ou de propósitos inconfessáveis...). Como podem seguir iludidos, sem refletir sobre o fato de serem usados como peças descartáveis de uma engrenagem que mal conhecem?
       Em benefício de todos, é indeclinável a necessidade de que os policiais-militares tenham o seu status social elevado, o que dependerá tanto da determinação dos mesmos em repensar a Instituição (e de fugir ao papel subalterno a que se têm submetido de forma passiva) quanto da compreensão da sociedade de que isto é do seu próprio interesse. Numa democracia de fato, os policiais são a primeira linha de defesa dos direitos humanos (sic). De todos, incluídos os seus.


(*) Nascido e criado no hoje chamado Complexo do Alemão, Zona da Leopoldina do Rio, entrou para a PM aos 17 anos, tendo atingido o último posto, o de coronel. É doutor  em Ciências  Sociais (Uerj), com pós-doutorado na Universidade de Buenos Aires (Equipo de Antropologia da Faculdade de Filosofia e Letras (2006)). Professor-adjunto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, é atualmente coordenador de estudos e pesquisas em Ordem Pública, Polícia e Direitos Humanos, e pesquisador convidado do Núcleo Fluminense  de  Estudos e Pesquisas  (Nufep) da Universidade Federal Fluminense. Graduado em Direito e em Letras, com Mestrado em Ciência Política e em Língua Inglesa (Letras).

Além de altos cargos na PMERJ, comoos de subsecretário de Estado e chefe do Estado Maior Geral, foi coordenador setorial de Segurança, Justiça, Defesa Civil e Cidadania do Governo do Estado (2000 - 2002), presidente do Instituto  de  Segurança  Pública - ISP (2003), corregedor interino da Corregedoria Geral Unificada das Polícias Civil, Militar e do Corpo de Bombeiros, e secretário  de  Estado  de  Direitos  Humanos (2003 - 2006).

Seis livros publicados; dezenas de artigos em publicações coletivas nacionais e estrangeiras.

Áreas de interesse: segurança pública, polícia, direitos humanos, relações sócio-étnicas, semiótica.

Colaborador: CABO BM CLEOMAR

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Agente infiltrado da ditadura, Cabo Anselmo diz que é sustentado por empresários

Jair Stangler, do Estadão.com.br
José Anselmo dos Santos, o cabo Anselmo, disse nesta segunda-feira, 17, ser sustentado por empresários. A declaração foi dada em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura.
Anselmo ficou conhecido no período da ditadura militar, quando atuou como agente infiltrado da repressão, levando à prisão de diversos militantes de esquerda – na mesma entrevista, ele admitiu que podem ser entre 100 e 200, entre eles, a própria namorada, Soledad Barret Viedma.
Criticou a proposta da Comissão da Verdade. “Tem que ter gente da esquerda e da direita”. Disse não se incomodar de entrar para a história como traidor: “O que eu posso fazer quanto a isso?”
Mais de 20 anos depois do fim da ditadura, Anselmo ainda está em situação de clandestinidade. Ele pleiteia o reconhecimento de sua identidade e ainda, o pagamento de uma pensão – a exemplo do que acontece com vários militantes de esquerda. Na entrevista, afirmou que se pudesse votar, teria votado em José Serra.
Antes da ditadura, Anselmo liderou um movimento de marinheiros que acabou precipitando o golpe militar de 1964.
Acompanhe ao vivo:
23h28 – Questionado se se incomoda de entrar para a história como traidor, Anselmo pergunta: “O que eu posso fazer quanto a isso?”
23h26 – Quem assassinou eu não sei. Quem entregou eu fiz parte disso. Quem entregou era o dr. Carlos. Para descobrir quem matou, tem que ir atrás dos agentes do Dops.” Questionado se estão na polícia de São Paulo, Anselmo responde: “Sim, claro.”
23h18 – Anselmo não conta nomes. “Acho que eu não devo constranger certas pessoas.” Promete  que dará nomes que possam ajudar a descobrir informações sobre a ditadura à Comissão da Verdade.
23h09 - Anselmo diz que mudou de ideia sobre a revolução quando esteve em Cuba. “Não queria aquilo, queria uma revolução nacionalista, como Brizola defendia.”
23h03 – “Eu era um cabra marcado para morrer. Fui preso várias vezes e não fui morto. A própria presidente Dilma foi presa e não morreu.”
23h00 – Anselmo diz que não sabe o que estão os desaparecidos, embora soubesse que alguns estavam mortos. “Eu não tinha contato com a parte operacional de matar e prender. Mas tinha informações de bastidores.”
22h56 – “Eu fui expulso da Marinha. Houve uma anistia. Então, todo esse tempo que eu fiquei fora da Marinha não existiu.” Anselmo diz que é sustentado por 3 pessoas, mas não conta os nomes. “É gente que é empresário.”
22h52 – Diz que não tem contato com outros ‘cachorros’ da ditadura. Segundo ele, os nomes dos agentes da ditadura estão nos arquivos da ditadura que os militares não querem abrir. Afirma que contaria o que sabe à Comissão da Verdade, mas desde que participassem gente da esquerda e da direita. “E não só de um lado” como, segundo ele, acontece até agora.
22h52 – Anselmo admite que pode ter contribuído com a morte de 100 a 200 pessoas.
22h48 – Cabo Anselmo diz que entregou companheiros para abreviar a luta armada. “O povo brasileiro era meu tio, minha…” Questionado se ele também não havia abandonado sua família, Anselmo diz que isso aconteceu apenas porque ele estava na Marinha.
22h40 – “Eu tenho uma dúvida” sobre a morte do Dr. Fleury. “Na época que eu convivi com ele, ele era o Dr. Fleury. Convivi com ele e me acostumei com isso. O Dr. Tuma tinha muito mais poder que o Dr. Fleury.”  Anselmo nega que soubesse que Tuma ou Fleury praticassem tortura. “Só me lembro do Henrique Perrone. Tuma, Fleury, todo mundo sabia da tortura.”
22h32 – Anselmo diz que quando militou na esquerda foi um “ator”. “Está sendo um ator agora?” “Não.”
22h30 – A nselmo nega que tivesse contato com a presidente Dilma. “A inferência que eu faço é que Dilma foi uma moça que fazia uma coisa de organização. O que eu sei da presidente Dilma é o que eu leio nas revistas.”
22h27 – “Se eu soubesse o que aconteceria, não teria feito. Mas me arrepender não vai trazer ela de volta. Já haviam morrido muitos, e muitos outros morreriam”, argumenta.
22h23 – “Soledad não acreditava naquilo.  Existia entre nós um carinho muito grande. Esse negócio não está bem resolvido dentro de mim hoje. Eu tenho uma dor muito grande pelo que aconteceu com aquela mulher bela, que era poeta. Mas também ela estava metida numa luta que não devia estar”, conta Anselmo.
22h22 – Anselmo nega que Soledad não estava grávida e diz que só soube da morte de sua mulher, Soledad, pelo jornal.
22h20 – “Eu falei para o dr. Fleury: em vez de deixar a Soledad presa, manda ela para Cuba. Ela tem uma criança para cuidar. Eu era um preso. Quem passava as informações era o meu sombra, que era agente de Fleury.”
22h17 – “Ela não me dava nenhuma informação. Nós tínhamos uma relação marital.” Cabo Anselmo diz que não sabia o que aconteceria com Soledad.
22h15 – Perguntado se teria arrependimento sobre o massacre de Recife, quando 6 pessoas – inclusive sua mulher na época, Soledad – que Anselmo teria entregado. “Soledad era filha de dirigentes comunistas paraguaios. Ela foi para Cuba treinar para ser agente comunista em qualquer parte do mundo. Quem escolheu esse risco? Quem escolheu pegar em armas?”
22h12 - Cabo Anselmo diz que só passou a colaborar com a ditadura depois que sofreu tortura. “Depois do pau de arara, depois dos choques elétricos.”
22h04 - O apresentador Mário Sérgio Conti pergunta ao cabo Anselmo se ele se arrepende mais de ter servido à ditadura ou de ter combatido a ditadura. “Nem uma coisa nem outra. Eu me arrependo de ter saído da Marinha e de ter passado à insubordinação”, respondeu. Diz que aderiu espontaneamente à ditadura porque percebeu que a esquerda estava errada.



domingo, 21 de agosto de 2011

Direitos Humanos - Fernandinho Beira Mar e a juíza Patricia Acioli

Reprodução do site Jornal do Brasil

Não consigo entender por mais que me expliquem, como pessoas que vivem dentro e fora da lei são tratadas no Brasil. Marginais como como Fernandinho Beira Mar tem uma proteção policial quase igual a dos presidentes da república. Quando deslocado do presídio para audiências judiciárias são usados jatos particulares e uma tropa de proteção. A juiza Patrícia Lourival Acioli é fuzilada por marginais sem um único policial. Alguém pode me explicar? 
 
blog do Ricardo Gama