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terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

TELEANÁLISE MALU FONTES - O PARTIDO DA IMPRENSA GOLPISTA (PIG) TORNOU-SE ALIADO

O Jornal Nacional acabou com a liderança de Marco Prisco sobre a paralisação da Polícia Militar da Bahia em seu 9º dia de greve e redefiniu radicalmente os rumos do movimento. Imediatamente após o telejornal de maior audiência do país, em sua edição da noite de quarta-feira, veicular gravações de ligações grampeadas, obtidas com exclusividade via governo, ressalte-se, entre o líder da greve, Marco Prisco, e outras lideranças do interior do Estado articulando o fechamento de rodovias baianas, e de policiais do Rio de Janeiro com lideranças políticas cariocas sobre a estratégia de usar a greve da Bahia como mecanismo de deflagração de uma paralisação nacional, a greve, o motim, a paralisação, ou seja lá que nome seja dado ao impasse que escancarou a violência em toda a Bahia, mudou completamente de feições. 


Diante do movimento em si, das suas consequências políticas (para o Governo do Estado e para a imagem da Polícia Militar da Bahia), e, sobretudo das consequências sociais, com cerca de 140 homicídios em pouco mais de uma semana, saltava aos olhos algumas avaliações de autoridades sobre o começo do desfecho na quinta-feira. Não foram nem dois nem três parlamentares e autoridades públicas a elogiar o desfecho do imbróglio e a afirmar em bom som diante dos microfones dos telejornais o quanto todas as negociações foram conduzidas com sensatez, fazendo com que tudo terminasse bem e sem derramamento de sangue (sic). 


OS ‘BAIRROS MAIS...’ - Como assim, ‘sem derramamento de sangue’? Ou estão todos completamente imbuídos de um esforço político cínico de negar o que se assemelha a tons de uma chacina de grandes proporções e estão banalizando índices de violência inaceitáveis, ou a expressão derramamento de sangue só teria sido digna desse nome se o sangue fosse dos militares, dos mais favorecidos ou se desse-se em bairros de classe média? O que houve senão um oceano de sangue quando uma cidade matou em menos de uma semana mais de 14 dezenas de pessoas? 


Embora os telejornais tenham veiculado e atualizado cotidianamente essa contabilidade macabra durante a greve, poucas dessas vítimas parecem ter nome, endereço, profissão. São os sempre PPPs assassinados de sempre, só que em escala aumentada durante a greve: os pretos, pobres, da periferia. Nesse contexto, também foram ilustrativas as entrevistas publicadas na Folha de S. Paulo quinta-feira, no mesmo espaço, de Fátima Mendonça, a primeira dama do estado, e de Cláudia Leitte. Não é que a sensatez estava mais presente nas falas da segunda? Para Fátima, os assassinatos foram todos nos bairros ‘mais...’. Assim mesmo, com reticências. Para o resto, ou os bairros ‘menos...’ a palavra usada foi ‘tranquilo’. 


LABORATÓRIO - Diante desses números, custa a crer, mas houve uma parcela da classe média que se considera do bem, amiga da pobreza, que, sentada, abancou-se nas redes sociais e protestou contra o sensacionalismo da imprensa por divulgar números tão alarmantes, como se estes fossem inventados nas redações. Achando pouco, anunciaram que fizeram uma espécie de antropologia participativa na periferia, um laboratório, diga-se. Pegaram seus carros e anunciaram superiores que fizeram rondas, da orla ao subúrbio ferroviário, da Graça à Suburbana, e nada de anormal viram, além de muita tranquilidade, é claro. 




Ô, mas para essa observação participativa ser crível, já que para essas pessoas a TV não é crível por preferir sensacionalizar, não seria mais honesto pegar um buzu na Estação da Lapa, na Estação Pirajá ou um trem no Terminal da Calçada? Sim, pois as pessoas intranquilas, assustadas, assassinadas, primeiro, não ‘passam’ de carro por esses lugares onde os antenados fizeram seus laboratórios de observação: ficam lá, moram lá; segundo, suas casas não estão assentadas sobre os trechos de fluxo do trânsito onde trafegam os carros. A população amedrontada não mora na faixa de tráfego da Suburbana, mas em ruas internas onde os observadores não entraram, em becos, vielas, casas e barracos sem muro ou proteção, a maioria com portas frágeis e não raro têm na vizinhança pequenos mas ferozes exércitos armados em guerra uns contra os outros por pontos de drogas. 



PIG - O outro aspecto ilustrativo da greve foi a observação dos modos como giram as engrenagens do poder e da política partidária antes e depois de conquistarem o poder. Todo e qualquer brasileiro sabe que o Partido dos Trabalhadores construiu boa parte de sua história atuando com estardalhaço nos bastidores de greves. Na Bahia, essa foi a primeira que o partido experimentou um movimento de grandes proporções e consequências estando no lugar de vidraça. Todo e qualquer leitor bem informado também sabe que, desde que chegou ao poder, o PT e seus seguidores que pensam e agem com o fígado e transformam toda e qualquer notícia envolvendo alguém do partido em coisa pessoal, em corpo a corpo desqualificador de quem fala ou escreve, dividiram a imprensa brasileira em duas categorias separadas por um grand canyon moral, ético e ideológico: a imprensa progressista, santa, ética, de um lado e o PIG, o partido da imprensa golpista, do outro, com os diabos que manipulam informações e só publicam mentiras para desestabilizar as lideranças petistas. Sim, os bastiões do PIG para quem divide a imprensa sob essa clivagem são a revista Veja e a Rede Globo de Televisão e, nesse contexto, o Jornal Nacional é tido como o legítimo filho do diabo. Continue lendo no Blog Conteúdo Livre:>>>>>>>>>>>>>