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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Coronel da Polícia Militar compra empresa de segurança por R$ 5 milhões

O mercado de segurança privada do Espírito Santo está a mil por hora. Um coronel que acaba de ir para a reserva remunerada da Polícia Militar do Espírito Santo comprou, recentemente, uma das maiores empresas do ramo, pagando R$ 5 milhões. Nesta empresa, o coronel, que já foi comandante geral da PM, ocupa o cargo de diretor de Segurança.

O dinheiro para adquirir a empresa de segurança teria sido obtido, segundo o coronel comentou com outros oficiais que continuam na ativa, por meio de financiamento junto a uma instituição financeira pública, especializada na abertura de linha de créditos para empresários.

O mercado de segurança privada – pessoal, patrimonial e eletrônica – no Espírito Santo é dominado por oficiais da reserva – aposentados – da PM. Há casos, no entanto, que mesmo na ativa, o oficial é dono de empresas, mas mantém o registro em nome de algum membro da família – a legislação impede que um policial tenha empresa em seu nome.

Há outros coronéis que preferem investir na tecnologia. Há o caso de um ex-comandante geral que vende sistema de câmeras para policiamento eletrônico para municípios do interior. O curioso é que este coronel e o que comprou a empresa de segurança por R$ 5 milhões, quando estavam no cargo de comandante geral da PM, tinham muita dificuldade em melhorar a segurança nas ruas. O primeiro, não podia nem ouvir falar em policiamento eletrônico.

O profissional militar se aposenta com 30 anos de serviço. Sai da corporação, geralmente, antes de completar 50 anos de idade. É quando está no auge da carreira. Sua vasta experiência no ramo de segurança pública o facilita a trabalhar como consultor em empresas de segurança ou mesmo abrir sua própria organização.

Do jeito que violência n o Espírito Santo é cada vez mais crescente, o mercado de segurança privada acaba se tornando um excelente filão para quem, durante 30 anos na caserna, aprendeu a combater a criminalidade.  Uma pena que, na maioria dos casos, o aprendizado – custeado pelo Estado – depois é colocado à disposição da iniciativa privada. É quando o cidadão, que já banca o País com altos impostos, tem que pagar também para ter segurança.

Com o crescimento da violência é, portanto, normal que algum  setor ganhe dinheiro. Por isso, o mercado de segurança privada é altamente cobiçado. Todavia, vale registrar que não é qualquer cidadão ou muito menos um coronel  que consegue R$ 5 milhões para comprar uma empresa de segurança.

Vale a pena, porém, o investimento: somente no mês de janeiro, 838 veículos foram roubados no Estado, um aumento de 38% em relação ao mesmo período de 2013. Aliás, no ano passado, houve registro de 7.247 veículos roubados no Espírito Santo, o que dá uma média de 19 por dia.

É ou não vantajoso investir R$ 5 milhões na compra de uma empresa de segurança pública?
blog elimarcortes

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Proibir rolezinhos é proibir o direito de ir e vir


"E agora José?" diria o poeta Carlos Drummond de Andrade, e se eu pudesse parafraseá-lo diria que o efetivo acabou, a praça de alimentação sopitou, a galera de rolezinho chegou...Por mais que fiquemos espantados com tal fenômeno, o fato é que a Constituição Federal ainda nos garante o direito de ir e vir e portanto, se reunir, seja onde for, não caracteriza por si só crime algum.

           Assim como nas manifestações de junho de 2013, as concentrações começavam ingênuas, àquelas protestavam contra o aumento da passagem; diferente dos grupos que organizam os "rolezinhos", que não tem pauta nenhuma a ser reivindicada. Será que essa rebeldia é inconsciente, desorganizada, apartidária?

              Vivemos um momento ímpar na história da humanidade, onde os sistemas estão ou serão questionados na velocidade de um clique, cujas instituições (sempre atrasadas para acompanhar as mudanças), se vêem inconsistentes diante da postura refratária da sociedade. Como diria Caetano "alguma coisa tá fora da ordem, fora da nova ordem mundial".

             Qual deve ser o papel das polícias ante aos "rolezinhos"? O fato que nenhuma corporação brasileira tem efetivo para conter tais fenômenos sociais. Repito: nenhuma! De mais a mais, qualquer ato contrário ao direito de ir e vir será configurado como violação aos direitos fundamentais, humanos. Ou as empresas contratam mais seguranças, formando exércitos particulares, ou de fato sofrerão prejuízos incalculáveis diante da possibilidade desses aglomerados. Veja quantos rolezinhos já estão marcados pelo Brasil

                Finalmente a "classe média do PT" ou classe média bolsa família chegou aos shoppings, só que sem o poder de consumo. Então não precisamos entender de magia para antever o que está por vir; saques, roubos, furtos, caos...Mas, enquanto isso não acontecer...não há crime.

                Voltando a pergunta inicial do poeta "e agora José?" qual será a postura do Estado? Mudar a lei? Criminalizar o direito de ir e vir? Jogar (mais uma vez) a responsabilidade na truculência da polícia, usando-a como massa de manobra? Só o profeta Nostradamus poderia nos responder. O fato é que nosso sistema está com os dias contados. É muita gente para poucos shoppings, para poucas vagas de emprego, muito dízimo para poucos deuses, muita propaganda para pouco dinheiro no bolso...

segunda-feira, 11 de março de 2013

A violência e a segurança privada

Violência e segurança privada
É inegável o aumento dos índices que refletem as condições da segurança pública no nosso país. Aumento no número de homicídios, preços dos seguros etc. Mas, afinal, a quem interessa essa elevação?
Evidentemente, neste caso, não haveria apenas um fator. Porém, existe algo ainda nebuloso para as instituições responsáveis por prover a segurança pública, o incremento dos investimentos em segurança privada e a participação efetiva de agentes públicos em serviços desta natureza.
Se por razões legais, éticas e morais é vedado aos agentes exercerem atividades comerciais, sobretudo, aquelas relacionadas as suas funções primárias. Obscuramente, observa-se uma relação íntima entre as empresas de segurança privada e os agentes responsáveis por promoverem a segurança da população em geral, sobretudo, aqueles com maior poder de decisão.
Desta forma, o enfrentamento da questão torna-se urgente quando o aumento dos números da violência está cada vez mais relacionado com o crescimento das empresas de segurança privada e a consequente participação de agentes públicos nestas.
Este enfrentamento, sem dúvida, perpassa pelo legislativo, com a aprovação de leis que tratem mais diretamente sobre o tema. No entanto, o tema nunca será devidamente debatido se as instituições não reconhecerem a sua incompetência em exercer o devido controle sobre seus agentes, por desídia ou interesse.
Por outro lado, a questão do aumento dos gastos com segurança privada e a participação de agentes públicos, merece um amplo debate a ser realizado pelos diversos setores interessados no tema. Principalmente, a parte mais interessada, a sociedade.


Autor:  - oficial da Polícia Militar da Bahia, formado pela Academia de Polícia Militar da Bahia. Bacharelando em Direito pela Universidade Federal da Bahia.