Por Marcelo Anastácio, blog "No Q.A.P"
Há tempos a dependência política das polícias tornaram-nas, juntamente com os cidadãos, reféns de um sistema mais que ultrapassado, diria viciado. Problemas como falta de combustível, verba para compra ou manutenção de viaturas, falta de efetivo (obrigando os militares a trabalharem em escalas desumanas), falta de equipamentos em dia, como o essencial colete, são demandas conhecidas por todos. As distorções vão da compra superfaturada de viaturas, (enquanto as garagens dos quartéis estão repletas de outras paradas por falta de manutenção), passando pelo desvios das funções de militares que são empregados para fazer serviço de enfermeiro, pedreiro, pintor; até chegar na relação promíscua que muitas prefeituras têm com bombeiros ou algumas polícias militares, o que tiram a autonomia destes, pois se multar, fiscalizar e agir, correm o risco de verem as verbas de gasolina, luz, água serem abruptamente cortadas.
Alguns defendem a unificação das polícias como solução dos problemas, mas, com esse modelo de que adiantaria unificar o problema? O estado é um monstro-glutão que jamais se satisfará com os infinitos impostos que hão de ser criados, e que serão igualmente insuficientes, seja pela má gestão, seja pela corrupção. Lembram qual foi o argumento para criar a CPMF? Disseram que a verba seria para atender a saúde, e o ministro da época, o respeitado médico Adib Jatene tinha essa intenção, mas, quando a verba caiu na conta do governo, virou essa tragédia nossa de cada-dia, pessoas morrendo, faltam leitos, macas, médicos, hospitais, falta investimento.
Por isso alguns serviços prestados pelo estado deveriam ser autônomos, justamente para não ficarem sujeitos as intempéries políticas governamentais. Evitaria-se inclusive que obras que começaram num governo anterior, fossem paradas por discordância política ou ideológica.
Essa autonomia virá se os serviços essenciais fossem autarquias, com verba própria, previamente distribuída, já na arrecadação, sem criar novos impostos, apenas distribuí-los de maneira que o cidadão saiba o percentual a ser depositado na conta da educação, saúde, segurança pública. Enquanto estivermos sob o modelo "monstro-glutão" de estado, continuaremos vítimas da má gestão, corrupção, tráfico de influências, licitações fraudulentas, convivendo com a falta de efetivo, equipamentos, etc.
Marcelo Anastácio