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segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Sem manutenção, câmeras do olho vivo não filmam nada em BH


O projeto Olho Vivo, que já recebeu R$ 6,7 milhões de investimento do governo do Estado desde 2004, está com sua principal função comprometida. Das 78 câmeras de vigilância instaladas no centro, na Savassi e no Barro Preto, 35 estão desativadas. Belo Horizonte conta atualmente com 156 equipamentos. O problema, que se arrasta há pelo menos três meses, é fruto da falta de manutenção. No entorno da rodoviária, um dos locais mais movimentados do hipercentro, apenas um aparelho estaria em atividade.

A denúncia é de um funcionário terceirizado que trabalha na sala de operações do programa. Um ex-funcionário, que deixou o emprego em maio, após dois anos e oito meses, confirmou as falhas na manutenção. Segundo ele, pelo menos 10% das câmeras costumam ficar desativadas por ausência de reparos.
Responsável pela supervisão das imagens nas quatro regiões cobertas pelo projeto, a Polícia Militar desmente as informações e afirma que todas as câmeras passam por revisão constante. A corporação, no entanto, não permitiu que a reportagem de O TEMPO tivesse acesso às duas centrais de monitoramento onde é feito o acompanhamento das imagens. O pedido também foi negado pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds).

Mesmo com o serviço funcionando de forma precária em locais de grande movimento, um empregado de cada turno foi escalado exclusivamente para monitorar a câmera que vigia o relógio de contagem regressiva para a Copa do Mundo, instalado na praça da Liberdade. A PM também nega a denúncia. "Hoje, a gente trabalha com o que tem", diz o funcionário, que pediu para não ter o nome divulgado.

O assessor de comunicação da polícia, capitão Gedir Rocha, reconheceu que há falhas no sistema, mas que elas são esporádicas e não se estenderiam por tanto tempo. Segundo ele, os problemas mais recentes aconteceram nos cabos ópticos subterrâneos e foram provocados por desgastes naturais. O capitão destacou o caráter preventivo do monitoramento. "Além disso, a corporação pode abordar pessoas que estejam em atitude suspeita".

A prefeitura, que integra o convênio de administração do sistema, é a responsável pela conservação da rede. A Empresa de Informática e Informação do Município (Prodabel) confirmou que o serviço é de sua responsabilidade, mas não explicou quando e onde foram feitas as manutenções mais recentes, "por questões estratégicas".

Flagrante. Sem as câmeras, a fuga de dois homens que assassinaram um rapaz de 25 anos na madrugada do último dia 27 não foi registrada. O crime ocorreu na esquina da rua Caetés com a avenida Afonso Pena, no centro, onde, conta o funcionário, existe uma câmera que não filma nada. Na fuga, a dupla de suspeitos passou por locais onde estão outras seis câmeras. Nenhuma delas registrou uma imagem sequer.

O titular da Delegacia de Homicídios do Centro, delegado Fausto Eustáquio, solicitou à PM imagens da região onde aconteceu o assassinato, mas o material é inconclusivo. Por meio da assessoria de imprensa da Polícia Civil, a informação dada é que nenhum dos registros conseguiu flagrar o crime. A PM afirmou que as câmeras poderiam estar focalizando outro lugar na hora do fato.
STF
Convênio tem suspeita de superfaturamento
O suposto superfaturamento de 300% na compra das câmeras do projeto Olho Vivo, adquiridas no convênio firmado em 2004 entre a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

A ação, que tramitava no Fórum Lafayette, migrou em maio deste ano para o STF porque um dos réus é o atual ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel. Ele era prefeito da capital na época em que as irregularidades teriam sido cometidas. O STF aguarda parecer da Procuradoria Geral da República para julgar o caso.


As ilegalidades foram denunciadas em dezembro do ano passado pelo Ministério Público Estadual (MPE). O Estado passou a ser o responsável pela aquisição e instalação das câmeras de segurança na capital em dezembro de 2006. (JT)

JOELMIR TAVARES/OTempo 10/10/11
Foto: extraída da web ASCOBOM