"Eu queria tanto voltar que estava pulando de alegria", disse. "O serviço militar era a minha vida."
Ele disse ter sido aberto quanto à sua sexualidade durante a passagem pelo Kuwait por um ano. Mas seu perfil no Stars and Stripes (site sobre as Forças Armadas) levou a uma nova investigação que culminou na sua dispensa pela segunda vez ao retornar aos Estados Unidos em 2007.
Agora com 29 anos, Daniels diz que desde estes acontecimentos, "minha vida não tem mais sentido". Ele quer se tornar um oficial e aprender a falar árabe, e se diz confiante de que vai ser aceito, pois já serviu anteriormente como um homossexual assumido.
"Ninguém se importava se eu era homossexual", disse a respeito do Kuwait. "O que importava era que eu fazia um bom trabalho."
A questão do reposicionamento pode desencorajar muitos de se realistarem. Isso acontece, porque não há números fixos de empregos ou posições em cada setor das Forças Armadas e alguns podem ter que aceitar posições inferiores para voltar a se alistar. Aqueles que forem realocados em suas posições antigas estarão em desvantagem se comparados com seus colegas que permaneceram em seus respectivos cargos.
"Eu estive fora do Exército por seis anos, então meus colegas estão muito à frente de mim no quesito de serem promovidos", disse Jarrod Chlapowski, 29, um linguista coreano que deixou o Exército voluntariamente em 2005, porque não gostava de ter que esconder a sua orientação sexual. Ele agora está pensando em se realistar.
"Vai ser um Exército diferente daquele que eu deixei", disse ele. "E isso pode ser um pouco intimidante."
Almy, Daniels e um outro membro do serviço foram os primeiros a apresentar uma ação judicial afirmando que eles foram dispensados inconstitucionalmente e devem ser recolocados em seus cargos antigos. Um ex-Major, Almy, 41 anos, que serviu pelo menos quatro vezes no Oriente Médio, estava entre os membros que tinham um dos cargos mais altos antes de ser dispensado sob a política de proibição.
Mas até mesmo os advogados em defesa dos soldados homossexuais dizem que as Forças Armadas adotarem uma política geral de permitir que todos os membros do serviço com dispensa sob a política de "Don't Ask, Don't Tell" voltarem a seus cargos anteriores pode não ser uma boa solução.
"Você tem que pensar de uma perspectiva política se quer colocar alguém que está fora do Serviço Militar por 5 ou dez anos de volta para o mesmo cargo que possuía só porque uma injustiça foi cometida", disse Alexander Nicholson, diretora-executiva da Service Members United, um dos grupos de defesa dos direitos dos homossexuais militares.
Nicholson, 30 anos, que foi dispensado em 2002, está considerando a possibilidade de cursar uma faculdade de direito e tentar se tornar um oficial militar.
Para Copas, a idade pode ser um fator para ele conseguir se realistar. Linguista árabe durante o seu primeiro alistamento, ele está pensando agora em aprender Dari ou Pashto assim poderia ter a oportunidade de servir no Afeganistão. Ele também é músico e tem um mestrado em aconselhamento psicológico.
Mas o Exército pode considerá-lo muito velho e exigir uma nova dispensa. Mesmo enquanto ele procura na internet por vagas de trabalho no Exército, ele tem medo de passar por muitos empecilhos apenas para ser rejeitado novamente.
"É quase como se eu estivesse voltando para a cama com um amante ruim", ele afirmou. "Eu ainda estou morrendo de vontade de servir. Mas eu não sei o quão realista isto seria".
* Por James Dao/ultimosegundo.ig.com.br