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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

HIERARQUIA E DISCIPLINA POR UMA ÓTICA DIFERENTE.



        Todas as relações entre militares, independente do local em que estes estejam, devem ser estabelecidas sobre princípios hierárquicos, portanto - nesta classe - pelo que é rigorosamente determinado pelos regulamentos, não é desejável que exista a sociabilidade lúdica1, ou seja, a sociabilidade informal, baseada na espontaneidade e na amizade. Quanto maior distancia hierárquica entre os militares menos intimidade e socialização deve haver. Definitivamente não poderá existir nenhum momento onde se consideraria todos iguais. Segundo o Estatuto dos Militares todas as relações entre militares têm que ser amparadas nos dois pilares principais, hierarquia e disciplina, que acompanham os soldados em todos os momentos de sua vida.
            Existem situações que, sendo parte do quotidiano dos militares, caso presenciadas por civis, certamente seriam de difícil compreensão. Por exemplo: um militar, quando comparece a uma festa, mesmo num ambiente civil é obrigado - por força de regulamento - a observar se existe no local outro militar mais graduado, e deve cumprimentá-lo, pois se deixar de fazê-lo poderá estar incidindo em contravenção disciplinar. Caso deseje deixar o local, deve também procurar esse militar mais antigo e comunicar sua intenção de sair. Se estiver sentado, ao se aproximar um superior, deve levantar e oferecer seu lugar.
      Segundo o Estat. dos Militares, são contravenções disciplinares:  “(...) deixar o Oficial presente a solenidade interna ou externa onde se encontrem superiores hierárquicos de apresentar-se ao mais antigo e saudar os demais. Deixar, quando estiver sentado, de oferecer seu lugar ao superior”.
            É a hierarquia que estabelece as fronteiras exatas entre os que obedecem e os que comandam. Obedecer e comandar, embora sejam situações distintas, são vividas quotidianamente por todos os militares, independente de que posto ou função ocupem, desde o recruta recém admitido, que deve obediência à todos ao comandante do exército, que deve obediência ao Ministro da defesa. Portanto, hierarquia é um fato geral dentro da caserna, capaz de ordenar todas as situações e indivíduos para que estejam dentro dos parâmetros de conduta exigidos pelo sistema. Mesmo que um pesquisador não consiga observar detalhadamente um determinado segmento militar em todas as suas atividades – as relações hierárquicas de uma pequena amostra desse segmento certamente lhe dariam indicações importantes de como é o funcionamento do todo. A partir dessas características podemos aplicar à hierarquia o status de fato social total2, já que é um fenômeno aceito por todos e que põe “em movimento a totalidade da sociedade militar e suas instituições.” Continue lendo na Sociedade Militar

terça-feira, 8 de maio de 2012

Hieráquia prevalece somente nos interesses dos donatários da Instituição


Falta de Promoção é atentado à Hierarquia

Muito se ouve o discurso de que as polícias militares são instituições que possuem como princípios basilares a hierarquia e a disciplina, onde se defende o acatamento às normas e o respeito aos superiores hierárquicos. Até aí, nada mal, afinal, até mesmo as organizações privadas adotaram como modelo de eficiência este paradigma – ou alguém acha que uma empresa de sucesso permite desacatos e indisciplina por parte dos seus funcionários?

O que chama a atenção, entretanto, é que tal discurso, na maioria das vezes, é sustentado somente para justificar reforços negativos, enquanto é convenientemente esquecido quando se trata de reforços positivos. Em poucas palavras, quando o momento é de punir e repreender, surgem a hierarquia e a disciplina como valores fundamentais. Quando o momento é de fomentar a ascensão funcional e respeitar direitos, relativismos e flexibilidades aparecem.

Falando especificamente do cultivo da hierarquia, não há como mantê-la adequadamente sem que os policiais sejam promovidos aos postos e graduações nas épocas previstas. Manter por muito tempo um policial em determinado posicionamento funcional é atingir sua motivação, desrespeitar o trabalho prestado à instituição, e permitir a descrença no essencial da organização hierárquica.
No Brasil, há casos de PM’s em que policiais passam mais de vinte anos na mesma graduação, sem falar nas ocasiões em que alguns são privilegiados com promoções em tempos bem mais curtos que a maioria dos seus pares. Nada contra a premiação à excelência e aos destaques: o problema são as distorções que são apresentadas como se excelência e destaque fossem.
Este é um contraponto sempre necessário ao discurso do binômio hierarquia-disciplina: ele serve apenas para repreender ou faz parte do conjunto de valores institucionais, influenciando decisões inclusive no campo de valorização profissional?

Fonte: Abordagem Policial