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quarta-feira, 19 de abril de 2017

Estado de calamidade moral...


          Depois de alguns estados decretarem estado de calamidade econômica (que na prática não tem efeito jurídico nenhum), o braço armado da democracia, aqueles que defendem os governantes, bem como a população de bem; finalmente resolveram agir. Ou melhor, respeitar as esposas e a família, como primeiro núcleo social que merece total proteção. Começou no Espírito Santo, agora chegou no Rio de Janeiro e a tendência é se alastrar feito rastilho de pólvora, pelas demais unidades da federação. Há tempos que a maioria dos governadores trata a segurança pública e seus profissionais com improviso. O legislativo é muito bom na retórica, mas nada pragmático. O Código Penal, por exemplo, é de 1940, e ninguém faz nada para mudar. Portanto, é impossível pensar em mudanças com leis anacrônicas e na contra mão dos anseios da população. Mas, será que esse caos não beneficia alguém? Será que tem gente ganhando, "mamando" nos serviços prestados aos presos, comida, roupa, colchão, material de higiene, e por isso quanto mais presos, melhor?

         Com esse quadro dantesco é que os trabalhadores da segurança se organizam de maneira independente, desassociados das associações comprometidas, na maioria das vezes com os governos. Algumas até empregam parentes no executivo, impedindo minimamente uma posição isenta ou combativa contra o poder instituído. 
      
             O sujeito estuda, presta um concurso disputado, consegue a vaga, faz o curso de formação, trabalha 30 anos, e quando vai se aposentar vê o sua aposentadoria esvaindo no ralo da corrupção. Enquanto governadores trabalham quatro anos e têm aposentadoria integral. Se esse concursado entrou com 18 anos e trabalhou 30, é lógico que vai se aposentar antes dos 50. Os políticos geralmente socializam a miséria e os gastos de seus e as consequências da corrupção.

              Enquanto as esposa dos militares estão nas portas dos quartéis do Espírito Santo defendendo o fundamental direito, que é a vida, pois sem salário não tem  como comprar e manter o essencial; alguns políticos estão falando em nome delas, não para defendê-las, mas, para distorcer suas reivindicações, anestesiar suas vozes, enfraquecer os seus pleitos...
           
            

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Policial é trabalho ou sacerdócio?


            Em meio as várias manifestações pipocando por todo o país, algumas reivindicam salários atrasados, como no Rio de Janeiro. Outros lutam contra o projeto de reforma da previdência, que promete incluir e mudar de 30 para 35 anos, o tempo de contribuição, inclusive dos militares. Afinal de contas, o policial é um trabalho ou um sacerdócio? O trabalho pressupõe direitos, deveres, e jamais, jamais o trabalhador irá arrendar a própria vida em nome de quem quer que seja. Qual seria o adjetivo para o sujeito que aceita doar a própria vida em nome do próximo? Sacerdócio! Cujo poder e ou autoridade lhe foram conferidos para agir em nome de deus. E se deus não precisa de salário, não precisa fazer greve, tem poderes e dons especiais, não precisa de periculosidade, nem receber adicional noturno. Enfim, quem exerce o sacerdócio também tem, ou deveria ter dons e poderes divinos. 
       Mas porquê envolver deus numa discussão tão humana? É a desmilitarização a razão dessa referência. Sobretudo quando esbarramos na dicotomia entre o ser militar, algo completamente sacerdotal, e que portanto eleva a condição de seu agente (divino), a ausência completa de direitos; com a de trabalhadores humanos, cumpridores de deveres e postulantes aos direitos comuns a qualquer trabalhador meramente moral.
            O que não pode é "ser divino" e querer se comportar como humano. Palavras como greve, fome, tempo, sacrifício são incompatíveis para quem tem poderes metafísicos. Não há ironia, por mais que pareça que tenha. Assim como não há ironia quando o militar faz seu juramento à bandeira, e declara o "sacrifício da própria vida para defender seu semelhante". Quem se mata pelo próximo é deus, pai, filho, irmão ou qualquer outro grau de parentesco. Portanto, antes de criticar esse texto, ou atacar quem o escreveu, reflita sobre essa condição paradoxal entre dar a própria pelos outros, sem ser deus, ao mesmo tempo em que vê seus direitos preteridos em nome da coletividade, (aumento salarial, direito de greve, periculosidade, adicional noturno, FGTS, aposentadoria por tempo de serviço). 
                 Policial é trabalho ou sacerdócio?
                

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Estado x cobaias x abono permanência x previdência


          Há tempos o homem é refém das artimanhas políticas, que por vezes, cegam aqueles que acreditavam ser espertos só porque lidavam com malandros, ao prendê-los diuturnamente no serviço ordinário. O que poucos têm noção, (o cidadão em geral), desconhecem é que a malandragem do pivete não dá uma dízima se comparada a esperteza do astuto político brasileiro. 

          No caso específico do abono permanência, oferecido por muitos governos estaduais para incentivar o funcionalismo público a permanecer na ativa, mesmo depois de já ter preenchido todos os requisitos para a aposentadoria ou reforma no caso dos policiais militares. Com isso, os governos mataram vários coelhos com única cajadada. A primeira é a de que mesmo havendo a necessidade urgente de recompor o quadro deficitário de servidores que se aposentam, o investimento em novos concursos poderia ser diminuído, tais como recrutamento, seleção, prova, curso de formação, salário aos ingressantes, estágio probatório. Além disso, pagando trinta por cento a mais para o servidor que se sujeitasse a fazer o serviço daquele que não pode ser contratado via concurso, porque o governo não fez concurso. O estado percebeu pela quantidade de voluntários ao abono permanência, que a vida útil daqueles que estavam na idade de se aposentar, poderia ser ampliada para aqueles que ainda não chegaram a idade de se aposentar. Ou seja, os primeiros voluntários ao abono permanência, foram uma espécie de cobaia, (involuntárias é claro), sendo usadas numa espécie de tubo de ensaio, testes para o governo, do que viria ou virá a ser feito com todo o restante do efetivo.

        Portanto detalhes ou argumentos usados por algumas categorias de que não dispõe do direito de greve, adicional de periculosidade, FGTS, adicional noturno, ou de que trabalham numa jornada estressante, ou de que ficam de plantão mesmo quando gozam das folgas, ou de que se aposentam com 48 anos de idade porque começaram a trabalhar com 18. Enfim, tudo isso se torna balela quando os governos estaduais concluíram que o militar ainda pode trabalhar dez ou doze anos. Afirmar que a culpa da reforma da previdência é exclusiva dos que aceitaram o abono permanência não seria justo, apesar da parcela de culpa inerente.

            Na verdade a culpa é de todos nós, brasileiros ou hienas sorridentes, que fazemos piada de tudo sem questionar os privilégios de senadores que se aposentam com seis meses de trabalho "árduo", benefício que é alcançado pelo suplente de senador. Assim como governadores, os mesmos que estão decretando a falência ou pré falência, ou estado de calamidade nos seus respectivos estados, são os mesmos que se aposentam com salário integral com quatro anos de mandato; e as hienas não gritam, não protestam, não se indignam. No fundo o brasileiro parece um urso hibernando, enquanto o povo são as formigas que nunca cessam o trabalho para alimentar esse monstro feroz chamado Estado.