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terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Jornalista demitido por ordem de Jacques Wagner se junta aos PMs grevistas na BA

O radialista e jornalista, Valdeck Filho, que trabalhava como repórter no programa policial “Na Mira” apresentado pela TV Aratu, foi demitido na última sexta-feira (3/2).
Valdeck perguntou ao diretor geral qual o motivo de sua demissão e obteve como resposta de que estava sendo dispensado e que não importava o motivo. Posteriormente, o jornalista descobriu que a direção geral da emissora estava acatando ordens do governador da Bahia, Jacques Wagner.
A equipe do “Na Mira” confimou o motivo da dispensa: “não fomos nós do programa que o demitimos, ele foi embora por ter apoiado a greve dos policiais”, disse uma funcionária do programa.
À IMPRENSA, Valdeck Filho, esclareceu algumas questões que, segundo ele, foram distorcidas pela mídia baiana. Ele acusa a imprensa de estar “comprada” pelo governo. “Toda a imprensa baiana blindou o governo, não se olha para os lados, o governo manda as informações e os veículos publicam da forma como recebem. A mídia está publicando notícias falsas a respeito da greve nos colocando como os culpados da história. Mais de 250 pessoas foram assassinadas, mas ninguém comenta sobre isso”, desabafou o jornalista.
“A imprensa diz que os PMs estão matando as pessoas, dizem que a polícia forjou essa greve para saquear a população, mas na verdade, os crimes vêm acontecendo pela falta de policiamento, por lutas territoriais e vingança. O governador poderia cooperar e resolver isto, mas preferiu cercar a Assembléia nos impossibilitando de sair”, acrescentou.
Após sua demissão, Valdeck aderiu ao movimento dos policias militares e afirmou que tudo poderia ser resolvido sem greve. “Em momento nenhum, os PMs queriam causar confusão, só queriam que as gratificações do passado fossem pagas. Essa é a única reivindicação dos policiais”, afirmou.
O jornalista passou a usar laptops e celulares para informar a população sobre o que vinha acontecendo, até que cortaram a água e a luz dos grevistas. “Está difícil conseguir mantimentos e divulgar o que acontece agora”, disse.
Na última sexta-feira (3/2) na parte da noite, ele se juntou aos policiais em greve, em frente à Assembléia Legislativa baiana, local onde estão acampados para protestar contra o governo local que não quer cumprir os compromissos com a polícia. No mesmo dia, Dilma Roussef autorizou intervenção federal. Soldados do exército foram levados para o local da greve para cercar os grevistas, impossibilitando sua saída para comprar mantimentos.
Desde então, aproximadamente dois mil policiais com suas famílias e o jornalista, seguem sitiados em frente à Assembléia. Estão cercados, por homens do exército, helicópteros e atiradores de elite estrategicamente posicionados.
Na noite da última segunda-feira (6/2), familiares se aproximaram do cerco formado pelos soldados e jogaram suprimentos para que os grevistas consigam resistir o máximo que puderem.
“Eu ando sempre com dois policiais ao meu lado, eles não me deixam sozinho e não querem que eu me exponha tanto, o risco é iminente”, comentou Valdeck.

*Com supervisão de Vanessa Gonçalves.

quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Senado aprova em 1º turno exigência de diploma para jornalista

Por 65 votos a sete, o plenário do Senado aprovou nesta quarta-feira, em primeiro turno, a proposta de emenda à Constituição (PEC) que exige diploma de Jornalismo como condição para o exercício da profissão. Em junho de 2009, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu que a exigência formal do certificado de conclusão do curso superior e do registro profissional no Ministério do Trabalho para os jornalistas fere a liberdade de imprensa e contraria o direito à livre manifestação de pensamento. A PEC precisará ser votada em segundo turno também no plenário da Casa.
"(A exigência de diploma) É questão de justiça para que um indivíduo que sabe fazer um bilhete não saia por aí dizendo que é jornalista", disse o Magno Malta (PR-ES). "Num país em que nossos jovens precisam ser estimulados à universidade, é preciso dar a eles um status especial, e muitos jovens que têm seu diploma sentem que seu mercado de trabalho é invadido", afirmou o Marcelo Crivella (PRB-RJ).
Em sentido contrário, Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) argumentou que a profissão de jornalista não comporta "nenhum tipo de restrição", incluindo a própria exigência de diploma. "A atividade de jornalista é intimamente ligada à liberdade de expressão. Tem caráter autoral. Não cabe nenhum tipo de restrição (como o diploma). Para a garantia da veracidade e da cultura não é preciso diploma", afirmou.
"Pouquíssimos cursos exigem uma aptidão tal que só possa ser adquirida em um banco de horas. O Supremo decidiu que, em relação a profissões, o que tem que ser preservado é o direito fundamental de se exercer livremente, de fazer manifestação", afirmou Demóstenes Torres (DEM-GO), também contrário à exigência de diploma e registro para a profissão de jornalista.
Portal Terra
Laryssa Borges