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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

MALDIÇÃO DA PEC 300

         Por Rúbia Kele

        Para muitos foi uma grande frustração, não ver a proposta do piso nacional ser aprovada para os policiais do Brasil. Mas, por outro lado, principalmente para aqueles que foram, participaram e puderam ver de perto a sucessão de lambanças, mentiras, e principalmente puderam descobrir o quanto a  (in)segurança pública é mera especulação eleitoreira, que sempre reaparece com força em época de eleição como foi no caso da presidente Dilma Rousseff. 

      Até o passado recente, no começo do ano, os governos federal e alguns estaduais se viram envolvidos nesta discussão, mesmo contra a vontade de seus governantes, que agiram de maneira tirana prendendo policiais e bombeiros, excluindo outros tantos, trancafiando alguns deles inclusive em presídios de segurança máxima.

            Pois bem, passado essa onda de terrorismo oficial, vários fatos demonstram o quanto a classe política é despreparada para lidar com o assunto (clique aqui e você vai entender melhor o que falo), além de ser sempre retardatária na sua relação com o crime. Se não vejamos, o Brasil tem algum plano nacional de segurança pública? Nosso país tem sequer definido em lei o que é terrorismo, mesmo estando na iminência de sediar dois dos maiores eventos mundiais? O Brasil é tão atrasado que nem lei definindo e normatizando o emprego de algemas existe.

          Agora, pela letargia estatal e social estamos vivendo esse momento de matança de policiais e profissionais da segurança pública. Se o governo achou que reprimindo o Movimento PEC 300 conseguiria abafar a crise na segurança, definitivamente "o tiro saiu pela culatra", pois nunca ficou tão claro e exposto o quanto este setor é falido enquanto sistema de prevenção e repressão, enquanto mecanismo de ressocialização, enquanto promotor das garantias e direitos fundamentais. Só não é falido na compra de equipamentos superfaturados, ou de viaturas, ou da supressão dos direitos que a classe da segurança tem. Nisso, temos que admitir, o governo é muito bom! Ficar sem pagar a periculosidade num Estado em que se mata um policial praticamente todos os dias...é o "óbvio ululante" como diria o grande escritor Nelson Rodrigues.

        A maldição da pec 300 continua, e desejamos sinceramente que ela não atinja a família dos políticos ou eles próprios, como estão atingindo ao policiais e seus entes. Apesar que se isso acontecesse, talvez a guerra civil que hoje é velada, pudesse ser declarada, oficializada. Será que teremos que chegar nesse patamar para que as coisas mudem?

          Rúbia Kele - administradora do blog