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sábado, 17 de setembro de 2011

Como dizia o Lula, Sarney "não é uma pessoa comum". Contra ele, só mesmo a justiça divina.


O STJ (Superior Tribunal de Justiça) anulou todas as provas obtidas pela operação da Polícia Federal que investigou os negócios do empresário Fernando Sarney e outros familiares do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). A decisão da 6ª Turma do STJ foi unânime e devolve as investigações à estaca zero. Escutas telefônicas, extratos bancários e documentos fiscais obtidos pela PF não poderão ser usados para processar ninguém, de acordo com a decisão. Os ministros do STJ entenderam que os grampos que  Batizada inicialmente de Boi Barrica, nome de um grupo de folclore maranhense ligado à família Sarney, e depois rebatizada como Faktor, a operação da PF foi deflagrada em 2007 devido à movimentação atípica de R$ 2 milhões na conta de Fernando Sarney e da mulher dele, Teresa. O empresário é filho do presidente do Senado. Durante a investigação, a PF encontrou indícios de tráfico de influência em órgãos do governo federal, desvio de recursos públicos e lavagem de dinheiro. Fernando Sarney sempre negou todas as acusações feitas pela PF.

Entre 2009 e 2010, a Folha publicou trechos de diálogos gravados pela PF na operação. As conversas mostravam que Fernando Sarney tinha influência sobre a agenda do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão. Sarney e sua filha, a governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), aparecem nas interceptações telefônicas tratando com Fernando Sarney e outras pessoas de nomeações para cargos estratégicos no governo Lula. As escutas se estenderam por pelo menos por sete meses. Os diálogos levaram a Justiça a autorizar a quebra dos sigilos fiscal, bancário, telefônico e dos e-mails de dezenas de pessoas, entre elas Fernando Sarney. Agora, o STJ entendeu que houve "carência de fundamentação" na decisão que autorizou as escutas. De acordo com os ministros, o grampo telefônico deve ser uma "exceção" e só pode ser autorizado depois de os investigadores esgotarem os demais recursos. Na avaliação do STJ, a Polícia Federal e o Judiciário do Maranhão não exibiram justificativas suficientes para as interceptações telefônicas.
 
A decisão do STJ foi tomada a pedido de João Odilon Soares, um funcionário do grupo de comunicação controlado pela família Sarney que também aparece como sócio de uma empresa da família que, segundo a PF, foi usada para lavar dinheiro. Sua defesa é feita pelo advogado Eduardo Ferrão, o mesmo que representa a família Sarney. Procurado ontem, Ferrão não retornou as ligações. Por analogia, a decisão se estende a todos os investigados pela PF. O Ministério Público Federal ainda pode tentar derrubar a decisão, recorrendo ao próprio STJ e ao STF (Supremo Tribunal Federal). Em agosto do ano passado, a Folharevelou que o TRF (Tribunal Regional Federal) decidira anular a interceptação de e-mails pela operação Faktor atendendo a Odilon e seu advogado. Entre as mensagens interceptadas pela polícia que foram anuladas pelo STJ, uma indicou remessa de dinheiro de Fernando Sarney para o exterior, o que ele sempre negou.

Blog Coturno Noturno

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Policial recebia R$ 40 mil da milícia para vazar informação sobre operações

 A Operação Pandora, desencadeada pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e pela Grupo de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco), descobriu a ação de um policial civil que trabalhava no setor de inteligência da Secretaria de Segurança. De posse de informações sigilosas, esse policial, segundo o delegado Alexandre Capote, titular da Draco, recebia cerca de R$ 40 mil dos milicianos para informar onde e quando seriam as operações policiais.O policial está aposentado desde o ano passado e deve se entregar ainda nesta quinta-feira na sede da Draco.

Na operação Pandora, policiais civis e MP tentam desarticular o restante da quadrilha de milicianos. O grupo, segundo o delegado, continuava cobrando taxas de segurança e de serviços a moradores de Campo Grande, Cosmos, Inhoaíba, Santíssimo, Paciência e Sepetiba
Toda a cobrança era articulada pelos policiais militares, que estavam presos no Batalhão Prisional da PM, em Benfica.

Ana Claudia Costa - O Globo

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Mega operação no Rio procura 17 envolvidos com milícias

Rio - Cerca de 150 policiais da Delegacia de Repressão às Ações do Crime Organizado e Inquéritos Especiais (DRACO/IE), da Subsecretaria de Inteligência da Secretaria de Estado de Segurança, da Corregedoria Geral Unificada (CGU) e de diversas delegacias distritais e especializadas da Polícia Civil realizam, desde às 4h desta quinta-feira, a Operação Pandora que visa desarticular a organização criminosa miliciana conhecida como Liga da Justiça que atua na Zona Oeste do Rio, principalmente na área de Campo Grande.

A ação visa cumprir 18 mandados de prisão preventiva e 30 de busca e apreensão. O objetivo da operação é capturar os atuais e principais membros da milícia, que exploram, nas regiões que dominam, toda a sorte de atividades que possam gerar vantagens econômicas dedicando-se, em especial, ao domínio do transporte alternativo de passageiros como vans e mototáxis, à exploração de jogos de azar por meio de máquinas caça-níqueis, ao monopólio da venda de botijões de gás e água a preços superfaturados, à cobrança coercitiva de taxa de segurança, à redistribuição ilícita de sinais de transmissão de canais de televisão e internet .

Segundo investigações, o grupo paramilitar em questão atua nas localidades de Campo Grande, Cosmos, Inhoaíba, Santíssimo, Paciência, Sepetiba e adjacências, onde pratica delitos graves como homicídios qualificados, extorsões, ameaças, posse e porte ilegal de armas de fogo, desenvolvendo assim um esquema de poder que engloba a dominação territorial e econômica de toda aquela região por meio da violência e da imposição do medo e do terror.

O grupo paramilitar denominado Liga da Justiça é notoriamente conhecido como uma das mais perigosas milícias da cidade do Rio de Janeiro, tendo sido seus criadores os ex-parlamentares Natalino Guimarães e Jerônimo Guimarães, o Jerominho, ambos presos pela DRACO/IE.

ODIA